26/08/2026

Custeios da soja e do milho na safra 2026/27 sobem em Mato Grosso

Custeios da soja e do milho na safra 2026/27 sobem em Mato Grosso

Em julho de 2026, o custeio da soja 2026/27 em Mato Grosso foi estimado em cerca de R$ 4,3 mil por hectare, alta de 3,39% em relação à safra 2025/26 — Foto:Freepik

 

No caso da oleaginosa, preço da saca ainda cobre os custos operacionais da produção

 

Apesar da alta no custeio da soja para a safra 2026/27 em Mato Grosso, o preço da saca ainda cobre os custos operacionais da produção, segundo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

 

Em julho de 2026, o custeio da soja 2026/27 foi estimado em cerca de R$ 4,3 mil por hectare, alta de 3,39% em relação à safra 2025/26. O avanço reflete a valorização dos fertilizantes, cujo custo foi estimado em R$ 1,9 mil por hectare, segundo o Imea. Dentro desse grupo, os macronutrientes somaram aproximadamente R$ 1,6 mil por hectare, alta de 0,30% ante junho e maior valor projetado para o ciclo.

 

O instituto atribui a pressão sobre os preços dos fertilizantes às tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, que aumentam os riscos para a oferta e a logística desses insumos.

 

Com produtividade estimada em 62,44 sacas por hectare para a safra 2026/27, o Imea aponta que o Ponto de Equilíbrio (P.E.) indica que o produtor precisará comercializar a soja a R$ 107,02 por saca para cobrir o Custo Operacional Total (COT), que inclui custos como mão de obra familiar e depreciação, estimado em cerca de R$ 6,7 mil por hectare.

 

Em julho, o preço médio estimado para a comercialização da soja da safra 2026/27 ficou em R$ 111,17 por saca, R$ 4,15 acima do Ponto de Equilíbrio. Dessa forma, o produtor ainda opera acima do nível necessário para cobrir os custos operacionais.

 

Milho

 

O custeio do milho da safra 2026/27 em Mato Grosso subiu 0,30% em julho, para aproximadamente R$ 3,8 mil por hectare, segundo o segundo o Imea.

 

A alta em relação a junho ocorreu principalmente devido ao aumento de 1,14% nos preços de fertilizantes e corretivos, que chegaram a cerca de R$ 1,5 mil por hectare. Em sentido contrário, os gastos com defensivos recuaram 0,10%, para R$ 912,09 por hectare, enquanto os custos com sementes caíram 0,51%, para R$ 844,46 por hectare.

 

O Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne os gastos diretamente ligados à produção, avançou 0,20%, para aproximadamente R$ 5,5 mil por hectare. Já o Custo Operacional Total (COT), que inclui custos como mão de obra familiar e depreciação, aumentou 0,17%, para aproximadamente R$ 6,1 mil por hectare.

 

Para calcular o Ponto de Equilíbrio, o Imea considerou a produtividade média das três últimas safras, de 123,83 sacas por hectare, já que o instituto ainda não possui uma estimativa para a produtividade da safra 2026/27. Com isso, o COE ficou em R$ 44,45 por saca, enquanto o COT chegou a R$ 49,00 por saca.

 

Em julho, o preço médio negociado para a safra 2026/27 ficou em R$ 46,12 por saca, suficiente para cobrir o COE, mas R$ 2,89 abaixo do COT. Segundo o Imea, embora o preço do milho tenha avançado 4,67% em relação à safra anterior, o ritmo de alta ficou abaixo do aumento de 13,83% no custeio. Esse descompasso entre preços e custos limita a recuperação das margens e mantém um cenário mais apertado para o produtor, explica (Globo Rural, 25/8/26)