Gonet: Arquivamento de denúncias de Vorcaro,que quer delatar atual governo
Paulo Gonet durante sessão do Supremo Tribunal Federal. Foto Antonio Augusto/STF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta quarta-feira, 2, o arquivamento de denúncias feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro sobre supostas ameaças que alega ter sofrido na prisão para não firmar um acordo de colaboração premiada. As declarações foram dadas pelo banqueiro no gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master, durante oitiva realizada na última quinta, 27.
Como revelou o Estadão, Vorcaro afirmou, em depoimento prestado à equipe do ministro, que quer delatar integrantes do “atual governo” do presidente Lula e citaria nessa delação a realização de viagem com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele, porém, não deu detalhes nem indicou provas dessa relação.
Gonet, no entanto, anotou que Vorcaro não deu “qualquer sinalização de potencialidade probatória ou vício de vontade a justificar a renovação da proposta negociada”.
O PGR, citado em diálogos do banqueiro, afirmou em seu parecer que “do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias”.
Gonet pontuou que o relato de Vorcaro não conferiu “mínimo elemento de verossimilhança”.
O depoimento foi visto com desconfiança pelos investigadores, que veem na iniciativa uma ação de Vorcaro para tentar tumultuar a apuração e forçar a retomada da negociação de uma terceira delação premiada.
A defesa de Vorcaro pediu a realização desse depoimento a André Mendonça sob argumento de que ele estava sendo alvo de ameaças da PF para não fazer sua delação premiada. A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram duas propostas de delação apresentadas pelo banqueiro, sob o entendimento de que ele escondeu informações e não entregou provas novas.
Gonet aparece citado em conversas com o banqueiro. Como mostrou o Estadão, o procurador-geral trocou mensagens com Vorcaro por meio de um interlocutor e chegou a pedir para levar o filho numa viagem a Londres bancada pelo Banco Master.
A PGR argumenta que a rejeição da delação premiada de Vorcaro estava devidamente fundamentada e também foi acompanhada pela Procuradoria. “O indeferimento formalizado pela autoridade policial em ato fundamentado respaldou-se justamente na ausência de acréscimo informativo de natureza inédita, conclusão reiterada por esta Procuradoria-Geral da República que, ao examinar o acervo ofertado, igualmente recusou o pacto ante a manifesta debilidade de seu conteúdo”, disse o procurador-geral da República.
“O peticionante não logrou alterar a premissa fática que culminou na negativa anterior, não se vislumbrando qualquer sinalização de potencialidade probatória ou vício de vontade a justificar a renovação da proposta negociada”, escreveu Gonet.
Após ter alterado sua equipe de defesa, Vorcaro passou a buscar espaço para uma terceira negociação de delação premiada, mas a manifestação da PGR deve enterrar de vez essa possibilidade.
Além disso, a PGR assinou recentemente um acordo de colaboração com o fundador da corretora Reag, João Carlos Mansur, que apresentou detalhes sobre os crimes financeiros do Banco Master e de Vorcaro, o que esvaziou ainda mais a sua proposta (Estadão, 3/9/26)

