27/04/2026

Agro apoia Flávio Bolsonaro – Por Paulo Junqueira

Agro apoia Flávio Bolsonaro – Por Paulo Junqueira

 

Imagem criada pelo BrasilAgro com IA

 

“Uma das maiores feiras do agro do país vira palco de articulações políticas em meio a ruídos com o governo federal. Pré-candidatos à Presidência têm ampliado a presença em agendas do agronegócio e devem usar a Agrishow, como vitrine política. Estão confirmados Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) em um movimento para estreitar a relação com um dos setores mais estratégicos da economia.

 

A avaliação interna é de que o evento ganha peso eleitoral em um momento em que o agro demonstra insatisfação com o Governo Federal. A feira, que reúne produtores, empresas e lideranças, tem sido cada vez mais explorada como espaço de diálogo direto com o segmento.

 

O primeiro a cumprir agenda será Flávio Bolsonaro, que visitará a feira nesta 2ª feira (27) pela manhã e deve estar ao lado do governador Tarcísio de Freitas. O presidente Lula não deve deve comparecer à Agrishow — o que, se confirmado, manterá a ausência ao longo de todo o mandato. Já o pré-candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, deve comparecer” (CBN, 24/4/26)

 

 Por Paulo Junqueira

A aversão dos produtores rurais ao atual presidente é multifatorial, envolvendo questões ideológicas, divergências sobre o uso da terra e insegurança jurídica, além de uma relação histórica conturbada entre o PT e o agronegócio. Embora o governo federal tenha anunciado planos safra com valores recordes, o agronegócio formado pela agricultura empresarial tem tido adesão pequena e limitada.

 

Especialistas apontam que nas linhas de custeio, a sobra de recursos não sacados chega a 61%. O número de contratos também registrou queda expressiva, recuando 26% no mesmo período. O alto custo do crédito, mesmo com pequenas reduções na taxa Selic, torna o financiamento pouco atrativo. Instituições financeiras estão restringindo a concessão de crédito devido ao aumento da inadimplência no campo, que atingiu 8,3% em março de 2026, além do elevado número de recuperações judiciais.

 

Por que o agro apoia Flávio Bolsonaro:

 

•        Defesa de Pautas Estruturais: Flávio Bolsonaro e o grupo bolsonarista se posicionam firmemente contra a demarcação de terras indígenas e a favor da flexibilização das leis ambientais, temas centrais para a expansão do agronegócio.

•        Continuidade da Gestão Anterior: O setor frequentemente associa Flávio ao legado de Jair Bolsonaro, lembrando o Plano Safra desburocratizado e os juros mais baixos do período anterior, buscando retomar essa linha de atuação.

•        Aproximação em Eventos do Setor: Flávio tem visitado ativamente feiras e eventos agropecuários, como a Norte Show em Sinop (MT), posicionando-se como "candidato do agro" e ouvindo demandas locais.

•        Identidade Conservadora: Existe uma sinergia ideológica entre a visão conservadora de direita e a classe ruralista, que valoriza a "defesa da propriedade privada" e o combate a invasões de terra.

 

Por que o agro rejeita Lula:

 

•        Ideologia e MST: O setor frequentemente associa o governo Lula a um viés ideológico contrário à agricultura de grande escala, além de considerar a relação do governo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como uma ameaça à segurança jurídica no campo.

•        Política Ambiental e "Ruim/Péssimo": No Estado do Mato Grosso, epicentro do agro, o governo Lula possui alta rejeição (chegando a 67% de reprovação em pesquisas de 2026), motivada por políticas de restrição ao desmatamento e fiscalização ambiental.

•        Insegurança Jurídica: Medidas tomadas pelo governo federal e pelo STF geraram, na visão dos produtores, insegurança no campo, especialmente em relação ao direito de propriedade.

•        Questão Ambiental e Custos: A política ambiental do governo, vista por alguns como restritiva, e episódios como o "leilão do arroz" ou ameaças de intervenção nos preços de alimentos são interpretados como ações contrárias aos interesses dos produtores.

•        Críticas à Gestão: Lula já afirmou que o agro tem "ódio" e "discordância ideológica" com seu governo, reconhecendo que a relação não é de "lua de mel", mas também criticando o setor por resistência política e não por falta de suporte financeiro.

•        Conflitos de Discurso: Declarações de Lula chamando parte do agro de "fascista" e "direitista" em momentos anteriores, como no Jornal Nacional em 2022, geraram mágoa e resistência na categoria.

•        Dificuldades de Diálogo: O governo Lula enfrenta dificuldades em formar uma base sólida no agronegócio, com o setor na liderança da oposição no Congresso, impondo derrotas ao governo.

 

Em resumo, a aversão ao Lula não é baseada estritamente em números econômicos, mas sim em questões ideológicas, medo de intervenções na propriedade e políticas ambientais mais rígidas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, capitaliza esse descontentamento ao se apresentar como o contraponto ideológico e o defensor dos interesses do setor.

 

Nosso agro é a maior história global do século XX na questão agrícola

 

Foto Reprodução Wikipedia

 

Por Roberto Rodrigues

 

O Instituto Agronômico de Campinas é o mais antigo órgão técnico de tecnologia nacional e foi criado por Dom Pedro II que era um estadista que tinha entendido seu tempo no Império que sem comida não haveria paz. Então criou o Instituto Agronômico para desenvolver a agricultura e trouxe cientistas da Europa onde já havia ciência e tecnologia. O crescimento do Agronômico foi espetacular, mas não focou a cultura tropical. A Embrapa tropicalizou o processo.

 

Essa virada de chave fez o Brasil ter uma agricultura sustentável e competitiva a tal ponto que há 50 anos importávamos 30% da comida consumida aqui. Hoje exportamos para 200 países. Essa é a história da saga mais fantástica em termos de agricultura do século XX. O Brasil fez uma revolução da qual deveríamos nos orgulhar graças à ciência e tecnologia, empreendedorismo e também políticas públicas.

 

E aqui vai uma saudação especial aos gaúchos que foram os desbravadores da nova fronteira do Centro Oeste agrícola que se abriu no Brasil. Descendentes de italianos, alemães, holandeses que tinham pequenas propriedades e com 3 a 4 filhos suas pequenas propriedades já não sustentava as suas famílias.

 

Foi então criado pelo governo federal o programa Polocentro (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados, lançado em 1975) que, sob o comando do ministro da Agricultura Alysson Paolinelli no governo Geisel, financiou terras baratas e alavancou a migração dos gaúchos ao Centro Oeste.

 

Eles foram seguidos pelos catarinenses, paranaenses, mineiros, capixabas e pelo Nordeste inteiro. A Embrapa domou aquela área de cerrado que era considerada pobre, uma coisa inepta para a agricultura e que hoje é o Maracanã onde será disputada a partida da final da Copa do Mundo da Alimentação.

 

Esta é uma história curta de não mais do que 50 anos. Mas é a maior história na questão agrícola do século XX em todo o planeta (Roberto Rodrigues é ex-ministro da Agricultura e coordenador da FGV Agro. Depoimento extraído da entrevista ao BlahPodcast)

 

FATOS & PERSPECTIVAS

Imagem criada pelo BrasilAgro com IA

·        Plano contra o Estado de São Paulo 1: Está em curso um projeto político para as eleições de outubro com o lançamento, simultâneo, das candidaturas dos ex-ministros Fernando Haddad (Governo de São Paulo), Simone Tebet e Marina Silva (Senado)

 

·        Plano contra... 2: Haddad foi considerado o pior prefeito da história de São Paulo e não foi reeleito. Como ministro da Fazenda foi responsável pela criação de dezenas de tributos ou que tiveram suas alíquotas elevadas, através de 30 a 37 medidas.

 

·        Plano contra...3: A sul-matogrossense Simone Tebet foi ministra do Planejamento de Lula depois de chamá-lo de “o grande orquestrador do maior escândalo de corrupção da história”. Ao se referir ao PT, afirmou tratar-se de “um partido corrupto”.

 

·        Plano contra...3: As declarações não a impediram de assumir o Planejamento do “partido corrupto” e nem de seguir as ordens de Lula, o “grande orquestrador da corrupção do Mensalão e Petrolão.”

 

·        Plano contra...4: Já a acreana Marina Silva que tentou rotular o agro de “ogro”, demonstrando seu total desprezo e desrespeito  ao setor mais importante e inovador tecnologicamente da economia arrasada pelos governos do PT na história do Brasil, referindo-se a Lula, declarou em setembro de 2018 considerá-lo “corrupto”!

 

·        Plano contra...5: E, mais: afirmou que Lula estava sendo punido (na época estava preso em Curitiba) “por crimes graves de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, deveria chegar a outros políticos, sem tripudiar de presos”.

 

Imagem Reprodução Instagram

 

·        Plano contra...6: Pelo que declararam, pelo que fizeram ou deixaram de fazer ocupando “ministérios de um governo corrupto” liderado pelo “orquestrador do maior escândalo de corrupção da história”, estariam os ex-ministros candidatos a cargos importantes nas eleições de outubro credenciados a representar as famílias, os trabalhadores, os empresários e os produtores rurais paulistas?

 

·        Plano contra...7: Ou as contradições acima listadas se inserem no conceito bíblico de que “Digas-me com que andas e eu lhe direi o que és”?

Valdeci Cavalcante, presidente da Fecomércio no Piauí. Foto Reprodução Instagram

 

  • Conta vergonhosa que não fecha 1: Circulam pelas redes sociais números vergonhosos e alarmantes revelados por Valdeci Cavalcante, presidente da Fecomércio no Piauí e que escondem a falsa teoria de “assistência aos pobres” implementada pelo desgoverno do presidente Lula:

 

População no Estado: 3,4 milhões de habitantes

Nº de trabalhadores com carteira assinada: 300 mil

Nº beneficiários do Bolsa Família: 543.839 Benefício de Prestação Continuada (BPC)

Nº beneficiários Seguro-Defeso ou Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal : 79 mil

Nº beneficiários programa de ajuda Pé-de-Meia aos estudantes do ensino médio: 105 mil

Nº beneficiários programa Gás do Povo: 424 mil (Abril/26)

 

  • Conta vergonhosa...2: Os recursos para o “assistencialismo” patrocinado pelo desgoverno parece ter o único objetivo de manter no cabresto grande contingente de famílias a partir de recursos pagos pela população e que são desviados com fim eleitoreiro de projetos que deveriam ser investidos nas áreas da saúde, educação e segurança pública dentre outros.

 

  • Correios: Prova da incompetência e vergonhosa “gestão petista” é a trajetória dos resultados dos balanços dos Correios:

 

  • 2020: lucro de R$ 1,5 bilhão (Gestão Bolsonaro)
  • 2021: lucro de R$ 3,7 bilhões (Gestão Bolsonaro)
  • 2022: prejuízo de R$ 767,58 milhões (Gestão Lula & PT)
  • 2023: prejuízo de R$ 596,6 milhões (Idem)
  • 2024: prejuízo de R$ 2,6 bilhões (Idem)
  • 2025: prejuízo de R$ 8,5 bilhões (Idem)
  • Ditaduras: 47 anos de ditadura no Irã, 67 em Cuba, 27 na Venezuela e quase 21 no Brasil. O resultado é o mesmo, miséria, violência e atraso.

 

  • Valor Bruto de Produção 1: Mesmo com safra recorde, Valor da Produção Agropecuária cai. Após alta de 13% em 2025, receitas do setor deverão recuar para R$ 1,38 trilhão. Principais itens das lavoras somam R$ 890 bilhões, e os da pecuária, R$ 495 bi.

 

  • VBP... 2: Essa circulação menor de dinheiro é um mau sinal para a agropecuária. Os custos, que já estavam elevados, subiram ainda mais com a guerra no Oriente Médio. O diesel subiu e o fornecimento de fertilizantes foi interrompido na região.

 

  • VBP...3: Custo maior e renda menor não casam com o momento de insolvência em boa parte do setor. Além disso, os juros elevados, que afetam toda a economia brasileira, também são sintomas de pressão na agropecuária.

 

(Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto; 27/4/26)