03/11/2025

Crise no Rio: A pauta da segurança vai definir 2026? – Por Paula Sousa

Crise no Rio: A pauta da segurança vai definir 2026? – Por Paula Sousa

Foto Reprodução Blog Extra Online

 

A megaoperação realizada no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos em confrontos nos complexos da Penha e do Alemão, vai além de uma simples estatística de guerra urbana. É o ponto de partida para um terremoto político que revelou a falta de ética da esquerda na segurança pública, a incompetência persistente do governo federal e o surgimento de um Brasil que não aceita ser refém do crime. Enquanto o Palácio do Planalto se perde em contradições e narrativas falhas, a direita se une e encontra a pauta que não apenas definirá a eleição de 2026, mas que pode trazer Jair Bolsonaro de volta ao centro do poder.

 

A virada da segurança pública como pauta moral do Brasil

 

Por décadas, a esquerda brasileira conseguiu dominar o debate moral, moldando a segurança pública por meio de uma perspectiva sociológica que retrata o criminoso como vítima e o policial como opressor. O PT e os seus intelectualóides sempre enfrentaram um desafio profundo ao abordar o assunto, optando por discursos abstratos sobre "desigualdade", enquanto o cidadão comum era — e continua sendo — subjugado pelo crime organizado.

 

A declaração de Lula, de que traficantes "são vítimas dos usuários", não foi uma frase tirada de contexto; foi a síntese de uma ideologia. Esta operação, no entanto, quebrou essa narrativa. A segurança deixou de ser um assunto técnico e voltou a ser o que sempre foi: uma questão moral. É a luta entre o direito de ir e vir do trabalhador contra a tirania do fuzil. A esquerda, ao se posicionar constantemente ao lado dos "direitos humanos dos bandidos", perdeu o terreno da moralidade para quem defende a ordem e a lei.

 

O desespero do Planalto e a vitória da direita

 

A resposta do governo Lula à crise foi um show de descoordenação e desespero. Em Uma coletiva de imprensa que pareceu surreal, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, declarou que o governo não foi informado sobre a operação. Ao seu lado, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o desmentiu imediatamente, confirmando que a PF foi consultada, porém "entendeu que não era uma operação razoável para que a gente participasse".

 

A contradição revelou a realidade: o governo não foi só descoberto, como sua equipe operacional escolheu não agir. Esta é a colheita de décadas de um sistema aparelhado que vê a polícia como inimiga e de uma política que "passa a mão em bandidos". Não é por acaso que, segundo pesquisas "a cada 5 presos, 4 votam no PT". A imagem de ministros e de Lula subindo morros dominados por facções com aparente tranquilidade sempre foi um desrespeito ao trabalhador honesto.

 

Enquanto o Planalto se atrapalhava, enviando ao Congresso uma "lei antifacção" totalmente inútil como resposta de marketing, a nova PEC da segurança pública proposta pelo governo só tem uma intenção: centralizar o poder de polícia dos Estados na União e criar meios para que os Estados como entes federativos não possam decidir sobre o que é ou não importante para a segurança regional de seus habitantes.

 

Nosso pacto federativo tem de se tornar um federalismo pleno. Quando o governo tiver o controle das polícias estaduais e municipais, como poderemos frear os abusos das oligarquias que ocupam as cadeiras do poder desde a República? O legislativo não pode aceitar isso.

 

Diante disso, a direita agiu. Em apoio a Cláudio Castro, os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Romeu Zema, (NOVO) de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, Jorginho Melo (PL), de Santa Catarina, Wilson Lima (União Brasil), do Amazonas e Mauro Mendes (União Brasil), de Mato Grosso realizaram o "Consórcio da Paz". O desespero da esquerda foi tão grande que José Genoíno, do PT, apressou-se em classificar a ação de ‘Consórcio da Morte’, confirmando apenas que sentiram a pressão.

 

Favela contra o crime, elite contra a polícia

 

O pilar central da narrativa esquerdista — de que a polícia "massacra" o povo pobre da favela — ruiu por completo. A pesquisa da AtlasIntel sobre a operação é devastadora para o "progressismo" e expõe um paradoxo social gritante: a elite socialista do “Projaquistão” condena a operação, o povo trabalhador a aplaude.

 

Os números são incontestáveis. Questionados sobre a operação, 87% dos moradores de favelas do Rio de Janeiro aprovaram a ação policial. Esse índice é massivamente superior ao dos moradores das "coberturas cariocas" (55%).

 

O recado é claro: quem vive sob o domínio do crime organizado, sendo submetido a opressão, extorsão e tortura pelo Comando Vermelho, não enxerga traficante como "vítima da sociedade". Enxerga-o como seu opressor. A "elite aristocrática socialista do Leblon", pode fazer minuto de silêncio por criminosos mortos em confronto, mas o trabalhador que acorda às 4 da manhã e é impedido de sair de casa pelo tráfico sabe muito bem quem é o inimigo.

 

A era em que a Rede Globo definia a opinião pública com narrativas de "vítimas inocentes" acabou. A informação descentralizada das redes sociais rapidamente expõe a ficha criminal daqueles que a velha mídia tenta santificar.

 

Segurança pública: O divisor político que traz Bolsonaro de volta

 

A eleição de 2026 está sendo desenhada agora, e o tema não será apenas a economia. Analistas de esquerda já tentam vender a farsa de que a "esquerda ficará com a economia e a direita com a segurança". É uma ilusão. Com déficits persistentes e inflação descontrolada, o governo Lula não terá nem mesmo a economia para se orgulhar. A direita, por outro lado, terá a pauta que mais preocupa o brasileiro.

 

O PT sabe disso e já correu para organizar um "seminário nacional" para tentar "encontrar um discurso" sobre segurança pública. É tarde demais. A população brasileira já formou sua opinião, e ela é firme: 59% dos brasileiros desaprovam a atuação de Lula nessa área.

 

A direita não pode vacilar. Este é o momento de unificar o discurso em torno da única e legítima liderança, Jair Bolsonaro. A esquerda e a mídia sonham com um "pós-Bolsonaro", esperando que os governadores "soltem a mão" do ex-presidente. Esta crise, no entanto, prova o oposto. Ela não cria um cenário "pós-Bolsonaro"; ela reafirma o bolsonarismo.

 

Toda a plataforma de Jair Bolsonaro foi construída sobre a premissa de que o Brasil precisava de lei e de ordem e de uma luta incansável contra o crime, exatamente o que a população — da favela ao asfalto — deseja mais que qualquer promessa de picanha. O "Consórcio da Paz" dos governadores será o braço executor dessa visão, mas Bolsonaro continua sendo seu maior símbolo e sua voz mais potente. O fracasso retumbante de Lula em garantir a segurança do cidadão é o tapete vermelho que a direita precisava para consolidar seu projeto e trazer Bolsonaro de volta à presidência em 2026. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 3/11/2025)