27/02/2026

Desarranjo abala acordão para abafar casos do Master ou do INSS

Desarranjo abala acordão para abafar casos do Master ou do INSS

Políticos se espancam na CPMI do INSS. Imagem Reprodução TV Senado

 

Por Vinicius Torres Freire

 

 

  • Queda de Toffoli, PF, ação da CPI do Crime Organizado e ataque a Lulinha perturbam acerto
  • Recomeço de investigações e medo de perder proteção incentivam ameaças e retaliações

 

 

O acordão para "abafar o caso" está com desarranjo. Balançam os acertos tácitos ou explícitos de proteger amigos e comparsas nos casos do Master, da roubança do INSS e até dos esquecidos fundos secretos da Reag.

 

As partes envolvidas, sejam investigadores, políticos ou seus aliados, estão atirando mais à vontade e, no caso da política, uns contra os outros. A soberba de Dias Toffoli ajudou. A Polícia Federal mais solta contribui. A barbeiragem dos governistas na CMPI do INSS também. Políticos investigadores em campanha eleitoral põem algum fogo no circo.

 

Há até parlamentar interessado de fato na investigação contribuindo para prejudicar o arranjo da impunidade. O fato é que a turma do abafa vai ter de repactuar o acerto.

 

Quando há desarranjo no acordão, dá besteira. Ou melhor, risco de besteira para os envolvidos, a possibilidade de que muito documento seja jogado no ventilador. Não é assim que deveria funcionar a República, mas esta República está funcionando de modo ainda pior do que de hábito.

 

Além das corrupções mais corriqueiras, parece haver corrupção mais extensa ou evidente para institucionalizar a corrupção (sic) e, assim, também entrincheirar feudos na política (como é o caso da roubança das emendas e, talvez, o do Master).

 

O estremecimento do pacto da pizza ficou evidente nas providências de quarta-feira da CPI do Senado contra o Crime Organizado, que se tornou CPI alternativa e em escala menor do Master, pois uma CPI de fato sobre os rolos federais do banco de Daniel Vorcaro está barrada pelos comandos de Senado e Câmara.

 

A coisa desandou nesta quinta, na CPMI do INSS, com dezenas de convocações, de quebras de sigilo de gente envolvida e de Fábio Lula da Silva, o Lulinha, troféu da oposição, embora gente graúda na roubança do INSS tenha ficado de fora da ofensiva.

 

"O jogo virou", disse Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, depois da derrota do governismo, que dominava a comissão. Enfim, como revelou o Poder360, os sigilos do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva haviam sido quebrados por André Mendonça, ministro do STF, a pedido da PF, em janeiro.

 

O desarranjo suscitado por medo da polícia e suspeitas de ataque político começou com a queda de Dias Toffoli da relatoria do inquérito do Master, de certo modo provocada pela PF, que vinha sendo objeto de tentativas de intimidação. Sob André Mendonça, a PF foi liberada para investigar o rolo Master —ou ao menos perdeu antolhos e rédeas da relatoria Dias Toffoli.

 

Mendonça também liberou o trabalho do Coaf. Mas permitiu que os irmãos de Toffoli cabulem a convocação da CPI do Crime Organizado. A PF já vinha causando raiva por causa das investigações sobre a roubança das emendas, o que irrita sobremaneira Davi Alcolumbre (UB-AP), presidente do Senado.

 

Centrões e direitões acham que Lula instiga os policiais contra parlamentares suspeitos de apropriação indevida do Orçamento —mas a PF investiga Lulinha. Os governistas foram justamente a Alcolumbre para pedir uma espécie de habeas corpus político para Lulinha, para cancelar a quebra do sigilo do filho de Lula, que teria sido aprovada, entre outros 86 requerimentos, em votação fraudulenta.

 

Alcolumbre está incomodado com o governo desde 2025 e, neste ano, deixa morrer projetos de interesse de Lula 3. A PF solta dificultaria o acordão. Há muito fio solto, de resto. Repactuar o arranjo vai dar trabalho. Mas vai ter conversa (Folha, 27/2/26)