Boom do etanol aponta para novo desenho nos embarques do milho,vê Rabobank
O milho já responde por cerca de 48% da renda do produtor rural; embarques anuais do grão estão bem longe do recorde de 2023. Foto iStock.com/feellife
Por Pasquale Augusto
O avanço das plantas de etanol de milho no Brasil está limitando as exportações do grão, na avaliação da analista de grãos do Rabobank, Marcela Marini.
Segundo ela, o movimento é explicado pela elevada capacidade estática de armazenagem das usinas, pela antecipação na comercialização e, principalmente, pelas vantagens logísticas.
“Essas plantas de etanol estão muito próximas da produção de milho, o que reduz significativamente a exposição ao frete. Uma exportadora no Mato Grosso, por exemplo, precisa transportar esse milho por cerca de 2.000 quilômetros até o porto”, afirmou ao Money Times.
Com isso, as usinas conseguem oferecer preços mais competitivos ao produtor rural, ganhando espaço na disputa pelo grão.
Além disso, Marini destaca que a expansão do etanol de milho torna o mercado mais resiliente quando comparado à soja, que é mais sensível a fatores geopolíticos.
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Ano |
Exportação de milho (Anec/Comex Stat) |
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2015 |
27 milhões de toneladas |
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2016 |
21,86 milhões de toneladas |
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2017 |
29,25 milhões de toneladas |
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2018 |
23,54 milhões de toneladas |
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2019 |
43,5 milhões de toneladas |
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2020 |
34,67 milhões de toneladas |
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2021 |
20,55 milhões de toneladas |
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2022 |
42,5 milhões de toneladas |
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2023 |
55,9 milhões de toneladas |
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2024 |
39,8 milhões de toneladas |
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2025 (estimativa) |
40,9 milhões de toneladas |
“As exportações atingiram um recorde significativo em 2023 e desde então vimos uma redução significativa desse volume. No mercado de exportação, trabalhamos com janelas oportunas. Fica muito difícil competir com EUA e Argentina nesse mercado. Se adicionarmos toda essa mudança na dinâmica do mercado brasileiro, isso tende a limitar cada vez mais os embarques do Brasil”.
Os ganhos do milho nos últimos anos
Em termos de receita, o milho já responde por cerca de 48% da renda do produtor rural, enquanto a soja representa 52%.
“Em 2013, falávamos de um milho a R$ 12 por saca. Hoje, o contrato março/2026 na B3 gira em torno de R$ 70,95. O milho era praticamente marginalizado pelo produtor. Agora, com a expansão do mercado interno, tornou-se uma commodity cada vez mais relevante na composição da receita”, avalia Marini.
Oferta, demanda e volatilidade
A analista vê um momento de elevada volatilidade nos preços, dado a espera pela:
- A definição da área plantada nos Estados Unidos a partir de março;
- O avanço do plantio norte-americano em abril
- As condições climáticas na Argentina;
- A safra de verão do Brasil.
Diante desse cenário, Marini recomenda que o produtor avance na comercialização e utilize ferramentas de proteção para evitar exposição excessiva a movimentos adversos de preços (Money Times, 19/2/26)

