09/02/2026

EUA: Trump amplia importação de carne argentina para tentar conter preços

EUA: Trump amplia importação de carne argentina para tentar conter preços

O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto Al Drago-Reuters

 

  • Medida eleva cota com tarifa preferencial e reforça acordo comercial com o governo Javier Milei
  • Decisão busca baratear alimentos, mas gera reação de produtores rurais americanos e riscos políticos

 

O presidente Donald Trump assinou nesta sexta-feira (6) uma medida que amplia novamente o volume de carne bovina importada da Argentina pelos Estados Unidos, em mais uma tentativa de responder às preocupações dos consumidores com o custo de vida.

 

O ato formaliza os termos de um acordo comercial fechado na véspera entre os dois países, que elimina centenas de tarifas e barreiras comerciais recíprocas —uma vitória política para o presidente argentino, Javier Milei, aliado de Trump.

 

A cota de carne com tratamento tarifário preferencial em 2026 aumentará em 80 mil toneladas e será composta por cortes magros, usados em conjunto com carne americana para a produção de carne moída.

 

Segundo o governo argentino, o país poderá exportar agora 100 mil toneladas ao mercado americano. A cota anterior era de 20 mil toneladas e já havia sido elevada para 80 mil em outubro. A nova ampliação representa cerca de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões) adicionais em produtos.

 

Trump afirmou que a decisão de aumentar "temporariamente" as importações é necessária para ampliar a oferta de carne moída e ajudar a reduzir preços para os consumidores americanos, que enfrentam valores recordes.

 

A medida, no entanto, envolve riscos políticos e econômicos. A importação maior não resolve a escassez de gado nos EUA, cuja recomposição pode levar anos e é essencial para reduzir o preço de cortes mais caros.

 

Produtores rurais, base importante do eleitorado republicano, criticam a entrada de carne estrangeira, alegando que ela prejudica o setor doméstico. Uma coalizão de ex-líderes de entidades agrícolas alertou o governo, em carta nesta semana, que a política atual ameaça fazendas americanas.

 

Ao mesmo tempo, o acordo fortalece a relação entre Trump e Milei e amplia a cooperação econômica entre os países. A iniciativa se soma a bilhões de dólares em apoio financeiro dos EUA que ajudaram a estabilizar a economia argentina recentemente.

 

No ano passado, Trump também retirou tarifas sobre a carne brasileira em sua tentativa de reduzir os preços. Apesar do aumento das importações, a maior parte da carne consumida nos Estados Unidos continua sendo produzida internamente. Mesmo com a alta dos embarques sul-americanos, eles devem representar menos de 20% da oferta total em 2026.

 

Dados do Departamento de Agricultura mostram que o rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, resultado de secas e custos elevados, o que ajuda a explicar a persistência dos preços altos e a pressão por medidas emergenciais (Bloomberg, 6/2/26)