24/05/2026

Lula: Algoz da tempestade perfeita do agronegócio? – Por Paulo Junqueira

Lula: Algoz da tempestade perfeita do agronegócio? – Por Paulo Junqueira

.Lula ignora sinais da tempestade perfeita e intensifica campanha para 2026. Enquanto o agro alertava, o desgoverno ignorava. Agora, o prejuízo bate à nossa porta. Mais uma vez, a falta de diálogo e estratégia de Lula pode custar caro ao País. Foto Blog Revista Veja

 

Nossa dívida bate 80% do PIB e deve subir algo em torno de 10%, ao longo do atual governo. O déficit é crônico, houve um sistemático aumento de impostos e nenhuma reforma crível na estrutura do setor público. Em um estudo recente, os economistas Samuel Pessôa e Fábio Serrano alertam que as vinculações à receita dos pisos da saúde e educação, somados à indexação da seguridade social ao aumento do salário-mínimo no atual governo irão gerar um aumento acumulado de R$ 1,397 trilhão nas despesas federais entre 2027 e 2034. Daria para ir longe nisso.

 

Concordo com Edmar Bacha: somos o País da “mediocridade evitável”. Algo na linha: conhecemos qual é a agenda e como fazer. Mas por alguma razão, hesitamos. Pela lógica que é própria da política e sua estranha racionalidade, mesmo sabendo o caminho a seguir, optamos, sem muito constrangimento, pela agenda da mediocridade. É sobre isto, no fundo, o debate que o País deveria fazer, neste ano triste de 2026” – Fernando Schuller, O Estado de S.Paulo, 24/5/26

Por Paulo Junqueira

A semana que se inicia certamente não nos afastará da acrobacia demonstrada pela mídia ativista e por aqueles que representam a vanguarda do atraso da política e se constituem na elite dos milionários (já não seriam bilionários?) que assaltam diuturnamente os cofres públicos e, a cada centavo desviado impedem a ascensão social da imensa maioria dos brasileiros que vivem da ilusão de que Lula e os partidos que o apoiam representam a contestação ao sistema.

 

Embora mantenham um discurso voltado para a justiça social e a defesa dos menos favorecidos, cientistas políticos apontam que, ao governarem o País, estes partidos tornaram-se parte do próprio establishment, atuando dentro das estruturas institucionais, econômicas e democráticas vigentes.

 

Críticos e analistas políticos observam que o PT comanda o Executivo Federal por mandatos prolongados e possui ampla influência na formação das instituições. Ao longo de suas gestões, o partido tem articulado suas bases com o Congresso Nacional e estabelecido alianças com o mercado financeiro para garantir a governabilidade.

 

Há o argumento de que a narrativa de oposição ao "sistema" é uma estratégia para capturar votos e mobilizar apoiadores, especialmente durante momentos de desgaste político, em vez de uma oposição prática e ideológica ao funcionamento do Estado.

 

Tempestade perfeita

 

O conceito de "tempestade perfeita" no agro tem sido frequentemente utilizado por lideranças e entidades do setor. O primeiro a usá-lo, em artigo assinado no O Estado de S.Paulo, foi o ex-ministro Roberto Rodrigues da Agricultura. Em seguida foi a vez da senadora e também ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina.

Reprodução X

Dias depois o próprio Estadão dedicou um editorial ao mesmo tema. E, em artigo assinado no mesmo jornal neste último sábado (23), a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teresa Vendramini, expôs o cenário de dificuldades que nós, produtores rurais, temos pela frente.

 

As principais frentes que geram tensão entre o Palácio do Planalto e o agronegócio incluem:

 

  • Escalada do Endividamento e Crédito Insuficiente: Produtores enfrentam dificuldades com a queda da rentabilidade e altos custos de produção. Apesar do anúncio de planos vultosos, como o Plano Safra, o setor relata falta de recursos do Tesouro para equalização de juros na ponta, limitando o acesso a linhas de financiamento.

 

  • Tensões Ideológicas e Ausência em Feiras: A ausência recorrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em grandes eventos do setor, como a Agrishow, e declarações de líderes governistas são vistas pelo setor como falta de prestígio, impulsionando um distanciamento político. Lula 3 não visitou nenhuma vez esta que é a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina.

 

  • Custos Globais e Baixas Margens: Fatores como a valorização do dólar, custos elevados de fertilizantes e defensivos importados geram desequilíbrio na tabela de custos.

 

  • Pressões Ambientais e Mercado Externo: A adoção de normas internacionais, como as exigências da União Europeia, traz preocupações ao setor sobre soberania e competitividade.

 

  • Queda nas Commodities: Preços internacionais do milho, soja e outras culturas em baixa, reduzindo drasticamente a rentabilidade e a margem de lucro.

 

  • Ameaça de Insegurança Alimentar: A crise afeta diretamente o fluxo de caixa, ameaçando os investimentos para as próximas safras e gerando alertas sobre o risco de inflação de alimentos.

 

Desafios para o agro do Brasil

 

Em recente artigo publicado no blog CNN Brasil - https://www.brasilagro.com.br/conteudo/agro-por-que-o-brasil-produz-tanto-mas-captura-tao-pouco-valor.html -, a jornalista Fernanda Pressinott destaca que “Brasil comunica mal sua própria potência. Apesar dos avanços em agricultura sustentável, biotecnologia, rastreabilidade e insumos biológicos, a imagem internacional do agro brasileiro continua frequentemente associada ao desmatamento e às crises ambientais.”

 

“Isso não significa que os desafios ambientais não existam. Eles existem e são relevantes. Mas especialistas apontam que o Brasil falhou em construir uma narrativa internacional equilibrada sobre sua capacidade científica e tecnológica no campo.”

 

“Enquanto outros países exportam inovação como estratégia de reputação, o Brasil muitas vezes comunica apenas escala produtiva. O resultado é uma distorção: o País desenvolveu uma das agriculturas tropicais mais avançadas do mundo, mas ainda não consolidou a imagem de potência tecnológica agrícola.”

 

Em outro artigo e publicado no O Estado de S.Paulo - https://www.brasilagro.com.br/conteudo/a-nova-geopolitica-agricola-ja-comecou-por-renata-piazzon.html -, Renata Piazzon que é diretora-geral do Instituto Arapyaú revela que “A revolução tecnológica no campo já começou e vai redefinir quem produz, quem captura valor e quem estabelece as regras das cadeias agrícolas globais.”

 

“O Brasil pode entrar nessa nova economia apenas como fornecedor cada vez mais sofisticado de matéria-prima. Ou pode se tornar parceiro estratégico de uma agenda que combina floresta em pé, agricultura familiar produtiva, inovação digital e segurança climática.”

 

“Em um mundo em que clima, alimento e tecnologia passam a integrar a mesma disputa geopolítica, tamanha ambição parece necessária.”

 

FATOS & PERSPECTIVAS

O vice-presidente Geraldo Alckmin disfarça sorriso enquanto é vaiado por prefeitos, prefeitas e vereadores em evento em Brasília. Foto Reprodução O Globo

·         Marcha dos prefeitos – 1: Depois das vaias a Lula que até hoje ecoam nos gabinetes de Brasília e manifestadas na “Marcha à Brasília” promovidas em 2024 e 2025, os estrategistas do Planalto sugeriram que o chefe do desgoverno não participasse do evento promovido nesta última semana na Capital Federal.

  • Marcha dos prefeitos – 2: Lula então escalou o vice-presidente Geraldo Alckmin (que em dezembro de 2027 afirmou que “depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder, ou seja, ele quer voltar à cena do crime"), e recebeu a maior vaia em sua vida manifestada pelos prefeitos, prefeitas e vereadoras presentes ao evento.

 

  • Marcha dos prefeitos – 3: O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi ovacionado recebendo aplausos e gritos de apoio de prefeitos, vereadores e lideranças municipais durante a sua chegada e ao longo do seu discurso. Em sua fala, ele criticou duramente a gestão do presidente Lula e defendeu propostas de oposição, como alterações trabalhistas.

 

  • Marcha dos prefeitos – 4: Também compareceram ao evento os ex-governadores de Goiás (Ronaldo Caiado - PSD) e Romeu Zema (Minas Gerais - NOVO) além de Renan Santos (MBL) e Augusto Cury (AVANTE). Lula faltou ao evento promovido pela Confederação Nacional de Municípios que reuniu 15 mil participantes,

 

  • Datafolha – 1: A pesquisa divulgada no final de semana pelo Datafolha, traz duas informações estratégicas que, por incrível possa parecer, não sensibiliza e nem encoraja os representantes da mídia e dos analistas ativistas que empenhados em manter narrativa mentirosas contra a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.

 

  • Datafolha – 2: Senão, vejamos: 38% dos eleitores consultados consideram a gestão Lula “ruim ou péssima” e 28% “regular”, ou seja, não a aprovam. A soma entre as duas avaliações alcança 66% enquanto apenas 32% consideram a gestão “boa”.

 

  • Datafolha – 3: Outro dado omitido pela mídia e pelos analistas ativistas: Em março/23, portanto 1º ano de Lula 3, 38% consideravam o governo Lula “ruim ou péssimo”, o mesmo índice obtido em maio/26. Em março/23, 29% achavam o governo Lula “regular” e em maio/26 o número caiu para 28%. Já o “bom e ótimo” era 30% em março/23 e agora é 32%.

 

  • Datafolha – 4: Ou seja, chegando ao final do seu desgoverno, Lula praticamente não acrescentou quase nada quando se comparam as avaliações da sua gestão feitas pelo Datafolha em março/23 e agora em maio 26. Mesmo com os bilhões que têm sido gastos (e não investidos...) na propaganda oficial!

 

  • Estadão: Manchete da edição deste domingo (24) do jornal O Estado de S.Paulo: “Governo Lula dobra gastos e paga R$ 21 mi em anúncios no Instagram e Facebook para divulgar entregas. Postagens citam investimentos em metrô e infraestrutura em SP, BA e CE, abordam fim da escala 6x1, Pé-de-Meia e CNH sem obrigação de aula em autoescola”.

 

  • Combustíveis – 1: Ao participar neste sábado (13) de evento no Guarujá (SP), o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) fez o seguinte questionamento: “Como pode 20% do mercado de combustível ser informal?”

 

  • Combustíveis – 2: Dados oficiais do Instituto Combustível Legal apontam que a evasão fiscal, a adulteração e a informalidade no setor de combustíveis têm aumentado. A sonegação anual superou a marca de R$ 14 bilhões, com perdas totais na cadeia (incluindo fraudes operacionais) ultrapassando R$ 30 bilhões por ano.

 

  • Juros estratosféricos: O ministro Dario Durigan, da Fazenda, em entrevista à CNN Brasil declarou que “os juros no Brasil não são civilizados”. Seria um recado aos diretores do Banco Central “incivilizados” e indicados pelo seu chefe Lula, incluindo aí o presidente Gabriel Galípolo, únicos responsáveis pela manutenção desta taxa dentre as mais altas do planeta?

 

(Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto; 25/5/26)