08/10/2025

Caminhada pela Anistia: o Brasil que resiste! - Por Paula Sousa

Caminhada pela Anistia: o Brasil que resiste! - Por Paula Sousa

Caminhada pela Anistia Foto Reprodução Blog Revista Oeste

 

Mesmo em uma terça-feira, dia útil e de rotina pesada para a maioria dos brasileiros, milhares de pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em defesa de um pedido simples e justo: anistia. A mobilização, convocada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro — entre eles Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Silas Malafaia — reuniu cidadãos de todas as regiões do país que continuam lutando pela restauração da justiça e na coerência no tratamento dado aos presos políticos pelos eventos de 8 de janeiro.

 

Apesar de ter sido uma manifestação marcada por serenidade, civismo e patriotismo, o Projeto de Lei da Anistia, que deveria ter sido apresentado nesta terça-feira (7), foi novamente adiado pelo relator, deputado Paulinho da Força, para a próxima semana. Este já é o terceiro adiamento consecutivo. A cada nova promessa não cumprida, cresce a sensação de frustração entre os apoiadores da causa — mas também se fortalece a determinação de não permitir que o tema seja enterrado nas gavetas do Congresso.

 

Um movimento pacífico, ignorado pela grande mídia

 

Enquanto a esquerda realiza shows políticos travestidos de atos democráticos, com artistas pagos e cobertura midiática ampla, a direita mostra, mais uma vez, que sabe se mobilizar sem precisar de aparato estatal ou incentivos financeiros. As imagens da Esplanada lotada em plena terça-feira comprovam isso: uma multidão ordeira, vestida de verde e amarelo, empunhando bandeiras e clamando por justiça.

 

A Caminhada pela Anistia não teve tumultos, depredações nem violência. Mesmo assim, o governo decidiu reforçar o policiamento, como se manifestações conservadoras fossem sinônimo de risco. A medida é simbólica: revela o preconceito institucionalizado contra qualquer movimento que não se alinhe à narrativa dominante.

 

Em contraste, no mesmo dia, grupos de esquerda se reuniram em frente à embaixada americana para comemorar o ataque terrorista do Hamas, que deixou centenas de inocentes mortos em Israel. Nesses casos, o aparato de segurança é tolerante e silencioso. O contraste fala por si.

 

O peso político e simbólico do ato

 

A manifestação não foi apenas um ato de rua, mas um recado direto aos parlamentares: a sociedade não esqueceu os presos e perseguidos políticos do 8 de janeiro. Muitos dos condenados enfrentam penas desproporcionais e julgamentos conduzidos fora da esfera constitucional adequada.

 

Bolsonaro, que está em prisão domiciliar há cerca de dois meses, reforça o pedido de anistia em todas as conversas com aliados e visitantes. Ele tem insistido que não aceita acordos que excluam o perdão amplo e irrestrito. Nos bastidores, o tema é visto como crucial para o futuro da direita e para as articulações eleitorais de 2026.

 

O relator do projeto, Paulinho da Força, admitiu ter se reunido com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e com outros líderes para ajustar detalhes do texto. Segundo ele, a proposta deve ser votada até a próxima terça-feira. Mas a história recente ensina que nada está garantido. A pressão do Executivo, somada à resistência de setores da imprensa e à barganha de verbas parlamentares, pode novamente travar a pauta.

 

Um caminho árduo pela frente

 

O caminho para a anistia será longo e repleto de obstáculos. O sistema político atual parece empenhado em sufocar qualquer tentativa de reparação, principalmente quando envolve o nome de Jair Bolsonaro.

 

Mesmo assim, a libertação de centenas de brasileiros condenados de forma desproporcional seria um passo histórico. A luta pela anistia não se limita a um nome ou a um grupo político — é uma batalha pela restauração da justiça, da coerência e da liberdade de expressão. Cada brasileiro que compareceu à Esplanada, mesmo em um dia de trabalho, mostrou que ainda há esperança e que o medo não venceu.

 

A mensagem da Esplanada

 

O ato desta terça-feira teve um significado profundo: o povo conservador ainda está de pé, apesar das tentativas constantes de silenciamento e criminalização.

 

Enquanto uns comemoram atos terroristas e distorcem o sentido de democracia, outros caminham pacificamente em busca de perdão e reconciliação nacional.

 

A “Caminhada pela Anistia” foi, acima de tudo, um lembrete ao Congresso: a paciência do Brasil real tem limite. E se o sistema político continuar ignorando a voz das ruas, as multidões retornarão — ainda maiores e mais decididas a cobrar o que é de direito: justiça e liberdade. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 8/10/2025)