03/09/2026

Lei da UE contra desmatamento impactará setor de café também fora da Europa

Lei da UE contra desmatamento impactará setor de café também fora da Europa

Um trabalhador espalha grãos de café para secar na fazenda. Foto Jose Cabezas-Reuters

 

Embora a UE importe 40% do café global, empresas que a abastecem respondem por 80% dos embarques mundiais.

 

A nova lei da União Europeia contra o desmatamento levará muitas empresas do setor cafeeiro a garantir que todos os seus produtos cumpram as regras do bloco, e não apenas aqueles destinados especificamente aos mercados da UE, de acordo com um estudo realizado pela organização sem fins lucrativos Trase.

 

A partir do final de dezembro, o Regulamento da UE sobre Desmatamento (EUDR) exigirá que os importadores comprovem que seus produtos não foram fabricados com ⁠matérias-primas provenientes de terras desmatadas, por meio, entre outras medidas, do rastreamento das matérias-primas até a parcela em que foram cultivadas.

 

Para os produtores de café que enviam a maior ⁠parte, mas não a totalidade, de seu ⁠café para a UE, a Trase constatou que, muitas vezes, seria ‌menos oneroso estender a conformidade com o regulamento da UE a toda a ⁠sua cadeia de suprimentos, em vez de manter cadeias separadas para a UE e para fora da UE.

 

A UE é responsável por cerca de 40% das importações globais de ‌café, ⁠mas, segundo a ‌Trase, as empresas que abastecem o bloco respondem por quase 80% dos embarques mundiais de café.

 

A gigante do café JDE Peet’s exporta 84% de seus grãos para a ⁠UE, enquanto as tradings Louis Dreyfus e ⁠Neumann Gruppe exportam 63% e 53%, respectivamente.

 

"Para essas empresas, estender os requisitos de rastreabilidade por toda ‌a cadeia de suprimentos pode ser a opção mais econômica. Isso significa que a lei contra o desmatamento poderia ter um impacto muito maior do que o peso da UE", afirmou a Trase.

 

A EUDR há muito enfrenta críticas de ‌que levará à criação de cadeias de abastecimento segregadas, excluindo pequenos agricultores de áreas rurais remotas do lucrativo mercado da UE, com exportadores relutantes em enviar ⁠seus grãos para o bloco, já que terão de rastreá-los.

 

O estudo da Trase põe em questão essa crítica.

 

"O fato de muitas empresas exportarem tanto para a UE quanto para outros mercados sugere que padrões semelhantes possam ser adotados mais facilmente por essas empresas fora da UE", afirmou.

 

O desmatamento é a segunda principal causa das mudanças climáticas, depois da queima de combustíveis fósseis. O EUDR tem como objetivo acabar com os 10% do desmatamento global impulsionado ‌pelas importações da EU (CNN, 2/9/26)