18/03/2026

Faesp/Senar-SP destina recursos para “enobrecer” companheira do presidente

Faesp/Senar-SP destina recursos para “enobrecer” companheira do presidente

 

 

Tirso Meirelles, presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP, e Juliana Farah, sua companheira e presidente da Comissão Semeadoras do Agro. Foto Divulgação

O presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP, Tirso Meirelles, parece estar usando recursos da entidade para “enaltecer” sua companheira, Juliana Farah, através da “Comissão Semeadoras do Agro” da entidade.

Na edição desta 3ª feira (17) do blog Forbes Mulher, em texto patrocinado pela Faesp/Senar-SP, ela aparece como “importante implementadora de ações para o empoderamento feminino, desenvolvimento econômico e transformação cultural do campo.

As ações de Juliana Farah, tanto no Brasil como no exterior, têm sido criticadas por produtores rurais paulistas que recolhem para o Senar 0,2% de tudo o que produzem e comercializam enquanto que a indústria (Pessoas Jurídicas) recolhem 0,25%.

Estes recursos, de acordo com o estatuto e o código de ética da Faesp/Senar, deveriam ser investidos “em representar, proteger e desenvolver o agronegócio paulista. A Faesp atua na defesa sindical e política dos produtores rurais, enquanto o Senar/SP promove capacitação profissional gratuita, educação rural, assistência técnica, gerencial e melhoria da qualidade de vida no campo, impulsionando a produtividade e a sustentabilidade.”

Histórico conturbado

Durante 48 anos a Faesp foi presidida pelo patriarca Fábio de Salles Meirelles. Em dezembro de 2023, para perpetuar a “Dinastia Meirelles” que criou, lançou para sucedê-lo seu filho Tirso numa eleição que foi anulada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região em 1ª e 2ª (por unanimidade) instâncias por fraude e irregularidades.

Em 14 de abril de 2024, ele tentou tomar auto posse no Theatro Municipal de São Paulo e foi impedido horas antes do início da cerimônia em razão da ação impetrada pelos integrantes da chapa oposicionista “Nova Faesp”. Desde então a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar-SP é dirigida por um presidente sub judice.

Tão logo sua eleição foi anulada pelo TRT-2, Tirso Meirelles implementou uma série de medidas de cunho revanchista e predatório contra os presidentes de sindicatos rurais que integram o movimento de oposição “Nova Faesp”. Os sindicatos rurais de Ribeirão Preto e Araraquara, por exemplo, foram os mais duramente atingidos, apesar de integrarem o cinturão de produção de duas das principais culturas do agro paulista e brasileiro, a cana-de-açúcar e a citricultura.

“Fomos excluídos do rateio dos recursos que recolhemos e que deveriam ser investidos através de cursos e ações do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar, o que não vem ocorrendo desde 2024. Naquele ano, estes recursos foram reduzidos e no ano seguinte simplesmente foram eliminados. Enquanto isto, vemos verbas que deveriam ser investidas no setor serem direcionadas para outras finalidades, como as ações da Comissão Semeadoras do Agro que contrastam com o estatuto e o código de ética da entidade”, denunciam Paulo Junqueira e João Henrique de Souza Freitas, presidentes respectivamente dos sindicatos rurais de Ribeirão Preto e Araraquara.

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“O campo que elas estão mudando

Como a Comissão Semeadoras do Agro transforma o protagonismo feminino em estratégia de desenvolvimento para o interior paulista.

No interior paulista, um movimento silencioso está redesenhando o mapa do agronegócio brasileiro. Desde 2022, a Comissão Semeadoras do Agro, criada pela Federação da Agricultura do Estado de São Paulo presidida por Juliana Farah, atua na interseção entre empoderamento feminino, desenvolvimento econômico e transformação cultural do campo.

Mais do que um programa de capacitação, a iniciativa representa uma reconfiguração estrutural do papel da mulher no agronegócio — setor historicamente marcado pela invisibilidade do protagonismo feminino, apesar de as produtoras rurais serem agentes centrais na gestão de propriedades familiares e na produção de alimentos.

A estratégia da comissão combina acesso a crédito, assistência técnica, redes de apoio e capacitação empreendedora, ferramentas que, na prática, convertem conhecimento tradicional em negócios sustentáveis e diversificam a economia de regiões com acesso restrito a mercados. O resultado é mensurável além das propriedades: quando mulheres rurais conquistam renda própria, os impactos se distribuem por toda a cadeia familiar, com mais investimento em educação, saúde e alimentação.

Esse modelo encontra respaldo em diretrizes de organismos como a ONU, que reconhece a igualdade de gênero como variável estratégica para o desenvolvimento sustentável — e não como pauta acessória. No campo, essa lógica se traduz em comunidades mais resilientes, com maior participação feminina nas decisões locais e modelos de liderança que alcançam novas gerações.

A dimensão da saúde integra outra camada crítica dessa atuação. A iniciativa Semear é Cuidar leva exames preventivos, conscientização sobre cânceres de mama, colo do útero e pele, além de suporte à saúde mental a regiões onde o acesso a serviços médicos especializados ainda é escasso - conectando, de forma inédita em muitas localidades, saúde e trabalho rural.

As Semeadoras do Agro, que realizam um trabalho essencial para a Faesp por dialogar diretamente com a produtora rural, constroem um argumento que vai além da responsabilidade social: empoderar mulheres do campo é, também, uma decisão estratégica para a modernização cultural e econômica do agronegócio paulista — e para a construção de um setor mais diversificado e preparado para o futuro.

*Infomercial é de responsabilidade exclusiva dos autores.” (Da Redação, 18/3/26)