18/03/2026

CNA pede zerar taxa de frete marítimo para conter alta dos fertilizantes

CNA pede zerar taxa de frete marítimo para conter alta dos fertilizantes

Operação em um porto com um navio porta-contêineres sendo carregado ou descarregado Foto Divulgação 

 

Medida emergencial busca conter alta nos custos de fertilizantes importados devido a choques internacionais.

 

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) encaminhou ao Ministério da Fazenda um pedido para zerar, em caráter emergencial, as alíquotas do Adicional de Frete para AFRMM (Renovação da Marinha Mercante). A solicitação foi formalizada em ofício enviado nesta terça-feira (17) ao ministro Fernando Haddad.

 

Segundo a entidade, a medida tem como principal objetivo conter a alta nos custos dos fertilizantes importados, que vêm sendo pressionados pelo cenário internacional. O presidente da CNA, João Martins, destaca que o aumento expressivo nos preços, especialmente dos nitrogenados como a ureia, que já acumula alta de cerca de 35%, está diretamente ligado à escalada do conflito no Oriente Médio.

 

Atualmente, o AFRMM incide sobre o transporte aquaviário com alíquotas de 8% na navegação de longo curso, cabotagem e vias fluviais e lacustres, podendo chegar a 40% no caso de granéis líquidos destinados às regiões Norte e Nordeste. Para a CNA, essa estrutura eleva significativamente os custos logísticos, sobretudo em um momento em que o Brasil depende da importação para cerca de 90% dos fertilizantes utilizados na produção agrícola.

 

No documento, a confederação ressalta que uma parcela relevante da arrecadação do AFRMM vem justamente da importação de insumos agrícolas, em especial pelos portos das regiões Sul e Sudeste. Com a pressão nos preços internacionais, a tendência é de aumento ainda maior nos custos de produção no campo.

 

A entidade avalia que, sem medidas de alívio, o encarecimento dos fertilizantes pode se refletir diretamente no preço dos alimentos ao consumidor final. Por isso, defende que a redução temporária do tributo seja tratada como uma ação estratégica para mitigar impactos externos sobre a economia brasileira.

 

“A medida proposta tem caráter emergencial e é fundamental para reduzir os efeitos de choques internacionais, especialmente em um setor que representa parcela significativa do PIB, das exportações e da geração de emprego e renda no país”, conclui a CNA no ofício (CNN, 17/3/26)