Aperto sobre gasolina leva Rubens Ometto e outros executivos a Brasília
Rubens Ometto e Lula - Foto Reprodução O Globo
- Apreensão ocorre em razão do decreto para coibir o que Lula chama de especulação nos preços nas bombas
- Dono da Cosan e CEOs de Vibra, Ipiranga e Raízen voaram à capital para reunião no Ministério de Minas e Energia
O anúncio do governo Lula de que pretende apertar o controle sobre as empresas de distribuição de combustíveis fez os executivos das principais empresas do setor irem com urgência a Brasília nesta quinta-feira (12).
Os CEOs de Vibra, Ipiranga e Raízen (Shell) voaram à capital às pressas, convocados para reunião no Ministério de Minas e Energia. O dono da Cosan, Rubens Ometto, também participou do encontro.
A apreensão do setor privado ocorre em razão do decreto anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para coibir o que o governo vem chamando de "especulação" e "abuso" nos preços nas bombas.
Entre as medidas anunciadas, há a previsão de que a ANP (Agência Nacional do Petróleo) baixe resolução com punições a empresas que mantenham estoques acima do que o governo considera justificável e pratiquem valores acima do chamado "preço de referência". As empresas que praticarem valores abaixo serão reembolsadas por subvenção.
A calibragem das medidas é o que preocupa, uma vez que pode dar abertura a um controle excessivo sobre a atividade econômica.
Do lado do governo, além do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) participaram da reunião Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio), a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, que deve assumir o lugar de Fernando Haddad a partir da semana que vem.
Alckmin disse ao fim do encontro que os representantes das distribuidoras sugeriram que a Petrobras aumente o volume de importação do combustível enquanto o mercado de petróleo estiver sob o choque da guerra. As companhias estariam, segundo o vice-presidente, preocupadas com o baixo volume de diesel atualmente vendido pela Petrobras no mercado.
Segundo informações do setor prestadas aos ministros, há uma semana, a Petrobras reduziu a oferta de diesel nos seus leilões, o que vem comprimindo a oferta para distribuidores. Os executivos pediram que o governo pressione a Petrobras a voltar a ampliar a oferta de diesel, caso contrário a alternativa é importar combustível a um preço cerca de R$ 2,50 mais caro por litro, afetando os valores internos.
Segundo Durigan, o pedido do governo às distribuidoras foi para que todo o impacto da desoneração e da subvenção seja imediatamente considerado e repassado nos preços.
Os executivos do setor privado informaram o governo, porém, de que haverá um lapso temporal entre a decisão, anunciada nesta quinta, e o efeito de baixa nos preços praticados, uma vez que o diesel em estoque foi comprado com a tributação cheia. Logo, será necessário aguardar até que os estoques sejam renovados, o que não há previsão exata sobre quando deve ocorrer.
A previsão de agentes do mercado é que a Petrobras deverá reajustar os valores praticados na etapa anterior da cadeia, ainda nas refinarias, nos próximos dias.
Sobre essa possibilidade, Alexandre Silveira disse que o governo respeita a governança da Petrobras. "É natural que a Petrobras agora faça a sua discussão interna no seu conselho, mas as medidas que dependiam do governo para buscar ao máximo a neutralidade nesse momento foram tomadas pelo presidente."
O ministro de Minas e Energia também afirmou que as empresas entenderam a complexidade do tema. Segundo eles, todos estão preocupados com o fechamento do estreito de Hormuz, rota marítima que conecta o comércio da Ásia com a Europa.
"Foi pedido a eles que nos ajudem de forma geral, desde a questão da distribuição até a ponta, da questão da comercialização para que a gente atinja o grande objetivo que é garantir o suprimento e preço estável ao consumidor do Brasil", afirmou.
O governo já identificou reajustes preventivos de preços em postos de gasolina. José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro (sindicato dos revendedores), diz que impor aos postos a fixação de preços é uma medida sem sentido, pois ignora os reajustes praticados pelas distribuidoras.
"A ANP [agência reguladora] e o governo não vão fiscalizar as distribuidoras ou as importadoras", afirma.
O representante dos postos diz que a desoneração de PIS e Cofins gera uma redução de R$ 0,32 por litro do óleo diesel comprado nas distribuidoras —o governo fala em um impacto maior, ao redor de R$ 0,64.
Segundo ele, os aumentos recentes nos postos decorrem de reajustes praticados pelas grandes distribuidoras privadas, Raízen e Vibra, que subiram os preços do litro do combustível em R$ 0,62 e R$ 0,59, de acordo com o Sincopetro.
"Eu tenho que dar explicação para o consumidor, mas eu estou pagando mais caro." (Folha, 13/3/26)

