Lucro líquido da AGCO caiu 75,5% no segundo trimestre
Segundo a AGCO, a redução das vendas reflete uma postura mais cautelosa dos produtores — Foto: Divulgação/Massey Fergusson
Vendas líquidas da fabricante de máquinas agrícolas somaram US$ 2,6 bilhões, queda de 1% na comparação anual.
A AGCO, fabricante de máquinas agrícolas de marcas como Fendt, Massey Ferguson e Valtra, registrou lucro líquido de US$ 77,2 milhões no segundo trimestre de 2026 ou US$ 1,08 por ação, uma queda de 75,5% na comparação com igual período de 2025, quando a companhia registrou lucro líquido de US$ 314,8 milhões ou US$ 4,22 por ação. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30/07) no comunicado de resultados da companhia.
A companhia também divulgou o lucro líquido ajustado contabilizado no intervalo de abril a junho, que exclui valores normalmente incluídos pelos princípios contábeis aceitos nos Estados Unidos (GAAP). O valor chegou a US$ 102,2 milhões, 2% superior aos US$ 100,2 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.
As vendas líquidas da AGCO no período de três meses encerrado em 30 de junho somaram US$ 2,6 bilhões, queda de 1% na comparação anual. Desconsiderando o efeito positivo da variação cambial, o recuo foi de 3,7%.
Segundo a AGCO, a redução das vendas reflete uma postura mais cautelosa dos produtores diante da incerteza em relação aos custos dos insumos, dos elevados custos operacionais, da rentabilidade irregular das lavouras e do cenário macroeconômico.
"Os agricultores responderam à crescente incerteza adotando uma abordagem mais cautelosa na compra de equipamentos", explicou Eric Hansotia, presidente do conselho, presidente e CEO da AGCO, em nota.
Na América Latina, que desde janeiro inclui as operações do México, as vendas recuaram 17,9%, para US$ 271,3 milhões. No semestre, as vendas da região recuaram de forma similar, em 17,6%, para US$ 483 milhões. A empresa reportou prejuízo das operações na região de US$ 21,8 milhões no segundo trimestre, em comparação a um lucro de US$ 26,9 milhões no mesmo período do ano passado.
No Brasil, especificamente, as vendas de tratores de toda a indústria no varejo caíram 11% no primeiro semestre do ano, em comparação aos seis primeiros meses do ano passado, segundo a companhia, refletindo demanda mais fraca por tratores de alta potência, que foi parcialmente compensada por uma maior procura por equipamentos de pequeno e médio porte.
“A rentabilidade dos produtores do Brasil está sob pressão devido a altos custos de produção, particularmente por fertilizantes importados, e a demanda por equipamentos maiores ainda não mostrou novo crescimento. Custos de financiamento, condições de crédito e dinâmicas políticas mais abrangentes devem continuar restringindo a demanda em 2026”, disse a AGCO no comunicado.
Na América do Norte, as vendas aumentaram 19,7%, para US$ 471,5 milhões, impulsionadas, segundo a companhia, pelo ganho de participação de mercado no segmento de máquinas de alta potência. No entanto, a região teve prejuízo operacional de US$ 24,5 milhões no segundo trimestre. Em igual período do ano passado, já tinha registrado prejuízo de US$ 25,2 milhões.
A Europa e o Oriente Médio permaneceram como a principal região em faturamento da AGCO, com vendas líquidas de US$ 1,732 bilhão no trimestre, mesmo com uma queda de 2,4% na comparação anual. A região também obteve lucro de US$ 260,2 milhões, em linha com os US$ 261,3 milhões de lucro contabilizado no segundo trimestre do ano passado.
Projeção
A AGCO divulgou previsões ajustadas de resultados para o ano de 2026. Quanto às vendas líquidas, a expectativa da companhia é alcançar de US$ 10,1 bilhões a US$ 10,2 bilhões. As margens operacionais ajustadas devem ficar em torno de 7,5%, refletindo a “ênfase contínua na disciplina de preços, na gestão de custos e no alinhamento operacional”.
O lucro por ação para 2026 está projetado entre US$ 5,50 e US$ 5,75.
“Essas estimativas refletem as políticas tarifárias vigentes em 30 de julho de 2026, juntamente com as ações de mitigação e estratégias de abastecimento estabelecidas pela AGCO. Quaisquer alterações nas políticas tarifárias ou respostas relacionadas podem afetar essas projeções”, afirmou a empresa no comunicado.
Está no planejamento, também, produzir volumes que ajudem a ajustar o estoque das concessionárias à demanda do mercado.
"Considerando as condições do setor mais fracas do que o esperado, estamos ajustando nossa projeção para o ano todo. Os agricultores continuam enfrentando pressão devido aos elevados custos operacionais, à economia irregular das safras e à incerteza macroeconômica mais ampla, o que resulta em investimentos em equipamentos atrasados e visibilidade limitada na recuperação da demanda”, afirmou Hansotia, em nota (Globo Rural, 30/7/26)

