EUA X Irã: Lufthansa cancela 20 mil voos para economizar combustível
Aviões da Lufthansa no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha - Kirill Kudryavtsev - 10.abr.26-AFP
- Medida ocorre diante do temor de escassez de combustível de aviação na Europa
- Companhias aéreas têm cortado voos ou aumentado preços para enfrentar a forte alta dos custos com o conflito
A Lufthansa cancelará 20 mil voos entre maio e outubro na Europa para economizar combustível, em um dos maiores cortes feitos por companhias aéreas globais após a duplicação dos preços do querosene de aviação em decorrência da guerra no Irã.
A companhia alemã planeja cancelar cerca de 120 voos diários e informou que suspenderá rotas de Munique e Frankfurt até meados de outubro.
"No total, 20 mil voos de curta distância serão removidos da programação até outubro, o equivalente a aproximadamente 40 mil toneladas de combustível de aviação, cujo preço dobrou desde o início do conflito no Irã", disse a Lufthansa nesta terça-feira (21).
O plano exato será publicado "no final de abril ou início de maio" e incluirá "otimizações na oferta de voos de curta distância durante o ano, garantindo assim estabilidade na programação para o período do plano de voos", acrescentou a empresa.
Os cortes foram confirmados enquanto ministros de transporte europeus se reuniam nesta terça para discutir planos de evitar que a região fique sem combustível de aviação, após a Agência Internacional de Energia alertar que a Europa tinha menos de seis semanas de suprimentos restantes.
A UE (União Europeia) estava cogitando a possibilidade de obter combustível de aviação americano alternativo não utilizado rotineiramente na Europa, e permitir que as companhias aéreas abastecessem maiores quantidades de combustível fora da região, disse o comissário de transportes da UE, Apostolos Tzitzikostas.
O bloco também cogitava dispensar algumas exigências para que as companhias aéreas utilizem slots de decolagem em aeroportos, que são projetados para impedir que as empresas deixem de usar a capacidade disponível, acrescentou.
A Comissão Europeia anunciará nesta quarta-feira (22) planos para monitorar melhor os estoques de combustível de aviação e potencialmente distribuí-los entre os Estados-membros.
"Caso esta crise continue, estamos prontos para intervir e flexibilizar as regras para as companhias aéreas", disse Tzitzikostas nesta terça.
Companhias aéreas em todo o mundo têm cortado voos ou aumentado preços para combater a forte alta nos preços do combustível de aviação, que dispararam após o fechamento do estreito de Hormuz.
A Delta Air Lines anunciou este mês que tentará recuperar US$ 1 bilhão em custos cortando rotas não lucrativas, cerca de 3,5% de sua malha total. Assim como outras companhias americanas, a Delta não faz proteção contra aumentos nos preços de combustível e ficou mais exposta aos aumentos globais de preços do que suas concorrentes europeias.
Companhias asiáticas, incluindo a Cathay Pacific de Hong Kong, a Air Asia X da Malásia e a Air New Zealand, cortaram rotas para economizar combustível, enquanto dezenas de companhias aéreas em todo o mundo introduziram sobretaxas de combustível ou aumentaram os preços das passagens para tentar compensar o aumento das despesas.
Mesmo as companhias europeias que fizeram hedge de combustível de aviação foram afetadas. A EasyJet alertou na semana passada sobre um prejuízo maior do que o esperado nos meses de inverno devido aos custos de combustível, enquanto a Virgin Atlantic disse que terá dificuldades para voltar a lucrar este ano, apesar de ter aumentado os preços (Financial Times, 21/4/26)

