EUA: Trump amplia importação de carne argentina para tentar conter preços
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto Al Drago-Reuters
- Medida eleva cota com tarifa preferencial e reforça acordo comercial com o governo Javier Milei
- Decisão busca baratear alimentos, mas gera reação de produtores rurais americanos e riscos políticos
O presidente Donald Trump assinou nesta sexta-feira (6) uma medida que amplia novamente o volume de carne bovina importada da Argentina pelos Estados Unidos, em mais uma tentativa de responder às preocupações dos consumidores com o custo de vida.
O ato formaliza os termos de um acordo comercial fechado na véspera entre os dois países, que elimina centenas de tarifas e barreiras comerciais recíprocas —uma vitória política para o presidente argentino, Javier Milei, aliado de Trump.
A cota de carne com tratamento tarifário preferencial em 2026 aumentará em 80 mil toneladas e será composta por cortes magros, usados em conjunto com carne americana para a produção de carne moída.
Segundo o governo argentino, o país poderá exportar agora 100 mil toneladas ao mercado americano. A cota anterior era de 20 mil toneladas e já havia sido elevada para 80 mil em outubro. A nova ampliação representa cerca de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões) adicionais em produtos.
Trump afirmou que a decisão de aumentar "temporariamente" as importações é necessária para ampliar a oferta de carne moída e ajudar a reduzir preços para os consumidores americanos, que enfrentam valores recordes.
A medida, no entanto, envolve riscos políticos e econômicos. A importação maior não resolve a escassez de gado nos EUA, cuja recomposição pode levar anos e é essencial para reduzir o preço de cortes mais caros.
Produtores rurais, base importante do eleitorado republicano, criticam a entrada de carne estrangeira, alegando que ela prejudica o setor doméstico. Uma coalizão de ex-líderes de entidades agrícolas alertou o governo, em carta nesta semana, que a política atual ameaça fazendas americanas.
Ao mesmo tempo, o acordo fortalece a relação entre Trump e Milei e amplia a cooperação econômica entre os países. A iniciativa se soma a bilhões de dólares em apoio financeiro dos EUA que ajudaram a estabilizar a economia argentina recentemente.
No ano passado, Trump também retirou tarifas sobre a carne brasileira em sua tentativa de reduzir os preços. Apesar do aumento das importações, a maior parte da carne consumida nos Estados Unidos continua sendo produzida internamente. Mesmo com a alta dos embarques sul-americanos, eles devem representar menos de 20% da oferta total em 2026.
Dados do Departamento de Agricultura mostram que o rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, resultado de secas e custos elevados, o que ajuda a explicar a persistência dos preços altos e a pressão por medidas emergenciais (Bloomberg, 6/2/26)

