24/06/2026

As perguntas que Gilmar Mendes não respondeu no Roda Viva

As perguntas que Gilmar Mendes não respondeu no Roda Viva

Foto Reprodução Instagram

 

Decano do STF se esquivou em respostas sobre o caso Master, Código de Ética para ministros e transparência dos magistrados.

 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se esquivou de responder a questionamentos durante a participação no Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, 22. As perguntas sem resposta do decano da Corte envolvem o caso do Banco Master, o Código de Ética para ministros, a trama golpista e a transparência da agenda dos magistrados.

 

Alguns dos questionamentos que ele não respondeu foram feitos por Roseann Kennedy, da Coluna do Estadão. Ela perguntou, entre outras coisas, se o ministro se sentia constrangido pelo envolvimento de colegas de Supremo, como o ministro Alexandre de Moraes, nos escândalos do Master.

 

Veja as principais perguntas que ficaram sem resposta:

 

  • Constrangimento com relações de colegas e Vorcaro

 

O ministro foi perguntado pela Coluna se se sentia constrangido — “sim ou não”, objetivamente — com a citação de relações próximas de colegas de Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro. “Não há essa resposta de sim ou não, porque isso é uma armadilha. Na verdade, isso precisa ser olhado, porque não se trata de ter relações ou não ter relações. Se trata de saber que relações são essas”, tergiversou.

 

Questionado sobre o contrato de R$ 129 milhões da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, limitou-se a dizer: “Não vou entrar nisso porque isso está sendo investigado”.

 

  • Arquivamento de investigação contra Alexandre de Moraes e a mulher

 

O ministro foi perguntado por Roseann Kennedy se o procurador-geral da República, Paulo Gonet, agiu corretamente ao arquivar a investigação contra Moraes e Viviane, sua mulher. Gilmar Mendes não respondeu.

 

  • Método lavajatista na trama golpista

 

Questionado pela Coluna se houve um método lavajatista no processo da trama golpista, em que o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Gilmar tampouco se posicionou. “Nós temos uma discussão que é antiga, já do tempo da Lava-Jato, até mesmo se a legislação não deveria proibir a delação do acusado preso”, disse.

 

  • Apoio ao Código de Ética para ministros

 

O decano também não deu uma resposta clara sobre seu apoio ao Código de Ética para ministros, defendido pelo presidente do STF, Edson Fachin. Ele foi questionado sobre o que defende em relação à divulgação da participação de ministros em sociedades empresariais, viagens internacionais e eventos patrocinados. “Eu defendo uma discussão por uma comissão do tribunal que faça esta elaboração”, limitou-se a responder.

 

  • Divulgação de agenda pública de ministros

 

Gilmar Mendes não divulga agenda de seus compromissos no site do Supremo, como a maioria de seus colegas. Ele não respondeu o que a medida de transparência, comum em outros Poderes, prejudicaria no seu trabalho. “Poxa vida, olha, todo mundo que foi ao Fórum de Lisboa me encontrou lá. E certamente não era lá que eu ia me esconder”, afirmou (Estadão, 24/6/26)