22/09/2026

Abrapa pede política de estado para competitividade do algodão

Abrapa pede política de estado para competitividade do algodão

Lavoura de algodão na cidade de Sapezal (MT). Foto Fernanda Pressinott

 

Entidade envia carta ao futuro presidente, defendendo a cadeia como estratégica para o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade.

 

A Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) divulgou uma carta em que pede ao futuro presidente do país que transforme a competitividade do algodão em política de Estado e não de governo.

 

O documento defende que o próximo governo reconheça a cadeia do algodão como estratégica para o desenvolvimento econômico, o fortalecimento da indústria e o avanço de uma produção cada vez mais sustentável no país.

 

A mensagem, que tem apoio de entidades estaduais do setor, ressalta que a reorganização das cadeias globais de suprimentos, a crescente competição por investimentos, a transição para uma economia de baixo carbono e o fortalecimento de novas exigências regulatórias relacionadas à sustentabilidade e à rastreabilidade apresentam desafios para as economias exportadoras.

 

“A Agenda da Cotonicultura 2027-2030 parte do entendimento de que investir na competitividade do algodão brasileiro significa fortalecer a economia nacional, ampliar a agregação de valor industrial, estimular a inovação tecnológica, promover o desenvolvimento regional e consolidar o Brasil como referência mundial na produção sustentável de fibras naturais,” disse a entidade.

 

O texto também salienta que a competitividade impacta diretamente a geração de renda, emprego, divisas, agregação de valor industrial e a inserção estratégica do Brasil nos mercados globais de fibras naturais.

 

Apesar do bom desempenho do setor, a associação alerta para desafios que ainda pesam sobre a competitividade do algodão, como a insegurança jurídica, a complexidade das regras, os gargalos de infraestrutura e logística, as dificuldades para lidar com riscos climáticos e o surgimento de novas barreiras ao comércio internacional.

 

Com isso, a carta reúne diversas prioridades que, na avaliação da Abrapa, devem entrar na agenda do próximo governo. Entre elas estão a redução da dependência brasileira de fertilizantes importados, o avanço da regulamentação dos bioinsumos, a busca por maior segurança jurídica e estabilidade regulatória, além da preservação da competitividade do algodão durante a implementação da reforma tributária.

 

Na área de política agrícola, a Abrapa defende a modernização dos mecanismos de financiamento e de gestão de riscos, além de maior acesso ao mercado de capitais.

 

A entidade também propõe o desenvolvimento de novas garantias e instrumentos financeiros e o fortalecimento do seguro rural, considerado essencial para dar mais segurança ao produtor diante das incertezas do setor.

 

“O crescimento do endividamento rural, a limitação dos recursos destinados ao seguro agrícola, a maior frequência de eventos climáticos extremos e as restrições fiscais impõem a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de crédito e gestão de riscos. Torna-se necessário ampliar o acesso ao mercado de capitais, desenvolver novas modalidades de garantias, estimular instrumentos financeiros inovadores, fortalecer os seguros agropecuários e facilitar o acesso a recursos voltados à agenda climática. Uma estrutura financeira mais diversificada permitirá ampliar investimentos, elevar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas e sustentar o crescimento da produção em bases competitivas,” frisou.

 

Outro ponto destacado pela entidade é a necessidade de políticas públicas que estimulem o uso de fibras naturais e contribuam para fortalecer a indústria têxtil brasileira.

 

“Diante da crescente preocupação mundial com os impactos ambientais das fibras sintéticas derivadas de combustíveis fósseis, o algodão brasileiro reúne características que o qualificam como matéria-prima renovável, biodegradável e ambientalmente responsável, especialmente quando produzido sob sistemas certificados e rastreáveis,” finalizou a entidade (CNN, 21/9/26)