27/02/2026

Instituições questionam aumento do imposto de importação em 1.200 itens

Instituições questionam aumento do imposto de importação em 1.200 itens

Porto de Santos, no Estado de São Paulo. Foto Jorge Silva-Reuters

       

 

IFI (Instituição Fiscal Independente) aponta que efeito arrecadatório é "imediato", mesmo sem intenção; Centro de Liderança Pública afirma que custos podem aumentara.

 

O aumento de alíquota do Imposto de Importação geraria uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões a R$ 20 bilhões - segundo cálculos da IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado).

 

O Governo Federal elevou o tributo para cerca de 1.200 produtos dos setores de máquinas, durante o mês de fevereiro. Entre os itens afetados estão celulares, computadores, roteadores e freezers.

 

O Planalto justifica a medida como uma proteção à indústria brasileira diante de um aumento de importações, que é tratado como um risco "estrutural" ligado a um processo de dependência de produtos importados, e nega qualquer impacto negativo nos preços.

 

O Centro de Liderança Pública, no entanto, questiona a versão e afirma que tarifas, de modo geral, são repassadas a preços, custos e produção — e não seria diferente nesse caso.

 

Já a IFI aponta que, mesmo com o foco da medida não sendo fiscal, o efeito arrecadatório é imediato, inclusive ajudando o apertado resultado primário de 2026. Mas a substituição de produtos importados por uma produção nacional ficará apenas para o médio e longo prazo, se é que vai ocorrer.

 

Ao WW, o diretor-executivo da instituição, Marcus Pestana, traçou um paralelo do aumento no tributo com o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

 

Pestana aponta que a indústria americana - que Trump afirmou ser a principal beneficiada pelas taxas - cresceu menos que outros setores da economia. E o mesmo pode ocorrer no Brasil.

 

"Tudo indica que a estratégia protecionista via Imposto de Importação não é eficaz. A industrialização brasileira se deu por outro motivo", afirmou.

 

A IFI também afirma que a mudança na alíquota é comparável à movimentação que o governo fez com o Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF. Ambos são impostos de natureza regulatória que, segundo o grupo, têm sido acionados como ferramenta para o incremento das receitas da União.

 

O governo tem encontrado dificuldades para fechar as contas públicas nos últimos anos. Com uma trajetória crescente na dívida pública e nas despesas obrigatórias, o país caminha para um cenário incerto nos próximos anos. A própria IFI aponta para um "estrangulamento fiscal" em um relatório de 2025.

 

A oposição tenta tirar algum lucro político do caso. O senador e pré-candidato à presidência, Flavio Bolsonaro (PL-RJ), acusou o governo de procurar apenas a arrecadação, visando aumento nos gastos.

 

O deputado Nikolas Ferreira, (PL-MG), publicou um vídeo criticando a elevação do imposto. A publicação já tem mais de 1,5 milhão de curtidas e 20 milhões de visualizações.

 

O governo, diante da situação, fica dividido. Uma ala defende um recuo parcial na medida, visando evitar um dano à imagem de Lula durante o ano eleitoral. Uma outra parte, especialmente a Fazenda, apoia que a alteração seja mantida (CNN Brasil, 26/2/26)