Lula trai sua base: “Nunca fui esquerdista” – Por Paula Sousa
O teatro político brasileiro acaba de ganhar o seu capítulo mais constrangedor, e o papel principal pertence ao maior malandro que este País já viu. Se você passou as últimas décadas erguendo o punho esquerdo, usando boné vermelho e defendendo Lula com unhas e dentes sob o pretexto de uma "missão sagrada socialista", prepare o estômago. O seu castelo de cartas desmoronou em um microfone aberto na Europa, e o preço da sua ilusão foi cobrado em praça pública internacional, direto da cúpula do G7.
Durante o evento, o homem que a militância enxerga como a alma da revolução na América Latina resolveu abrir o coração — ou melhor, o script — para os poderosos do capitalismo mundial. Em um áudio de bastidor “vazado” que virou piada, conversando com Kristalina Georgieva, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), e o atual secretário da Alemanha, Friedrich Merz, o presidente soltou a pérola que deveria enterrar de vez o orgulho de qualquer petista.
Como noticiou o jornalista Igor Gadelha, no Metrópoles: "Em conversa no G7, Lula diz que 'nunca foi esquerdista'". É o próprio painho deixando vazar esse diálogo cirúrgico de centavos para se vender ao mercado como o herói da moderação e do centro.
Para quem assistiu de camarote o espetáculo, a cena beira o ridículo. No trecho vazado, o petista começa explicando que governos de direita, como os republicanos nos Estados Unidos, e os conservadores na França, permanecem mais tempo no poder que governos de esquerda. Ele abriu a boca e mandou a seguinte frase: "Nos EUA, os republicanos ficaram mais no governo que os Democratas. Na França, os socialistas também ficaram bem menos tempos governando. O que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade."
Ao ouvir isso, Kristalina Georgieva comentou: "Quando você foi presidente pela primeira vez todos esperavam que você fosse um esquerdista. Mas você não foi, você foi direto pro centro." Foi aí que Lula disparou a traição final: "MAS EU NUNCA FUI ESQUERDISTA". A diretora insistiu: "mas essa era a imagem da época." Mas ele não quis saber e continuou se justificando: "eu era um dirigente sindical com belíssima relação com sindicalismo alemão, muito forte na Alemanha. Tinha uma relação muito forte com o sindicalismo Italiano, uma relação boa com a UGT da Espanha. Eu fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade. Aí eu passei a ser tratado como anti-comunista".
O cinismo é tão profundo que o “Painho” resolveu reescrever o próprio passado para se passar por um moderado e ganhar migalhas de atenção internacional. Ele joga os seus amigos embaixo do trem e finge que o sindicalismo e as suas ligações históricas com a extrema esquerda grevista e com o próprio Getúlio Vargas não são esquerdismo. Para ele, a direita real é extrema direita, e o que ele chama de "meio" é a esquerda dele disfarçada.
O militante que engole esse discurso precisa lidar com uma amnésia coletiva severa. Como explicar que, em um discurso transmitido pela CNN direto do Palácio do Planalto, ele bradava com todas as letras: "Ele nos acusa de comunistas, achando que nós ficamos ofendidos com isso. Nós não ficamos ofendidos. Isso não nos ofende, isso nos orgulha muitas vezes. Significa que cada vez eu vou ficar mais esquerdista, vou ficar mais socialista"?
Como justificar a comemoração calorosa feita em público pela indicação de Flávio Dino, celebrada da seguinte forma: "Vocês não sabem como eu estou feliz hoje pela primeira vez. Na história deste País, nós conseguimos colocar na Suprema Corte um ministro comunista, um companheiro da qualidade do Flávio Dino"?
A verdade nua e crua é que a tinta vermelha do PT desbota magicamente sempre que as urnas ou os jantares de gala exigem. O homem que divide confidências com o Foro de São Paulo e apoia ditadores como Putin é o exato mesmo que, em discurso oficial recente, correu para dizer: "Nós somos o que se chama de comunista nesse País. Eu não sou comunista não, porque eu sou um católico fervoroso. Eu sou mais cristão do que comunista."
Ele jura que reza o terço toda noite. A metamorfose ambulante muda de roupa conforme a plateia do dia: no comício inflamado do MST, ele bota o boné, fecha o punho e finge ser a reencarnação de Karl Marx; diante da cúpula do FMI, ele bota o terno sob medida e vira amigo dos banqueiros e dos bilionários que ele tanto finge combater em público.
Essa encenação no exterior expõe o desespero de quem sabe que as eleições de 2026 estão batendo na porta e que a conta da destruição econômica chegou. O oportunista sabe que o voto da militância cega já não é suficiente. Ele precisa desesperadamente pescar o eleitor indeciso de centro, aquele cidadão que nem acompanha o debate ideológico. Para conquistar esse público, ele não pensa duas vezes antes de dar as costas para a própria história e chamar de otários os esquerdistas que votam nele.
E se a diplomacia de bastidores parecia uma estratégia desenhada, o comportamento real nos corredores revelou a verdadeira face do líder. Ele estava profundamente incomodado porque todo mundo no G7 estava “bajulando” o presidente Donald Trump por puro realismo geopolítico, já que a Europa sabe que não se pode cortar relações com os Estados Unidos. Lula queria que todos batessem no Trump, vivendo em uma fantasia soberana isolada, agindo como uma criança que tenta peitar um campeão de MMA — uma atitude suicida que pode quebrar o Brasil, nos jogando no mesmo buraco de Cuba, Venezuela, Irã e Coreia do Norte.
Para piorar a vergonha internacional, as câmeras captaram um segundo Hotmik. Lula deu um esporro homérico no ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e em um auxiliar, simplesmente porque a comitiva chegou muito cedo ao local da reunião. O diálogo captado expõe a grosseria: "essas coisas que eu fico puto. Só vamos descer quando estiver quase pronta a reunião. Não estava. Não é verdade que estava. Cheguei aqui tinha uma pessoa aqui dentro só." O chanceler Mauro Vieira tentou consertar: "Não, tinha o ministro do Canadá." E o presidente rebateu irritado: "Dois! Tinha dois. Canadá e..." com o auxiliar completando: "A mídia."
A notícia saiu nos jornais e no Broadcast: "Lula diz no G7 que nunca foi esquerdista e que ONU deveria recomendar modelo de votação do Brasil". Mas o que revelou a fúria nos bastidores foi o seu ego inflado. Ele queria chegar por último para que todos os líderes mundiais parassem a reunião para olhar para ele, alimentando a narrativa triunfal para os jornalistas puxa-sacos no Brasil de que ele é um popstar adorado.
Como o plano falhou miseravelmente e ele encontrou a sala vazia, descontou o mau humor nos subordinados com a falta de educação típica de quem não tem liderança e precisa do apoio de amigos do STF, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, para governar enquanto o país assiste a absurdos jurídicos cotidianos.
É um verdadeiro tapa na cara da militância notar que, enquanto os seguidores dedicam a vida a defendê-lo, o próprio líder se desliga do movimento com um sorriso no rosto para arrancar simpatia da elite internacional. Ele usa o povo como massa de manobra e guarda a lealdade real para o metacapitalismo.
Para quem acreditou na utopia socialista, o fundo do poço chegou. Lula provou que a sua única ideologia é se dar bem a qualquer custo, e que mentir para conseguir isso é apenas um detalhe no contrato. O resto é teatro para enganar quem ainda insiste em ser otário (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 18/6/2026)

