A estratégia de Lula para queimar Flávio – Por Vera Rosa
Lula amplia estratégia para desconstruir candidatura de Flávio. Foto: Wilton Jr Estadão
Lula vai explorar ‘ligações perigosas’ entre Flávio e Vorcaro com time de influenciadores digitais.
Estratégia prevê usar distribuição de conteúdo para queimar senador em fogo brando, guardando suposto vídeo comprometedor para fim da campanha
Diante do sucesso da hashtag “Tariflávio” nas redes sociais, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aproveitar o período de Copa do Mundo para ampliar a estratégia de desconstruir a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
A partir de agora, grupos de influenciadores digitais e líderes políticos, intitulados “Porta-Vozes do Lula”, entrarão em cena nas redes para espalhar notícias positivas sobre o governo e o presidente, desfazer rapidamente o que a campanha classifica de fake news e comparar a gestão do PT com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mas não é só: a ordem é usar a distribuição de conteúdo para queimar Flávio em fogo brando, segurando as denúncias mais robustas para os últimos dias da campanha. Haverá no mínimo 40 mil núcleos de ativistas espalhados pelo País para disparar mensagens nas redes.
Enquanto Daniel Vorcaro poupa o filho 01 de Bolsonaro em suas tentativas de colaboração premiada, aliados de Lula dizem ter provas da ligação perigosa entre o senador, o dono do Banco Master e seus operadores financeiros.
O arsenal explosivo guardaria até mesmo um suposto vídeo mostrando Flávio, hoje o principal desafiante de Lula, em confraternização com Vorcaro. O encontro teria ocorrido em uma fazenda do empresário e pastor Fabiano Zettel.
Cunhado de Vorcaro, Zettel também está preso e, de acordo com a Polícia Federal, atuou como braço direito do banqueiro em atividades ilícitas.
Flávio admitiu, em entrevista à emissora CNN, que um “videozinho” dele com Vorcaro poderá vazar ao longo da disputa eleitoral.
Assegurou, porém, que sua relação com o banqueiro era “apenas” para tratar do filme Dark Horse, que conta a trajetória política de Bolsonaro, hoje preso sob acusação de liderar a trama golpista.
No mês passado, um áudio no qual Flávio negocia com Vorcaro um aporte de aproximadamente R$ 134 milhões para a produção do filme abalou a campanha do senador. Novos documentos revelados nesta terça-feira, 9, pelo site The Intercept detalharam em planilhas o caminho percorrido pelo dinheiro.
Investigações da Polícia Federal indicam agora que uma parte desses recursos foi empregada para custear a estadia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos.
Em tempos de Copa do Mundo, no entanto, o discurso da soberania nacional será entoado em prosa, verso e cores diferentes por Lula, Flávio e também por pré-candidatos menos pontuados nas pesquisas, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Resta saber, porém, se Flávio conseguirá se descolar da pecha de “Tariflávio” após o Escritório de Representação Comercial da Casa Branca propor um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Embora a punição sugerida seja fruto de uma investigação que acusa o Brasil de práticas desleais, apontando o dedo até para o Pix, o anúncio da sobretaxa – dias depois do encontro entre o senador e o presidente dos EUA, Donald Trump – foi um prato cheio para a campanha do PT. E, ao menos por enquanto, Lula saiu das cordas (Estadão, 10/6/26)

