11/09/2026

Bradesco vê agro no Brasil em novo ciclo de crescimento, mas com mais risco

Bradesco vê agro no Brasil em novo ciclo de crescimento, mas com mais risco

Foto Reprodução Andressa Simão

 

No Agro Summit 2026, Bradesco BBI destaca avanço da produção e desafios como juros, alavancagem e volatilidade.

 

O agronegócio brasileiro entra em uma nova fase de crescimento, mas com um cenário mais desafiador para produtores e empresas do setor.

A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (10), durante a abertura da terceira edição do Bradesco BBI Agro Summit 2026, que reúne líderes empresariais, especialistas e representantes do setor para discutir as perspectivas para o agronegócio brasileiro.

 

Na abertura do evento, a diretora do Bradesco BBI Agro, Letícia Cardelli, destacou a transformação do Brasil de grande fornecedor de commodities para uma potência estratégica em segurança alimentar e energética.

 

Segundo Cardelli, atualmente cerca de um em cada quatro reais gerados pela economia brasileira tem origem no agronegócio. A produção de grãos também avançou de forma expressiva na última década. O país produzia aproximadamente 210 milhões de toneladas há dez anos e caminha agora para uma safra próxima de 360 milhões de toneladas, o maior volume da história, segundo os dados apresentados no evento.

 

O avanço representa crescimento de cerca de 70% em uma década. Entre os exemplos citados está a expansão da produção brasileira de milho, que nos últimos anos acrescentou ao mercado um volume equivalente à produção anual da Argentina.

 

O Brasil também consolidou posições de liderança no mercado internacional. O país é o maior produtor e exportador mundial de soja, café e laranja, além de liderar as exportações globais de carne bovina, carne de frango, açúcar e algodão. Também ocupa a terceira posição entre os maiores produtores de milho e a segunda entre os produtores de etanol.

 

Na avaliação apresentada no evento, aproximadamente um em cada quatro produtos agropecuários comercializados no mundo tem origem brasileira. Em 2025, o agronegócio respondeu por cerca de metade das exportações do país.

 

Novo ciclo

 

Apesar dos avanços, o setor passa por um período de ajuste depois de anos de condições especialmente favoráveis. O cenário atual combina margens mais pressionadas em diferentes cadeias, juros elevados, maior alavancagem financeira, volatilidade dos mercados, eventos climáticos mais frequentes e incertezas geopolíticas.

 

Para Letícia Cardelli, o momento exige que as empresas do setor avancem não apenas em produtividade, mas também em eficiência operacional, disciplina financeira, gestão de riscos, governança e alocação de capital.

 

A avaliação é de que parte das dificuldades atuais representa uma normalização após um ciclo de forte expansão. Nos últimos anos, produtores e empresas ampliaram investimentos, capacidade produtiva e oferta. Agora, o desafio passa a ser administrar esse crescimento em um ambiente menos favorável.

 

"A gestão do risco é tão importante quanto a gestão da produção", foi uma das mensagens destacadas durante a apresentação.

 

Apesar das dificuldades no curto prazo, os fundamentos estruturais do setor permanecem positivos. A perspectiva apresentada no evento considera que o crescimento da demanda por alimentos, proteínas, fibras e energia renovável deve continuar sustentando o agronegócio brasileiro.

 

A expansão da renda em países emergentes, a busca global por segurança alimentar e a transição energética devem aumentar a necessidade de uma produção agrícola mais eficiente, produtiva e sustentável.

 

Agro em crescimento

 

Os dados mais recentes do PIB (Produto Interno Bruto) também foram utilizados para reforçar a importância do setor para a economia brasileira.

No segundo trimestre de 2026, o PIB do Brasil cresceu 0,5% em relação ao primeiro trimestre, enquanto a agropecuária avançou 2,8%.

 

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a diferença foi ainda maior. O PIB da agropecuária cresceu 6,8%, enquanto indústria e serviços tiveram expansão de 1,5% cada.

 

Diante desse cenário, a questão colocada durante a abertura do Agro Summit não é apenas se o agronegócio brasileiro continuará crescendo, mas quais empresas e produtores estarão mais preparados para capturar a próxima etapa desse crescimento.

 

A evolução do agronegócio brasileiro foi atribuída à combinação entre empreendedorismo, pesquisa, ciência, inovação e capacidade empresarial.

 

A avaliação apresentada no evento é de que a transformação do setor não ocorreu apenas pelo aumento da área cultivada, mas também pela evolução tecnológica e pela capacidade de elevar a produtividade.

 

Esse processo permitiu que negócios familiares, produtores regionais e empresas brasileiras se transformassem em grupos de grande escala e competitividade internacional.

 

O Brasil reúne, segundo o Bradesco BBI, uma combinação pouco comum de fatores: disponibilidade de terras produtivas, recursos hídricos, conhecimento técnico, tecnologia, capacidade empresarial e escala para atender ao mercado global.

 

Homenagem

A abertura do Agro Summit também foi marcada por uma homenagem ao ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O Bradesco conferiu a Rodrigues o reconhecimento de "Personalidade Emérita do Agronegócio Brasileiro".

 

Ao longo da carreira, Rodrigues atuou junto a produtores rurais, na academia, no cooperativismo, em instituições representativas do agronegócio e no governo federal, quando ocupou o cargo de ministro da Agricultura.

 

O reconhecimento foi entregue pelo diretor do agronegócio do Bradesco, Roberto França, que destacou a trajetória de Rodrigues em diferentes frentes do setor. França afirmou que o legado de Rodrigues ultrapassa os cargos ocupados e está relacionado à construção de uma visão mais ampla sobre o agronegócio brasileiro, integrando ciência, tecnologia, indústria, crédito, logística, comércio, sustentabilidade e pessoas.

 

A homenagem foi apresentada como um reconhecimento à contribuição de Rodrigues para a consolidação do agronegócio brasileiro e para a formação de lideranças do setor (CNN, 10/9/26)