18/08/2026

Etanol e biometano avançam no transporte de cargas no Brasil

Etanol e biometano avançam no transporte de cargas no Brasil

Imagem Reprodução Blog CNN Brail

 

Por Luciana Franco

 

Novos mercados para biocombustíveis ampliam alternativas para descarbonizar setores de difícil eletrificação.

 

O avanço dos biocombustíveis para além do abastecimento convencional de veículos começa a abrir novas frentes para a transição energética no Brasil. O primeiro abastecimento de um navio com etanol realizado no país e o uso de biometano no transporte rodoviário de açúcar foram temas do encontro do Lide Agronegócio durante a Fenasucro & Agrocana 2026 realizada na semana passada em Sertãozinho (SP).

 

Com o tema “Liberdade na Transição Energética e o Futuro do Petróleo”, o evento reuniu o ex-presidente da Petrobras e ex-senador Jean-Paul Prates e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar.

 

Araújo detalhou a operação realizada em julho, a primeira de abastecimento de uma embarcação com etanol no Brasil. O navio, com capacidade para transportar até 13 mil contêineres, recebeu 500 toneladas do biocombustível, fornecidas por meio de uma barcaça.

 

A operação abre uma nova possibilidade de uso para o etanol brasileiro e pode contribuir para posicionar o país como ponto de abastecimento de embarcações internacionais.

 

A iniciativa ocorre em um segmento considerado de difícil descarbonização, no qual alternativas aos combustíveis fósseis precisam combinar escala, disponibilidade e infraestrutura de abastecimento.

 

Biometano no transporte de açúcar 

 

Outra frente tem sido aberta pelo uso de biometano no transporte rodoviário.

 

Por meio do Programa BioRota, a Copersucar já utiliza atualmente 80 caminhões movidos a biometano. Segundo a empresa, os veículos já transportaram mais de 1 milhão de toneladas de açúcar das usinas até o Porto de Santos e terminais de transbordo.

 

Para Henrique Araújo, a expansão dessas aplicações mostra que a transição energética brasileira não precisa colocar em lados opostos agronegócio e produção de combustíveis renováveis.

 

De acordo com ele, o Brasil não precisa escolher entre agronegócio, biocombustíveis e transição energética, uma vez que essas frentes podem avançar juntas e constituem ativos energéticos, ambientais e geopolíticos para o país.

 

Biocombustíveis em setores de difícil eletrificação

 

Na avaliação de Jean-Paul Prates, o avanço dessas tecnologias acompanha uma tendência de diversificação das alternativas para reduzir as emissões nos transportes.

 

Segundo ele, combustíveis renováveis para navios, SAF para a aviação e biometano para caminhões podem ocupar espaços específicos na transição energética, principalmente em segmentos nos quais a eletrificação enfrenta maiores desafios técnicos ou de infraestrutura. Segundo ele, são soluções de vanguarda para descarbonizar a cadeia de transportes.

 

Prates também destacou a combinação de fontes fósseis e renováveis como uma característica da matriz energética brasileira. Para ele, o desafio é integrar essas diferentes alternativas de forma estratégica.

 

Na avaliação de Victor Bermudes, presidente do Lide Ribeirão Preto, a discussão realizada na Fenasucro & Agrocana está diretamente relacionada à estrutura econômica da região, marcada pela presença da agroindústria e da produção de energia renovável.

 

Já Claudia Toniello, conselheira do Lide Agronegócio, destacou a importância de aproximar o debate sobre transição energética da sociedade.

 

O movimento de expansão dos biocombustíveis para o transporte marítimo, rodoviário e aéreo mostra uma mudança no papel atribuído à bioenergia. Além de substituir combustíveis fósseis em veículos leves, etanol, biometano e outros combustíveis renováveis passam a disputar espaço em cadeias logísticas e segmentos industriais nos quais a eletrificação ainda encontra limitações (CNN, 17/8/26)