30/03/2026

Café: Mercado aposta na safra 26/27 acima dos 70 milhões de sacas

Café: Mercado aposta na safra 26/27 acima dos 70 milhões de sacas

Foto DivulgaçÕ

Por Marcelo Fraga Moreira

 

 

O mercado de café encerra a semana sob pressão, com o arábica em Nova York devolvendo parte dos ganhos recentes e Londres encerrando a semana praticamente estável com o avanço da colheita no Brasil e uma mudança gradual na percepção de oferta.

 

Em NY vencimento julho-26, após negociar na máxima dos últimos 2 meses @ 312,35 centavos de dólar por libra-peso, encerrou @ 295,25 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior/mínima/máxima/fechamento atual respectivamente: 302,35 / 293,70 / 312,35 / 295,25 centavos de dólar por libra-peso). O mercado perdeu força ao longo da semana, pressionado pelo início da colheita no Brasil e realização de lucros por parte dos fundos.

Em Londres o vencimento maio-26 encerrou praticamente estável @ 3.594 usd/tonelada (fechamento anterior/mínima/máxima/fechamento atual respectivamente: 3.664 / 3.579 / 3.704 / 3.594 usd/tonelada). Já o câmbio encerrou @ 5,2450 R$/USD (mínima/máxima/fechamento respectivamente: 5,21 / 5,32 / 5,2450) mantendo a paridade no mercado interno também estável.

O mercado interno voltou a trabalhar com o café arábica tipo 6 spot na faixa de 2.100/2.200 R$/saca, enquanto para entrega set-26 e set-27 os níveis voltaram a se posicionar entre 1.700/1.750 R$/saca. Já o café conilon permanece pressionado, negociado entre 980–1.050 R$/saca no spot, bem como para entregas entre julho e novembro de 2026.

As estimativas para a safra 2026/27 passam a ganhar mais peso na formação de preços, com o mercado ainda apostando na safra brasileira 26/27 acima dos 70 milhões de sacas!

 

Já para a safra 2026/27, a mesma tabela indica uma recuperação relevante, com produção média de 73,54 milhões de sacas (sendo 48,12 milhões de sacas do café arábica e 25,43 milhões de conilon).

 

Com base nos dados da Cecafé*, o Brasil deverá exportar no mês de março-26 entre 2,85–3,00 milhões de sacas. Considerando um ritmo de embarques ao redor de 2,70 milhões de sacas por mês no período abril/maio/junho-26, o Brasil deverá encerrar o ano safra julho-25/junho-26 com exportações próximas de 36,90 milhões de sacas.

 

Estimando o consumo interno ainda em 22,00 milhões de sacas no mesmo período, reforça-se a leitura de que a safra 2025/26 efetivamente superou o patamar de 60 milhões de sacas (contrastando com a estimativa da Conab* de 55,70 milhões de sacas).

 

Para a safra 28/29 o mercado continua apostando que a safra brasileira poderá ser ainda maior que a safra 26/27 e 27/28, com o Brasil podendo produzir entre 75-80 milhões de sacas. Essa expectativa do mercado já está permitindo compradores indicarem preços para comprar café arábica tipo 6 para entrega em set-28 abaixo dos 1.350 R$/saca.

Produtor: Projeta-se!

 

A realidade do mercado mudou com o Brasil voltando a ter grande potencial para voltar a produzir acima das 70 milhões de sacas daqui para a frente – salvo algum evento climático significativo.

 

Com aumento na produção prevista para os próximos 2-5 anos acima dos 70 milhões de sacas o índice “estoque x consumo mundial” voltará a trabalhar em níveis confortáveis, acima dos 15%. Então, com estoques “confortáveis” o mercado deverá voltar a trabalhar em “carrego” e os preços deverão voltar a testar o custo de produção da origem mais competitiva do mundo: BRASIL! Ou seja, creio que para 27/28 em diante veremos preços negociando novamente entre 1.100-1.300 R$/saca.

 

Em NY o vencimento Julho-26 apresenta agora suportes @ 290,00 / 285,00 e 255 centavos de dólar por libra-peso e resistências @ 305,00 e 312,00 centavos de dólar por libra-peso.

 

Em Londres o vencimento julho-26 apresenta suporte @ 3.515 / 3.330 e 3.000 US$/tonelada e resistências @ 3.660 e 3.855 US$/tonelada!

 

(Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting; 28/3/26)