As perguntas que Gilmar Mendes não respondeu no Roda Viva
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Decano do STF se esquivou em respostas sobre o caso Master, Código de Ética para ministros e transparência dos magistrados.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se esquivou de responder a questionamentos durante a participação no Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, 22. As perguntas sem resposta do decano da Corte envolvem o caso do Banco Master, o Código de Ética para ministros, a trama golpista e a transparência da agenda dos magistrados.
Alguns dos questionamentos que ele não respondeu foram feitos por Roseann Kennedy, da Coluna do Estadão. Ela perguntou, entre outras coisas, se o ministro se sentia constrangido pelo envolvimento de colegas de Supremo, como o ministro Alexandre de Moraes, nos escândalos do Master.
Veja as principais perguntas que ficaram sem resposta:
- Constrangimento com relações de colegas e Vorcaro
O ministro foi perguntado pela Coluna se se sentia constrangido — “sim ou não”, objetivamente — com a citação de relações próximas de colegas de Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro. “Não há essa resposta de sim ou não, porque isso é uma armadilha. Na verdade, isso precisa ser olhado, porque não se trata de ter relações ou não ter relações. Se trata de saber que relações são essas”, tergiversou.
Questionado sobre o contrato de R$ 129 milhões da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, limitou-se a dizer: “Não vou entrar nisso porque isso está sendo investigado”.
- Arquivamento de investigação contra Alexandre de Moraes e a mulher
O ministro foi perguntado por Roseann Kennedy se o procurador-geral da República, Paulo Gonet, agiu corretamente ao arquivar a investigação contra Moraes e Viviane, sua mulher. Gilmar Mendes não respondeu.
- Método lavajatista na trama golpista
Questionado pela Coluna se houve um método lavajatista no processo da trama golpista, em que o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Gilmar tampouco se posicionou. “Nós temos uma discussão que é antiga, já do tempo da Lava-Jato, até mesmo se a legislação não deveria proibir a delação do acusado preso”, disse.
- Apoio ao Código de Ética para ministros
O decano também não deu uma resposta clara sobre seu apoio ao Código de Ética para ministros, defendido pelo presidente do STF, Edson Fachin. Ele foi questionado sobre o que defende em relação à divulgação da participação de ministros em sociedades empresariais, viagens internacionais e eventos patrocinados. “Eu defendo uma discussão por uma comissão do tribunal que faça esta elaboração”, limitou-se a responder.
- Divulgação de agenda pública de ministros
Gilmar Mendes não divulga agenda de seus compromissos no site do Supremo, como a maioria de seus colegas. Ele não respondeu o que a medida de transparência, comum em outros Poderes, prejudicaria no seu trabalho. “Poxa vida, olha, todo mundo que foi ao Fórum de Lisboa me encontrou lá. E certamente não era lá que eu ia me esconder”, afirmou (Estadão, 24/6/26)

