13/05/2026

André do Prado e o novo estágio de maturidade da direita brasileira

André do Prado e o novo estágio de maturidade da direita brasileira

Deputado André do Prado (P) presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Imagem Reprodução Blog Crusoé

 

Por Camilo Calandreli

 

A política brasileira entrou em uma nova fase. E talvez muitos ainda não tenham compreendido a profundidade do momento histórico que estamos vivendo. O anúncio do nome de André do Prado para compor o projeto do Senado por São Paulo dentro do campo conservador não representa apenas uma escolha eleitoral. Representa uma estratégia de construção institucional.

 

Representa amadurecimento político. Representa visão de longo prazo.

 

E é exatamente nesse ponto que a articulação conduzida por Eduardo Bolsonaro, em consonância com a postura equilibrada de Flávio Bolsonaro e a liderança administrativa de Tarcísio de Freitas, demonstra inteligência estratégica e compreensão real da arena política nacional.

 

A política não é feita apenas de discursos inflamados ou de vídeos virais nas redes sociais. Política é construção de maioria. Política é articulação. Política é capacidade de diálogo. Política é inteligência de posicionamento. Política é compreender talentos diferentes e colocá-los nos espaços adequados.

 

E talvez parte da direita brasileira ainda precise aprender isso.

 

O Senado não é um Palanque. É uma arena de poder

 

Existe uma diferença profunda entre o papel de um deputado estadual, de um deputado federal e de um senador da República.

O deputado estadual atua prioritariamente nas pautas regionais, fiscalização do governo estadual e produção legislativa local.

O deputado federal participa da elaboração das leis nacionais e da fiscalização do governo federal.

 

Já o senador ocupa um dos espaços mais estratégicos da República. O Senado Federal é a casa revisora da federação. É ali que se aprovam ministros do Supremo Tribunal Federal, embaixadores, autoridades centrais da República, tratados internacionais e decisões estruturantes para o futuro institucional do país.

 

Um senador precisa possuir trânsito político amplo. Precisa dialogar com governadores, prefeitos, empresários, lideranças partidárias, setores produtivos e diferentes correntes políticas. Precisa ter capacidade de negociação. Precisa saber construir consensos sem abandonar princípios.

 

E é justamente nesse ponto que o nome de André do Prado ganha força estratégica.

 

A função política de André do Prado

 

Como presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, André do Prado consolidou uma imagem de liderança equilibrada, capacidade de articulação e respeito institucional. Em um ambiente naturalmente conflituoso como o Parlamento paulista, conseguiu construir pontes, manter diálogo entre diferentes forças e assegurar governabilidade.

Isso não é fraqueza.

Isso é habilidade política.

A direita brasileira precisa compreender, de uma vez por todas, que vencer eleições é apenas o primeiro passo. Governar exige outra capacidade: a de consolidar poder institucional de maneira sólida e duradoura.

 

A política é um jogo de xadrez. Cada movimento importa. Cada peça possui uma função específica. Há momentos em que o confronto direto é necessário. Mas há momentos em que inteligência estratégica vale mais do que impulsos emocionais.

E talvez a grande virtude desta nova construção política seja exatamente essa: entender que não existe projeto nacional consistente sem organização institucional robusta.

 

Não é Centrão. É maturidade política

 

Existe uma narrativa simplista que tenta rotular qualquer tentativa de diálogo institucional como “novo Centrão”. Essa leitura é superficial e infantiliza o debate político.

O que está acontecendo no Brasil é outra coisa.

Estamos assistindo ao amadurecimento da direita brasileira.

Uma direita que começou nas ruas, nas manifestações contra o PT, contra os escândalos de corrupção e contra o projeto de poder que mergulhou o país em crise moral, econômica e institucional.

 

Uma direita que ganhou força com a coragem institucional da Operação Lava Jato, com figuras como Sergio Moro enfrentando estruturas profundas de corrupção sistêmica.

Uma direita que encontrou sustentação intelectual no trabalho do Olavo de Carvalho, responsável por despertar milhares de brasileiros para o debate cultural, filosófico e político.

 

E uma direita que encontrou representação popular e liderança política em Jair Bolsonaro.

Mas agora entramos em outro estágio.

O estágio da institucionalização.

 

Política se faz por partido, não por projeto individual

 

Muitos ainda insistem em acreditar que política se faz por CPF. Não se faz.

Política se faz por CNPJ.

Partidos políticos são estruturas permanentes de representação institucional. E o Partido Liberal compreendeu isso de maneira inteligente ao buscar ampliar sua musculatura política, fortalecer lideranças regionais e consolidar alianças robustas.

 

Isso exige pluralidade.

Isso exige diferentes perfis.

Isso exige líderes capazes de dialogar com diferentes setores da sociedade.

Nenhum projeto nacional sério se constrói apenas com bolhas ideológicas fechadas em si mesmas.

É necessário criar uma grande aliança nacional entre povo, setores produtivos, prefeitos, vereadores, parlamentares, lideranças culturais, intelectuais, empresários e agentes públicos comprometidos com a reconstrução do Brasil.

E isso exige maturidade.

 

O Brasil precisa de construção. Não de caos

 

A direita brasileira também precisa aprender a separar liderança séria de oportunismo digital.

Existe hoje um setor que transforma a política em espetáculo permanente. Pessoas que vivem do caos, da indignação artificial e da necessidade constante de visibilidade nas redes sociais. Alimentam conflitos diários porque precisam da tensão para sobreviver politicamente.

 

Mas projetos nacionais não são construídos com vaidade.

Não se constrói um país com guerras internas intermináveis.

Não se reconstrói uma nação atacando permanentemente aliados, lideranças e estruturas que compartilham os mesmos objetivos estratégicos.

A nova fase da direita exige responsabilidade.

Exige inteligência.

Exige disciplina política.

 

E exige compreender que não existe espaço para projetos individuais colocados acima do interesse coletivo.

Infelizmente, muitos talentos da direita acabam desperdiçados exatamente por não entenderem isso. Confundem impulsividade com coragem. Confundem conflito permanente com firmeza ideológica. Confundem notoriedade com liderança.

Mas a história mostra que movimentos políticos duradouros são aqueles capazes de transformar energia popular em estrutura institucional.

 

O Novo Ciclo da Direita Brasileira

 

A escolha de André do Prado simboliza exatamente esse novo ciclo.

Um ciclo em que a direita brasileira deixa de ser apenas resistência e passa a construir governabilidade.

Um ciclo em que o conservadorismo amadurece institucionalmente.

Um ciclo em que estratégia, inteligência política e capacidade de articulação tornam-se tão importantes quanto a força eleitoral.

 

A direita brasileira nasceu nas ruas. Cresceu nas redes. Consolidou-se nas urnas.

Agora precisa aprender a ocupar, organizar e liderar todas as esferas do poder.

E isso exige homens preparados para diferentes funções.

Alguns possuem vocação para o embate ideológico.

Outros possuem talento para a articulação institucional.

Outros têm capacidade administrativa.

 

Outros conseguem construir pontes políticas essenciais para a sustentação de um projeto nacional.

A verdadeira inteligência política está justamente em unir essas forças.

Porque nenhum projeto de reconstrução nacional será vitorioso se continuar fragmentado por disputas de ego, radicalismos improdutivos ou guerras internas sem sentido.

O Brasil exige mais.

E talvez este seja exatamente o momento em que a direita brasileira começa, finalmente, a compreender isso.

 

Sobre o Autor

 

Camilo Calandreli é gestor cultural especializado em Gestão Pública e Museologia, ex-Secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura no Governo Bolsonaro e Comendador da Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes – Ministério da Cultura, autor de livros como:

 

  • Um Breve Ensaio Sobre a Cultura no Brasil;
  • Um Breve Ensaio Sobre a Agricultura no Brasil;
  • Os Cinco Atributos do Cristão na Edificação de Uma Nação.

 

Graduado pela ECA-USP, pós-graduado em Administração e Gestão Pública Cultural (UFRGS), pós-graduação em Gestão Pública, Chefia de Gabinete e Assessoria Parlamentar (PUCRS), Gestão Cultural e Museológica (Universidad Miguel de Cervantes – Sevilla), além de MBA em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública (ESG/Instituto Venturo) e pós-graduação em Desenvolvimento Nacional, Política e Liderança (ESD). Atuou no Congresso Nacional (2021–2024) no Gabinete da Deputada Federal Carla Zambelli e, desde 2025, é Assessor Parlamentar do Deputado Estadual SP Lucas Bove; 13/5/26.