A diplomacia tupiniquim e o

Diplomacia Tupiniquim-Paula Sousa
O aguardado encontro entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prometia ser o "ponto de virada" nas relações bilaterais, o degelo épico, a apoteose da "química" Lula-Trump. A realidade, porém, foi mais cruel.Foi um atropelamento diplomático, onde o Brasil, cheio de pose e discursos vazios, descobriu que, na mesa de negociações global, palavras bonitas não pagam a tarifa de 50%.
A chegada do exército de argumentos... e a realidade das sanções
Mauro Vieira desembarcou nos Estados Unidos armado com seu "exército de argumentos econômicos e ambientais", uma pasta abarrotada de "promessas de paz mundial" e, presumivelmente, o estoque de soja do país. Do outro lado, Marco Rubio tinha uma única e concisa resposta: "Legal, vocês têm argumentos e promessas, nós temos sanções."
A lição foi didática: a negociação comercial do Brasil com os EUA, por um "detalhe" diplomático inédito, não é mais tratada pela equipe comercial de rotina mas sim pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O motivo, é o "forte conteúdo político" da questão. Em outras palavras, o Brasil é um caso de "emergência separada", onde o tarifaço de 50% é, em sua maioria, é a resposta à perseguição a empresas e cidadãos americanos e às preocupações extremas com o Estado de Direito.
Recado subliminar (ou nem tanto): "Vocês podem até vir falar de soja, mas a gente quer falar de liberdade. Queremos saber por que um juiz brasileiro está dando ordens secretas para empresas americanas se autocensurarem e gerenciar o fluxo de informações."
O 'timing cruel' da mídia e o jardim de infância diplomático
O desespero da "extrema imprensa" e da militância progressista atingiu o clímax na véspera do encontro. O motivo do surto? O "timing cruel" da recepção de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo no Departamento de Estado americano, um dia antes da reunião oficial.
A dor era palpável. A CNN, com sua "apuração bem interessante", classificou o calendário como "especialmente maldoso", "cruel". Cruel, na visão da turma da lacração diplomática, não é prender por emojis, perseguir opositores ou censurar redes sociais.
A ironia atingiu níveis estratosféricos quando jornalistas, embalados pela "síndrome da esperança progressista", insistiam na narrativa de que "Trump não tem ideologia, só pensa em negócios e vai se acertar com o Lula".
O efeito educação Paulo Freire: Vimos jornalistas de política externa analisando geopolítica como quem comenta reality show.
Acreditavam na "química incrível" Lula-Trump, uma narrativa auto-alimentada de burrice pedagógica, que ignorava a patada histórica de Trump nos BRICS. Segundo a Globo News, o governo americano mandou seus subordinados "resolverem o problema que foi criado pela dupla Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo", como se a questão fosse um "BO de jardim de infância" e não a opressão judicial.
O fim do jogo: Zero acordo e mãos abanando
No final, o pânico da mídia se justificou. A reunião durou uma hora, o Brasil levou um "verdadeiro batalhão" e saiu de lá, segundo fontes, "sem nada e de mãos abanando". O degelo prometido se revelou um grande fiasco.
A condição irrevogável: Marco Rubio foi "duro e direto". A confirmação não deixou margem para a nota genérica do Itamaraty: "Não haverá avanço do tarifaço, nem da Lei Magnitsk se não houver um fim na opressão judicial no Brasil."
Rubio teria condicionado qualquer avanço comercial à "revisão de questões como opressão judicial no Brasil" e sanções contra figuras públicas, citando nominalmente o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
O chanceler Mauro Vieira, que chegou animado, saiu "atordoado", levado ao almoço na Casa Branca como um prêmio de consolação. A única "química" que rolou foi a do "chumbo grosso" americano com a ingenuidade diplomática brasileira.
A perspectiva futurística
As negociações futuras são, no mínimo, previsíveis. A porta, aberta pelo que o próprio Trump chamou de um aceno ("Lula não pode dizer que eu não quero conversar"), agora expõe o requisito mínimo e inegociável:
1. Anistia ampla, geral e irrestrita para os "prisioneiros políticos".
2. Fim da opressão judicial e, possivelmente, sanções ou medidas contra o ministro Alexandre de Moraes.
Enquanto o Brasil quiser conversar sobre a "soja", "terras raras" ou "diesel da Rússia", os EUA continuarão com o mesmo mantra: primeiro, resolva a questão da liberdade e da censura.
A mídia progressista, presa na bolha da sua própria narrativa, continuará tentando "enrolar" a opinião pública e os empresários. Mas o recado é claro, cristalino e com tarifa de 50%: as vozes de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que a mídia tentou "escantear", provaram ser o canal direto com os "adultos da sala" em Washington. O Brasil não está apenas negociando comércio; está negociando a sua própria credibilidade democrática e o seu Estado de Direito. E, até agora, está perdendo feio.
Fim de jogo! (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 17/10/2025)

