Área de arroz no Rio Grande do Sul deve diminuir 3,4% na safra 2026/27
As lavouras de arroz gaúchas devem ocupar 861,7 mil hectares na safra 2026/27, uma redução de 3,4% em relação aos 891,9 mil hectares plantados na temporada 2025/26 — Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA
Com os produtores de arroz ainda enfrentando as consequências financeiras de um longo período de baixa rentabilidade rentabilidade para cultura, com preços pagos não cobrindo os custos de produção, a área plantada com o grão no Rio Grande do Sul deve sofrer uma nova redução na safra 2026/27, após já ter encolhido na última temporada. A previsão foi divulgada nesta segunda-feira (31/8) pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) em evento na 49ª Expointer, em Esteio (RS).
Segundo o Irga, as lavouras de arroz gaúchas devem ocupar 861,7 mil hectares na safra 2026/27, uma redução de 3,4% em relação aos 891,9 mil hectares plantados na temporada 2025/26. No último ciclo, a semeadura do cereal no Estado já havia caído 8,06%.
Além dos números do arroz, o levantamento também espera uma queda de 1,3% na área plantada com soja em terras baixas. A intenção de semeadura da oleaginosa em terras tradicionalmente ocupadas com arroz alcança 431 mil hectares.
Apesar do recuo, o Irga afirma que a estimativa confirma a ampla adoção da rotação de culturas nas áreas tradicionais de arroz irrigado. "Os dados apontam para um modelo de produção cada vez mais integrado", destaca o instituto. A expansão da soja em terras baixas está associada a ganhos agronômicos relevantes, incluindo melhorias na estrutura do solo, fixação biológica de nitrogênio e suporte ao manejo fitossanitário, fortalecendo a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos.
No entanto, para a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o recuo no tamanho das lavouras pode ser ainda maior, devido às dificuldades econômicas vividas pelos produtores. "Acreditamos que essa estimativa do Irga é a área máxima que a cultura vai ocupar, vai ser ser daí para menos devido à conjuntura atual. Crédito difícil, dúvidas sobre as como serão as renegociações de dívidas, como os bancos vão agir e também sobre os efeitos do El Niño, que vai dificultar muito o plantio neste ano", comentou o presidente da Federarroz, Denis Dia Nunes.
Como é feito o levantamento
O levantamento de intenção de semeadura realizado pelo Irga baseia-se em uma rede de coleta de informações distribuída em todos os escritórios regionais da autarquia. Para garantir a representatividade dos resultados, cada município pesquisado apresenta, no mínimo, 65% de amostragem da área cultivada. Posteriormente, durante o acompanhamento da implantação da safra, os escritórios ampliam a cobertura das informações, alcançando índices superiores a 80% de amostragem da área efetivamente semeada (Globo Rural, 31/8/26)

