09/03/2026

Café: Muitas incertezas pela frente – Por Marcelo Fraga Moreira

Café: Muitas incertezas pela frente – Por Marcelo Fraga Moreira

Foto Divulgação

O vencimento maio-26 e julho-26 encerraram a semana respectivamente @ 293,30 e 288,45 centavos de dólar por libra-peso. No curto prazo, nesses 2 próximos vencimentos, o mercado encontrou um piso nos 275 centavos de dólar por libra-peso.

 

O fechamento foi positivo abrindo espaço técnico para o mercado voltar a buscar os 315/328 centavos de dólar por libra-peso. Os suportes agora estão respectivamente nos 285 e 280 centavos de dólar por libra-peso.

 

Notícias vindas da Colômbia ajudaram a sustentar o mercado com a confirmação da safra 25/26 em apenas 12.50 milhões de sacas. Mesmo com essa quebra na Colômbia o mercado continua apostando num superavit mundial ao redor dos 8-10 milhões de sacas para os próximos 12 meses.

 

As estimativas para a safra global 26/27 giram entre +180/+190 milhões de sacas e o consumo mundial entre +176/+185 milhões de sacas (USDA x OIC).

 

Com relação à safra brasileira as estimativas estão entre 66,20 milhões de sacas até 77* milhões de sacas (estimativa divulgada essa semana pela Stone-X). Novamente o Brasil será monitorado de muito perto pelos agentes do mercado e qualquer número abaixo dos 72/70 milhões de sacas poderá voltar a “fazer preço” no médio prazo.

 

O mercado interno “spot” continua firme com demanda externa pagando preços equivalentes a NY -maio-26 “flat”, liquidando café arábica tipo 6 novamente nos 2.000 R$/saca!

 

Já para o café arábica tipo 6 entrega ago-set-26 o mercado negociou durante toda a semana entre 1.650 R$/saca e 1.700 R$/saca. E para a safra 27/28 para entrega ago-set-27 foram reportados negócios entre  1.600 R$/saca e teto ao redor dos 1.670 R$/saca.

 

O mercado do café conilon conseguiu segurar no suporte dos 1.000 R$/saca com a ajuda da guerra entre EUA+Israel x Irã.

 

Navegar através do Canal de Suez voltou a ser uma zona de risco para os armadores e muitas empresas já estão alterando suas rotas voltando a contornar a África do Sul (Cabo da Boa Esperança). Desta forma o café conilon brasileiro poderá voltar a recuperar mercado.

 

Porém, com produto ainda disponível nas mãos dos produtores e uma safra nova entrando já a partir do final desse mês, o mercado do conilon continua pressionado. O aumento nos fretes já é dado como líquido e certo (petróleo já subiu +30% nos últimos 10 dias), e os armadores já estão cobrando mais através das taxas “risco de guerra”. Em breve deveremos enfrentar falta de containers e navios lotados saindo do Brasil rumo Europa (tomando lugar do café do Vietnam).

 

Londres julho-26 encerrou 3.679 US$/tonelada e encontra resistência nos 3.733 US$/tonelada. A máxima da semana foi 3.728 US$/tonelada, então provavelmente teremos novas altas semana que vem.

 

O conilon brasileiro continuava negociando base bolsa de Londres com desconto de -400 US$/tonelada enquanto o Vietnam estava negociando base Londres +200 US$/tonelada. Com os problemas citados acima creio que esse spread deverá fechar em breve e o produtor do conilon poderá ver o mercado voltando a negociar no curto prazo entre 1.050-1.200 R$/saca.

 

Importante notar que enquanto o produtor brasileiro do café conilon segurou seu produto aguardando preços mais altos durante a entressafra brasileira – jan-abril-26 – o Vietnam exportou 6,10 milhões de sacas nos 2 primeiros meses do ano capturando espaço do café brasileiro. Não podemos esquecer que existem outros produtores de café (tanto arábica quanto conilon no mundo competindo com origem Brasil)!

 

No Brasil o clima segue favorável para a fase final da safra 26/27. O grande risco no curto prazo continua sendo a chegada do inverno brasileiro (período 15-maio/15-agosto) pois o único risco para quebrar a próxima safra 27/28 será com algum problema climático (primeiro obstáculo a ser observado será o risco geada e, em seguida o próximo período das chuvas set-dez-26).

 

Para o mês de março-26, por enquanto, com base nos dados da Cecafé a projeção para a exportação indica um nr acima dos 4 milhões de sacas. Provavelmente nos próximos dias essa projeção deverá se ajustar – devendo encerrar entre 2,70-3,50 milhões de sacas.

 

No curto prazo o vencimento julho-26 encontra suporte nos 280 centavos de dólar por libra-peso e resistências apenas nos 308 e 319 centavos de dólar por libra-peso (média móvel dos 200 dias)!

 

Como sempre: Produtor proteja-se!

 

Aproveite os momentos de alta no mercado e aproveite as oportunidades – ainda bem acima do custo de produção da grande maioria dos produtores!

 

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