09/02/2026

Café: Mercado despencando. E agora? – Por Marcelo Fraga Moreira

Café: Mercado despencando. E agora? – Por Marcelo Fraga Moreira

Foto Divulgação

 Desde nosso último “comentário semanal 20 – dez 2025: O que esperar para 2.026” o mercado praticamente atingiu os nossos objetivos de curto prazo (https://archerconsulting.com.br/pt/o-que-esperar-para-2026/)!

 

Em janeiro-26 o vencimento atual – março-26 – chegou a negociar na máxima do ano 2.026 @ 383,85 centavos de dólar por libra-peso. No dia 23 de outubro de 2.025 o contrato negociou na sua máxima histórica @ 414,80 centavos de dólar por libra-peso!

 

Considerando o fechamento dessa semana @ 296,55 centavos de dólar por libra-peso, então, desde o dia 23 de outubro 2.025 o mercado caiu – 11.825 pontos (-28,50%). No mesmo período o R$ valorizou +7% (saiu do patamar dos 5,60 R$/US$ para encerrar a semana @ 5,22 R$/US$)!

 

Essa combinação (considerando um diferencial de compra/venda no período em -60 pontos) representa uma saca de café saindo dos 2.650 R$/saca para um café “spot” tipo 6, peneira 17/18 encerrando a semana nos 1.900 R$/saca! Uma queda nos preços em aproximadamente 750 R$/saca!

 

Para os meses futuros, o vencimento setembro-26 saiu dos 360,85 para os 279,55 centavos de dólar por libra-peso (-8.130 pontos); e o vencimento setembro-27 saiu dos 323,25 para 263,35 centavos de dólar por libra-peso (5.990 pontos)! Em R$/saca essas quedas representaram uma oportunidade para o produtor vender ou hedgear sua posição para a safra 26/27 com entrega a partir de set-26 acima dos 2.100 R$/saca contra “agora” ao redor dos 1.650 R$/saca. E para a safra 27/28 com entrega a partir de set-27 ao redor dos 1.600 R$/saca! Novamente uma queda em R$/saca ao redor dos 450 R$/saca!

 

Já o café conilon no mesmo período, vencimento julho-26 saiu dos 4.500 US$/tonelada para os 3.500 US$/tonelada (uma queda em R$/saca ao redor dos 300 R$/saca)!

 

O produtor brasileiro entrou no ano 2.026 aguardando por preços mais elevados durante a entressafra brasileira – e ainda apostando que o estoque disponível atual é muito pequeno e está concentrado nas mãos de produtores capitalizados. Porém o “mercado” começou a perceber que, apesar dos estoques ainda justos e concentrado em poucas origens – e com a entrada do café do Vietnam (em janeiro-26 o Vietnam exportou entre 3.40-3,70 milhões de sacas) - o mundo não terá problemas com abastecimento no curto prazo, até a entrada da próxima safra brasileira 26/27 já a partir do final do próximo abril-26.

 

Junto com essa percepção o clima de outubro-25 para cá tem sido “muito bom” para as lavouras. Chuvas abundantes em praticamente todas as principais regiões produtoras! Com isso, começaram a sair as estimativas para a próxima safra brasileira 26/27, e nessa semana a Conab publicou sua primeira estimativa para a safra 26/27 em 66,20 milhões de sacas (44,20 milhões de sacas café arábica e 22,10 milhões de sacas para café conilon). Segue abaixo as estimativas dos principais agentes do mercado:

A trading EISA não consta no quadro acima porém soltou a estimativa mais alta - por enquanto em +75,80 milhões de sacas!

 

Dependendo do consumo mundial, a partir de agora o mundo começara a ter produção suficiente para iniciar a reposição dos estoques ao redor do mundo. Grande parte do mercado estima uma produção mundial ao redor dos 188 milhões de sacas para um consumo ao redor dos 177 milhões de saca (de acordo com o USDA), resultando em um superavit de +9 milhões de sacas! Considerando a projeção da OIC (com um consumo mundial já nos 187 milhões de sacas) então a produção mundial x consumo mundial está praticamente justa, sem superávit!

 

Considerando toda a expansão que vem ocorrendo no Brasil nos últimos 2 anos e vários projetos já em andamento para os próximos 2-3 anos, tanto pela minha análise quanto pela análise do “mercado” já percebemos e estimamos que a partir da safra 28/29 (dependendo claro, exclusivamente do Brasil) o mercado de café voltará a ficar superavitário com os estoques mundiais podendo ficar bem mais confortáveis, acima dos +10/+40 milhões de sacas (dependendo sempre do consumo mundial considerado na análise: USDA x OIC)!

Por enquanto a projeção da Conab para a safra 25/26 parece ter sido novamente subestimada pois, o Brasil deverá encerrar o período julho-25/junho-26 exportando aproximadamente 38 milhões de sacas. Se essa exportação for confirmada, então a produção na safra 25/26 terá sido acima dos 60 milhões de sacas!

 

Tirando o março-26 da frente e considerando os próximos vencimentos importantes para o produtor brasileiro (set – dez para o arábica e julho-setembro – novembro para o conilon), creio que veremos em breve o mercado voltando a negociar entre 250-230 centavos de dólar por libra-peso em NY e entre 3.000/2.700 US$/tonelada no conilon. Salvo algum evento climático no curto prazo, principalmente durante o período junho-agosto-26 – durante o inverno brasileiro!

 

Nesse patamar de preços praticamente o mercado está “dando um basta” na expansão de novas áreas principalmente no Brasil – onde o custo de produção para o café arábica e conilon estão oscilando respectivamente entre 900-1.250 r$/saca e entre 600-900 R$/saca para o “produtor mais eficiente”.

 

Café arábica para set-26 e set-27 ainda acima dos 1.600 R$/saca continua sendo “um bom preço”. Porém, se venderem “travas” não deixem de fazer o contra-hedge no mercado futuro/opções. Da mesma forma, senão quiser vender agora e “esperar” por preços melhores, compra um seguro contra eventual baixa do mercado garantindo pelo menos o “seu custo” de produção”!

Outro ponto importante: os fundos + especuladores estão comprados em apenas +7.781 lotes (segundo última posição do CFTC).

 

Considerando o grande volume negociado nos últimos 3 pregões da semana (aproximadamente +80.000 lotes/dia) provavelmente na próxima semana veremos essa posição zerada ou já passando de "Posição Comprada para Posição Vendida"! 

 

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