Lula 3 destrói a economia e empurra o Brasil no lixo – Por Paula Sousa
O brasileiro médio aprendeu na marra uma nova modalidade de esporte radical: a feira mensal. Se na teoria os indicadores do IBGE aparecem pintados num cenário cor-de-rosa, enfeitados com estrelinhas, glitter e corações, na vida real o pesadelo é diário. A maquiagem estatística tenta esconder o inevitável, mas a prateleira do supermercado não mente.
Para tentar explicar esse abismo, a grande mídia recorre a acrobacias conceituais fascinantes. Em análise repercutida pelo Jornal da Cidade Online, a comentarista Míriam Leitão afirmou com a segurança típica de quem observa a economia do alto de uma cobertura que a alta da inflação seria, em boa medida, apenas uma "ilusão", uma mera "sensação econômica" que não corresponde à realidade.
A tese é quase poética: bastaria o cidadão acreditar firmemente que a conta não subiu para ver seu poder de compra intacto. A lógica oficial argumenta que, enquanto alguns itens sobem, outros caem — se o arroz sobe, quem sabe o tomate cai, e se a carne dispara, o trabalhador que contemple com esperança a mortadela.
Essa extraordinária filosofia econômica ignora que a família trabalhadora não faz feira com uma planilha de ponderação estatística debaixo do braço. O orçamento do cidadão comum atende a necessidades básicas que não aceitam substituição teórica. Ninguém chega ao caixa e diz: "Como o tomate caiu de preço, vou levar três quilos de felicidade e descontar da conta." O valor da conta de luz — prestes a subir ainda mais para cobrir benesses concedidas a megagrupos econômicos —, do gás, do leite e do café não desaparece sob fórmulas matemáticas.
A desconexão entre o discurso e a vida real ganha contornos claros quando se observa a realidade financeira de quem defende essa narrativa. Estimativas de mercado veiculadas pelo portal Terra apontam que comentaristas seniores e grandes assinaturas da imprensa tradicional podem receber vencimentos na faixa de R$ 100 mil a R$ 300 mil mensais, com estrelas do primeiro escalão ultrapassando R$ 1 milhão por mês. Do alto desse patamar, a inflação é, de fato, um detalhe imperceptível.
A reação no balcão do supermercado é completamente diferente para quem vive no mundo real. Quer seja um trabalhador que ganha um salário mínimo, um pequeno empresário sufocado por tributos ou uma professora de história da rede particular — daquelas que, nas horas vagas, teimam em atuar como articulistas para tentar traduzir o caos diário —, a dita "sensação" inflacionária atende pelo nome de puro desespero. Se esta que vos escreve recebesse R$ 300 mil por mês no conforto de um estúdio blindado, certamente também acharia que o povo no caixa do mercado está apenas reclamando à toa.
A dimensão concreta dessa crise aparece nos dados revelados pelo colunista Lauro Jardim no jornal O Globo. Segundo pesquisa apresentada por sua coluna, o consumo das famílias brasileiras nas classes C e D recua 55% entre os dias 12 e 25 do mês — o chamado "ponto cego da renda". O salário cai na conta no início do mês e desaparece em dias. A mesma pesquisa indica que os gastos saltam 73% nos últimos cinco dias que antecedem o pagamento, impulsionados pela necessidade de recorrer ao cartão de crédito para cobrir alimentos básicos.
A lógica do consumidor mudou porque a inflação real dos alimentos voltou a corroer o orçamento. Se o valor do alimento vai subir na semana seguinte, a única reação racional é gastar o salário no instante em que ele cai na conta. É o retorno do comportamento característico da hiperinflação dos anos 1980 e 1990: a corrida às prateleiras para antecipar o aumento diário de preços.
A farra fiscal do governo Lula cobra seu preço multiplicando a carga tributária sob o pretexto de distribuir pequenos auxílios como Bolsa Família, Pé-de-Meia ou vale-gás. No entanto, o Estado retira muito mais do bolso da população por meio da arrecadação e da ineficiência burocrática. A classe média, que não recebe assistencialismo e sustenta a arrecadação, vê sua renda diluída diariamente.
Vale destacar que a direita nunca foi contra programas assistenciais. Prova disso é que o governo de Jair Bolsonaro aumentou o valor do Bolsa Família para R$ 600,00 (Auxílio Brasil). Criou o Auxilio emergencial durante a pandemia e implementou o 13º salário para os beneficiários. O auxílio a quem mais precisa é fundamental, mas deve funcionar como uma ponte, jamais como uma moradia permanente.
Para que as pessoas conquistem a verdadeira independência, o país precisa oferecer um ambiente econômico seguro e atraente, onde empresas sintam confiança para investir, expandir e gerar empregos reais. Como sintetizou Ronald Reagan, "o melhor programa social é o emprego".
A estratégia da esquerda e de Lula, no entanto, sempre caminhou na direção oposta: ao sufocar o setor produtivo, ver empresas fechar as portas ou migrar para países vizinhos como o Paraguai, o resultado é a multiplicação de cidadãos dependentes do Estado. O problema é que essa conta não fecha. Sem empresas gerando riqueza e pagando impostos, a arrecadação despenca — e, quando o dinheiro da máquina pública inevitavelmente acaba, o castelo de cartas desmorona sobre a cabeça dos próprios beneficiários.
O resultado dessa desarrumação reflete-se diretamente no varejo popular. Grandes redes comerciais estão entrando em colapso. Reportagem do portal Valor Econômico destacou esse movimento ao noticiar que a rede Casas Bahia pediu recuperação judicial, espalhando apreensão entre milhares de trabalhadores. No mesmo sentido, a Gazeta do Povo informou que o grupo Marabraz pediu recuperação judicial de cinco de suas empresas. Embora disputas entre sócios sejam citadas no caso da Marabraz, nenhuma divergência interna destrói um negócio próspero em uma economia verdadeiramente aquecida; em um cenário de recessão velada, qualquer instabilidade resulta em crise.
Enquanto a economia real encolhe e o trabalhador divide a compra do mês em até 6 vezes no cartão, a promessa de taxar os mais ricos revelou-se a ilusão habitual: o grande capital reestrutura seus investimentos ou busca jurisdições mais favoráveis, enquanto a conta tributária final é repassada integralmente ao consumidor final.
Em 2022, quem fez o L optou por ignorar o histórico de condenações por corrupção, as evidências levantadas no processo do Triplex do Guarujá e as provas relativas ao Sítio de Atibaia. Anularam-se as condenações por questões formais, mantendo-se o registro dos fatos apurados nos autos. Ao validar essa escolha na urna, a mensagem enviada foi de tolerância com a irresponsabilidade fiscal a má gestão e a corrupção.
O brasileiro agora colhe as consequências dessa opção. A estrutura de consumo foi severamente abalada sem a necessidade de qualquer crise sanitária global para servir de justificativa. Trata-se de uma crise gerada pela gestão das contas públicas. Se o governo Lula 3 já impõe um padrão de vida degradado ao trabalhador, a perspectiva de continuidade desse modelo fiscal em um eventual mandato futuro representa a liquidação definitiva da estabilidade econômica do país. O arrependimento pode ser doloroso, mas a conta já chegou e está exposta no caixa de cada supermercado.
Sobre a autora
Paula Sousa é historiadora, professora com 8 anos de docência nas áreas de Humanas e pós-graduada em Gestão Pública. Com especializações que vão do Processo Legislativo e Finanças à Inteligência Artificial Generativa, é articulista e roteirista focada em geopolítica, história e socioeconomia — com produções para veículos como o Visão Libertária. É também palestrante e membro do Instituto Cultural Voluntários pelo Brasil (20/8/2026)

