16/10/2026

Flávio revoga o que pretendia; Lula amplia uso da máquina em eleição aberta

Flávio revoga o que pretendia; Lula amplia uso da máquina em eleição aberta

Candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) Foto Evaristo Sá-AFP e Taba Benedicto-Estadão

 

Por Ricardo Corrêa

 

Senador altera posicionamentos na área social e econômica para se proteger e presidente amplia pacote de bondades em meio a bom momento nas ruas

O indicativo das pesquisas de que a disputa pelo segundo turno será cabeça a cabeça mudou o comportamento dos dois candidatos. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que perdeu a condição de favorito após os números do primeiro turno, ampliou o uso da máquina para tentar salvar a reeleição.

 

De outro, Flávio Bolsonaro (PL) passou a “revogar” grande parte das coisas que disse e pretendia, em meio à preocupação com uma reação do petista.

 

As posturas devem ser reforçadas com o resultado da pesquisa Quaest, que indicou um empate técnico: 46% a 44% para Flávio, mas com a rejeição do candidato do PL um ponto maior que a do petista.

 

Lula tem enfileirado propostas populares para tentar reagir na campanha. Como mostrou o Estadão, com o perdão de dívidas para MEIs, anunciado nesta semana, o “Gastômetro” das medidas do presidente alcançou R$ 354 bilhões. Lula ainda promete um Pix de até R$ 5 mil para os microempreendedores individuais e, na reta final do primeiro turno, anunciou 15% de reajuste para o Bolsa Família, um Desenrola 3.0, a derrubada das bets e a distribuição das canetas emagrecedoras pelo SUS. Também quer criar o Pé-De-Meia universitário.

 

A ideia é que as medidas em sequência, a mobilização massiva de seus apoiadores em atos organizados por estudantes pelo País e a votação do fim da escala 6x1 turbinem o petista e consigam levá-lo à condição de empate nos 10 dias que restam para a ida do eleitor às urnas.

 

Antevendo esse perigo e após apanhar bastante nas redes por suas posições, Flávio Bolsonaro resolveu mudar de postura nas principais pautas sociais e econômicas. Foi nessa linha, ao ver-se derrotado na estratégia de adiar a votação do fim da escala 6x1, que aceitou votar a favor. Enquanto isso, nos bastidores, pede calma ao empresariado e aliados, dizendo que poderá fazer ajustes no tema depois de eleito.

 

Após colocar o “tesouraço” como uma das principais plataformas de sua campanha, prometendo cortar R$ 250 bilhões, o candidato do PL recuou e tirou da mesa as principais discussões que poderiam levar a esse ajuste. Já prometeu que não fará a desindexação do aumento das aposentadorias, nem acabará com o ganho real do salário mínimo. Também disse que não cortará os programas sociais mais caros, como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Minha Casa, Minha Vida. Sobre o primeiro, prometeu inclusive fazer um novo reajuste.

 

Vença um ou vença outro, o fato é que será bastante difícil para qualquer um que seja eleito entregar aquilo que promete. Antes da guerra selvagem e das medidas apresentadas pelo governo atual, as contas já estavam pressionadas. Agora, precisará passar por um ajuste da ordem de quase R$ 50 bilhões para contemplar as medidas e promessas. E a campanha mais populista da história pode terminar em um enorme estelionato eleitoral (Estadão, 16/10/26)