26/06/2026

Itamaraty descontrolado: Incompetência e a farsa do governo Lula

Itamaraty descontrolado: Incompetência e a farsa do governo Lula

Por Paula Sousa

 

A diplomacia brasileira, que na era do Barão do Rio Branco consolidava fronteiras com altivez e inteligência, foi rebaixada a um balcão de notas raivosas em redes sociais e puro desespero eleitoral. O recente espetáculo grotesco protagonizado pelo Itamaraty escancara o colapso da nossa política externa. Diante do iminente "tarifaço" de 25% recomendado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na Seção 301, a máquina de propaganda oficial correu para criar sua ficção favorita: culpar a oposição pelos próprios fracassos.

 

Mas a farsa ruiu. O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, se inscreveu formalmente para fazer a defesa técnica e econômica do Brasil nas audiências públicas em Washington. Enquanto a oposição irá ao coração do fórum americano defender o produtor nacional, o bilionário aparato do Itamaraty fez absolutamente nada na prática.

 

O governo Lula sequer inscreveu um representante para discursar. Optaram pela passividade burocrática, prometendo apenas enviar "diplomatas para monitorar o discurso" em tempo real, como revelou Mônica Bérgamo na Folha de S.Paulo. É a diplomacia do voyeurismo: ganham-se salários astronômicos para assistir à oposição trabalhar e, depois, redigir tuítes carregados de rancor.

 

O descalabro da linguagem diplomática

 

Sentindo o xeque-mate político, o perfil oficial do Itamaraty no X disparou uma nota vergonhosa: “Os traidores da pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. Essa linguagem rasteira, digna de diretório acadêmico de faculdade, resume o pânico de quem percebeu o tamanho da ruína econômica que plantou.

 

Ao classificar adversários como "traidores da pátria" para esconder a negligência estatal, o Itamaraty age como ala partidária, não como órgão de Estado. A desculpa de que a União Europeia e a China também não enviaram oradores é de uma hipocrisia atroz. O Brasil era o alvo central da investigação; assistir de braços cruzados é a assinatura da incompetência. O desespero é real porque o relatório da USTR recomendará a sobretaxa e registrará formalmente que a única defesa ativa do País partiu da oposição, desmontando a mentira petista.

 

Os fatores reais da Seção 301

 

A narrativa governista tenta colar a mentira de que as sanções americanas são culpa da direita. Lorota. Uma análise dos termos da Seção 301 deixa claro que todos os gatilhos punitivos nasceram das omissões do governo Lula, do PT e do ativismo do STF. O Brasil virou um pária de segurança jurídica.

 

O primeiro ponto são as decisões arbitrárias de Alexandre de Moraes, com censura prévia e perseguição a empresas de mídia e cidadãos americanos. Para os EUA, isso viola contratos internacionais e cria um ambiente hostil ao capital externo.

 

Somado a isso, a USTR apontou o colapso do combate à corrupção. As canetadas de Dias Toffoli, que limparam a barra de condenados e anularam multas bilionárias da Lava-Jato, ressuscitaram o capitalismo de compadrio. Para os americanos, a corrupção generalizada funciona como barreira comercial desleal. Empresas estrangeiras sérias são passadas para trás por corporações "amigas do poder" e do STF, que entregam serviços ruins e preços inflados, mas vencem licitações na base do favorecimento político.

 

Para completar o desastre, a investigação cita o avanço descontrolado de queimadas na Amazônia — sepultando a retórica hipócrita de campanha —, pirataria e indícios de trabalho escravo.

 

A hipocrisia com a China

 

Se com os EUA o governo reage com histeria, com a China a postura é de pura subserviência. Pequim anunciou que estuda aplicar barreiras e tarifas contra a carne brasileira, imitando o castigo dado à Austrália.

 

Diante do "tarifaço" do Oriente, o silêncio do Itamaraty é ensurdecedor. Não há tuítes raivosos ou acusações de "interferência na justiça". Para a China, o governo oferece sorrisos, acordos bilaterais esdrúxulos e terras estratégicas. Tolera-se até o avanço de fábricas chinesas com denúncias de trabalho escravo em solo nacional sob o manto do alinhamento ideológico do "Sul Global". A lógica é cristalina: se a China taxa o Brasil, o governo aceita calado e de cabeça baixa; se os EUA reagem à nossa insegurança jurídica, o Itamaraty surta publicamente.

 

O veredito da história será implacável. Os verdadeiros traidores da pátria são aqueles que, pagos pelo contribuinte para defender o País, preferem governar sobre as cinzas de uma economia destruída a admitir a própria incompetência (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 26/6/2026)