Lula comandou o “Mastergate” – Por Paula Sousa
A história do Brasil está cheia de reviravoltas, mas nenhuma é tão chocante quanto ver o presidente Lula mudar tanto de lado. O homem que subiu a rampa do Palácio do Planalto dizendo que seria o "pai dos pobres" virou, na verdade, o maior padrinho dos bilionários e dos grandes bancos do país.
Desde 2002, o jeito que o PT governa a economia funciona como uma máquina de inverter prioridades: enquanto a militância bate palmas para discursos sobre ajudar os necessitados, os cofres do governo trabalham para agradar banqueiros e donos de grandes fortunas, como os irmãos Batista.
Ele faz o oposto do que promete: tira dos mais pobres para sustentar e dar benefícios para os seus amigos ricos.
O caso Master é a mistura entre poder político e dinheiro dos bancos, a qual apelidei carinhosamente de “Mastergate”. É uma rede de favores, ajudas com dinheiro público e conselhos absurdos que ligam direto o gabinete do presidente ao Banco Master. Isso não é só um problema comum de empresas.
As descobertas feitas por investigações e pela própria imprensa tradicional — que, mesmo sendo de esquerda, não conseguiu esconder os fatos — provam que o PT está no DNA desse banco. Lula não ficou olhando a crise de longe: ele agiu como o principal conselheiro de Vorcaro e planejou uma ajuda artificial que puxou bancos públicos e até o Banco Central para o meio dessa confusão.
O plano fracassado de culpar Flávio Bolsonaro
Como sempre faz quando aparece um escândalo, a esquerda tentou criar uma distração para enganar o povo. O alvo escolhido foi o senador Flávio Bolsonaro. Parte dos jornais correu para divulgar o vazamento de um áudio onde o senador pedia um patrocínio para Daniel Vorcaro para ajudar a pagar um filme sobre o seu pai. A imprensa militante tentou transformar isso no "fim da linha" para a direita.
Só que essa tentativa de inventar uma culpa nasceu fracassada porque não faz o menor sentido lógico. Flávio Bolsonaro é apenas um senador. Ele não tem a chave do cofre do governo, não manda no dinheiro do Orçamento da União, não libera empréstimos de bancos estatais e não tem poder para controlar o Banco Central.
Um pedido de ajuda financeira privada para um projeto de filme pode até virar discussão política, mas nunca será a mesma coisa que usar o poder do governo para mudar o destino de um banco inteiro.
A pressa em condenar o senador só serviu para mostrar a hipocrisia da esquerda militante, que fica calada quando aparecem bilhões de reais envolvidos com o governo atual. A diferença entre a fofoca contra o Flávio e os fatos contra o Lula ficou clara: de um lado, um senador pedindo patrocínio privado; do outro, o Presidente da República usando o Estado para negociar um banco.
O começo de tudo: R$ 600 milhões para a Biomm
Para entender o Mastergate, a gente precisa seguir o rastro do dinheiro público que o governo do PT mandou para as empresas de Daniel Vorcaro. O ponto central dessa ligação é a Biomm, uma empresa que fabrica insulina. O Banco Master, de Vorcaro, virou um dos principais sócios e investidores dessa fábrica.
Enquanto o mercado financeiro começava a desconfiar que o banco de Vorcaro estava quebrando, o governo de Lula corria para colocar dinheiro na rede de negócios do banqueiro. Jornais como o Diário do Poder, a Gazeta do Povo e o Blog do Daltro Emerenciano mostraram o tamanho dessa ajuda com dinheiro do povo: os contratos e repasses do governo para a empresa ligada ao Master passaram de R$ 600 milhões.
Esse dinheiro público saiu de vários cantos do governo:
- Ministério da Saúde: Fez contratos de R$ 303 milhões para comprar insulina para o SUS.
- FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos): Mandou R$ 203 milhões em recursos de incentivo.
- BNDES e BDMG: Deram mais R$ 130 milhões em empréstimos públicos para a empresa.
A defesa do governo diz que a Biomm entregou os remédios combinados. Mas o grande problema é o risco com o dinheiro dos nossos impostos. O governo colocou centenas de milhões de reais em uma empresa que tinha como sócio principal um banqueiro atolado em problemas financeiros. Quando o Banco Master começou a afundar, a estabilidade da própria fábrica de remédios ficou em perigo, ameaçando queimar todo o dinheiro público colocado lá dentro.
Para piorar a situação e mostrar como o PT adora aparelhar o Estado, o jornalista Cláudio Dantas descobriu uma informação importante: Márcio Pochmann, o presidente do IBGE escolhido por Lula, é também conselheiro da Biomm. Pochmann é conhecido por manipular dados econômicos e as estatísticas para ajudar o governo de Lula. Ele estava instalado em uma dessas "boquinhas" de conselho de empresa, onde a pessoa quase não trabalha e ganha salários enormes, de R$ 100 mil ou R$ 200 mil por mês. Uma mordomia sustentada com o dinheiro que o Ministério da Saúde e o BNDES mandaram para a empresa de Vorcaro.
A reunião secreta: O conselho de Lula que gerou a crise
A parte mais grave do Mastergate não aconteceu no Ministério da Saúde, mas dentro do próprio Palácio do Planalto, no dia 4 de dezembro de 2024. Esse fato foi revelado em reportagens dos portais Poder360 e UOL, com base em mensagens descobertas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
No final de 2024, todo mundo no mercado financeiro já sabia que o Banco Master estava quebrando. Para tentar se salvar, Daniel Vorcaro criou um "Plano B", que era uma solução totalmente privada e sem dinheiro público. Ele combinou de vender o banco para o BTG Pactual, que pertence ao empresário André Esteves.
O plano funcionaria assim: o BTG assumiria o controle e a gestão do Master com a ajuda do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Como o Master estava quebrado e com o patrimônio destruído, o valor da venda seria simbólico: apenas R$ 1. Essa era a saída padrão do mercado: o banqueiro que administrou mal assume o prejuízo, entrega o banco por um valor simbólico para um concorrente mais forte e o problema acaba ali. Ninguém perderia dinheiro, os fundos de pensão ficariam protegidos e nenhum centavo do povo seria usado.
Mas foi nesse momento que Lula entrou na história para salvar o banqueiro bilionário. Querendo evitar que um banco privado ficasse maior e movido por vaidade política, Lula interferiu na negociação. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega — que trabalhava como consultor do Master e ganhava R$ 1 milhão por mês do banco — usou sua amizade com Lula para levar Vorcaro até o gabinete do presidente.
Nessa reunião do dia 4 de dezembro de 2024, Vorcaro contou para Lula o que estava acontecendo: "O BTG quer comprar meu banco por R$ 1. Não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado?". Lula não gostou da ideia. Ele respondeu com vários palavrões contra André Esteves e contra o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
O conselho do presidente foi uma ordem clara para cancelar a venda privada: "Não vende para o BTG. Continue com o banco. Nós não queremos que poucos bancos mandem no Brasil. Eu vou trocar o presidente do Banco Central, vou colocar o Galípolo lá e nós vamos resolver o seu problema."
As mensagens que a Polícia Federal achou no celular de Vorcaro não deixam dúvidas. Logo depois de sair da reunião, o banqueiro mandou uma mensagem para a namorada, Marta Graeca, dizendo que o encontro tinha sido "ótimo" e "muito forte". Ele saiu de lá com a certeza de que o presidente Lula usaria a força do governo para garantir a sobrevivência do Banco Master.
Linha do tempo do caso
- 04 de Dezembro de 2024: Reunião secreta no Palácio do Planalto. Guido Mantega leva o banqueiro Daniel Vorcaro para conversar com Lula. Gabriel Galípolo também participa. Lula manda o banqueiro não vender o Master por R$ 1 ao BTG Pactual e promete usar o Banco Central para ajudar.
- Janeiro de 2025: Gabriel Galípolo cumpre o plano de Lula e assume o comando do Banco Central. A partir daí, as portas da instituição se abrem para os donos do Banco Master.
- 31 de Março de 2025: O Banco Master desiste de vez da venda privada para o BTG. O BRB (Banco de Brasília), que é um banco controlado pelo governo, anuncia uma proposta com valores altos para comprar a operação do Master, usando dinheiro público para fechar o negócio.
- Ao longo do ano de 2025: O governo federal injeta mais de R$ 600 milhões na fábrica de remédios Biomm. O dinheiro sai em massa do Ministério da Saúde, da FINEP e do BNDES para dar fôlego ao grupo econômico de Daniel Vorcaro.
O uso do Banco Central e as reuniões de Gabriel Galípolo
O conselho que Lula deu para o banqueiro não ficou só na conversa. Ele se transformou em ações reais quando aconteceu a mudança no comando do Banco Central. Em janeiro de 2025, Roberto Campos Neto saiu do cargo e Gabriel Galípolo, o homem de confiança do PT, assumiu a presidência da instituição.
A chegada de Galípolo mudou totalmente o tratamento que o Banco Central dava para o Banco Master. Quando Campos Neto era o presidente, a regra era técnica: se um banco privado está com problemas, ele que se resolva com o mercado privado, e por isso ele defendia a venda para o BTG Pactual. Em seis anos de mandato de Campos Neto, houve apenas 24 reuniões oficiais entre o Banco Central e Daniel Vorcaro.
Mas com Galípolo no poder, o Banco Central virou um escritório de atendimento para o Master. Em apenas 11 meses do ano de 2025, Galípolo se reuniu 41 vezes com Daniel Vorcaro. É um número absurdo. O novo presidente do Banco Central teve quase o dobro de encontros com um único banqueiro em menos de um ano do que o antigo presidente teve em seis anos inteiros.
Esse monte de reuniões aconteceu na mesma época em que o plano de venda privada foi cancelado e começaram as negociações com o BRB (Banco de Brasília), que é estatal. Para fazer um banco do governo pagar uma fortuna por uma empresa que o mercado achava que valia R$ 1, começaram as fraudes em documentos e as mentiras nos balanços financeiros que a Polícia Federal descobriu.
Agora, Galípolo foi chamado para depor na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Ele vai ter que explicar se agiu como chefe de um Banco Central independente ou se foi apenas o funcionário que executou a promessa que Lula fez para o banqueiro amigo no Planalto.
O PT e o costume de ignorar escândalos
O caso do Mastergate mostra bem como o PT lida com denúncias de corrupção. O portal de notícias “Diário do Poder” explicou isso perfeitamente: "Escândalo não liquida candidatura; Lula que o diga". O atual presidente transformou o ato de ignorar denúncias em uma estratégia de sobrevivência política.
Em 2005, quando estourou o escândalo do Mensalão — que mostrou o PT comprando deputados com malas de dinheiro e levou o chefe da Casa Civil, José Dirceu, para a cadeia —, todo mundo achava que Lula seria retirado da presidência. Naquela época, os políticos do PSDB cometeram o erro de achar que era melhor "deixar o governo sangrar" até a eleição de 2006, sem pedir o impeachment. O resultado foi que Lula usou uma conversa mole de que era "vítima das elites" e conseguiu se reeleger com folga.
Anos depois, a Operação Lava Jato descobriu o Petrolão, o maior esquema de desvio de dinheiro público da história, com mais de 200 pessoas condenadas. Lula chegou a ficar preso por quase dois anos por corrupção e lavagem de dinheiro. Mesmo assim, após decisões do Supremo Tribunal Federal que anularam os processos, ele voltou ao poder em 2022. Os eleitores que acreditaram que ele era inocente agora assistem ao surgimento de um escândalo ainda pior: o uso do governo para salvar banqueiros ricos.
A farsa do defensor dos pobres
O Mastergate destrói a maior mentira contada pela esquerda militante. Aquela história de que o PT governa contra os barões do dinheiro não passa de propaganda enganosa. Desde o primeiro mandato de Lula, em 2003, os grandes bancos nunca lucraram tanto e os bilionários nunca ganharam tanto espaço dentro do governo.
Enquanto a militância defende o governo nas redes sociais, o presidente da República passa o dia trabalhando como conselheiro de banqueiros, distribuindo cargos em empresas aliadas e usando o Banco Central para garantir que os prejuízos dos ricos sejam pagos com o dinheiro dos impostos dos cidadãos comuns. Lula nunca foi o pai dos pobres. O Mastergate prova que, por trás do discurso popular, ele sempre foi o maior protetor dos banqueiros bilionários. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 19/5/2026)

