10/08/2026

Com IR e IOF, carga tributária bate recorde e chega a 32,4% do PIB

Com IR e IOF, carga tributária bate recorde e chega a 32,4% do PIB

Arrecadação cresce acima da economia, impulsionada por tributos sobre renda, consumo e folha de pagamentos. Imagem Reprodução CNN

 

A carga tributária bruta do Governo Geral brasileiro avançou de 30,3% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2023 para 32,4% do PIB em 2025, segundo a série histórica revisada divulgada pela Secretaria do Tesouro Nacional.

 

O aumento acumulado foi de aproximadamente 2,1 pontos percentuais do PIB  em dois anos, refletindo o aumento da arrecadação em ritmo superior ao crescimento da economia.

 

De acordo com números levantados pela CNN Brasil, a elevação ocorreu principalmente por causa do avanço das receitas do Governo Central, com destaque para tributos sobre renda, lucros, ganhos de capital e contribuições sociais.

 

Esse é o maior percentual da série histórica do Tesouro Nacional, que iniciou em 2010.

 

Evolução recente da carga tributária bruta (% do PIB)

 

Ano

 

Carga tributária (% do PIB)

 

Variação anual (p.p.)

 

2010

 

30,3%

 

 

2011

 

31,0%

 

+0,7

 

2012

 

30,6%

 

-0,4

 

2013

 

30,3%

 

-0,3

 

2014

 

29,5%

 

-0,8

 

2015

 

29,7%

 

+0,2

 

2016

 

29,8%

 

+0,1

 

2017

 

29,9%

 

+0,1

 

2018

 

30,4%

 

+0,5

 

2019

 

30,4%

 

0,0

 

2020

 

29,2%

 

-1,2

 

2021

 

30,9%

 

+1,7

 

2022

 

31,2%

 

+0,3

 

2023

 

30,3%

 

-0,9

 

2024

 

32,2%

 

+1,9

 

2025

 

32,4%

 

+0,2

 

 

Vale ressaltar que os números seguem uma metodologia revisada pelo Tesouro Nacional, aplicada a toda a série histórica para garantir comparabilidade.

A revisão teve como principal objetivo adequar a classificação das receitas às normas internacionais de estatísticas fiscais.

 

Entre os ajustes realizados, o Tesouro retirou do cálculo:

  • receitas do FGTS;
  • contribuições destinadas ao Sistema S.
  •  

Esses valores deixaram de ser classificados como tributos na metodologia da Carga Tributária Bruta do Governo Geral. Com isso, os anos anteriores foram recalculados utilizando a mesma regra aplicada aos dados recentes.

 

Governo Central foi responsável pela maior parte da alta recente

 

A elevação registrada em 2025 foi concentrada principalmente na União. Segundo o Tesouro Nacional, a variação da carga tributária por esfera de governo foi:

Esfera de governo

 

Variação da carga em 2025

 

Governo Central

 

+0,26 ponto percentual do PIB

 

Estados

 

-0,10 ponto percentual do PIB

 

Municípios

 

+0,03 ponto percentual do PIB

 

Total

 

+0,18 ponto percentual do PIB

 

 

De acordo com o Tesouro Nacional, o avanço da carga tributária do governo central foi influenciado principalmente por receitas associadas ao:

  • Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF);
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
  • contribuições previdenciárias ao RGPS.
  •  

O Tesouro aponta que a elevação da arrecadação com a renda reflete o crescimento da massa salarial, enquanto o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) está associado a operações de câmbio e crédito. Já a alta nas contribuições ao RGPS foi influenciada pela expansão do emprego formal e pela reoneração da folha de pagamento (CNN 8/8/26)