Mar de lama junta ativismo judicial, PT & Alcolumbre – Por Ronaldo Knack
Foto Blog iG
“O principal acordão político do momento, feito para favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reeleição, tem como âncora e pivô o ministro Moraes e pelo menos dois de seus colegas dentro do STF.
Tem a participação dos presidentes das Casas Legislativas, eles também preocupados com o envolvimento de seus nomes em escândalos.
A crise não se esgota no que possa acontecer com este ou aquele implicado no escândalo. Ela compromete o funcionamento das instituições e dos poderes da República. Compromete a legitimidade, o respeito a confiança que se deveria ter nelas.
Deixa surgir a assombração de desobediência civil, pois fortalece um forte sentimento subjetivo, que se aprofunda e espalha. O de nojo. Vai tudo depender de como a sociedade reagirá” - William Waack, Blog CNN Brasil, 1/9/26
O ativismo judicial ocorre quando o Poder Judiciário interpreta a Constituição e as leis de forma expansiva, muitas vezes assumindo um papel proativo na criação de políticas públicas ou na definição de rumos políticos e sociais do país. Quando essa prática ultrapassa os limites do equilíbrio democrático, ela pode gerar diversas consequências negativas para o Estado de Direito.
Decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal têm provocado fortes reações dentro e fora do País. Vários ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e autoridades do governo brasileiro tiveram seus vistos de entrada nos Estados Unidos cancelados por decisões do governo norte-americano: Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Também o ex-ministro e ex-presidente do STF Luís Roberto Barroso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet e o advogado-geral da União, Jorge Messias, também foram sancionados e alvos de revogação de visto.
A crise entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem potencial para atingir a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerando riscos de desgaste de imagem e forçando uma mudança de estratégia às vésperas da eleição de outubro.
O estopim da atual crise institucional ocorreu após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal envolvendo o Banco Master, que revelou mensagens vazadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Como resposta imediata, o comando da campanha de Lula e o Palácio do Planalto adotaram uma postura de cautela e forte distanciamento.
O cenário político e eleitoral se divide entre os seguintes impactos e estratégias:
Riscos para a Campanha de Lula
- Proximidade histórica: Analistas políticos apontam que será difícil para o presidente escapar completamente do desgaste político. A forte associação de Lula à figura de Alexandre de Moraes no passado recente — especialmente na defesa das instituições após as eleições de 2022 — é o principal flanco explorado pela oposição.
- Estímulo à oposição: A crise serve de combustível para a base eleitoral do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e pode mobilizar eleitores insatisfeitos ou indecisos a irem às urnas contra o atual governo.
- Ofuscação da agenda positiva: O escândalo explode em um momento em que a campanha governista pretendia focar em pautas econômicas e sociais positivas, como o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1.
A Estratégia de Defesa e Contenção
- Ordem de distanciamento: O QG da campanha orientou Lula a manter silêncio absoluto sobre o caso para evitar contaminação direta na sua imagem. Em reuniões reservadas com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o ministro Gilmar Mendes, Lula demonstrou profunda preocupação com a estabilidade do processo eleitoral.
- Discurso do "ninguém acima da lei": Para blindar a candidatura, aliados e lideranças do PT passaram a adotar uma retórica institucional ampla. O discurso oficial foca em defender que "qualquer pessoa com indícios deve ser investigada", blindando o presidente ao tratar o tema como um problema exclusivo do Judiciário.
- Contra-ataque focado em Flávio Bolsonaro: Setores da campanha buscam redirecionar o foco das investigações. O plano envolve cobrar de André Mendonça o levantamento do sigilo sobre os repasses financeiros de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse (uma produção sobre Jair Bolsonaro), alegando que essa negociação teria contado com a intermediação direta de Flávio Bolsonaro.
Cientistas políticos alertam que, embora o terremoto institucional traga volatilidade, o real impacto numérico nas urnas ainda dependerá dos desdobramentos jurídicos e de novos posicionamentos do plenário do STF nos próximos dias.
STF passa por severa crise institucional

A foto de capa do jornal O Globo de ontem (3) amplamente criticada e descrita por opositores e críticos como um acinte ou "escarro na cara dos brasileiros" é o registro feito pelo fotógrafo Brenno Carvalho.
A imagem captura os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin gargalhando e conversando de forma extremamente descontraída nos corredores da Corte. A foto foi tirada logo após o encerramento de uma sessão plenária, exatamente no momento em que o STF enfrentava um de seus maiores desgastes.
No dia anterior, o ministro André Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. As mensagens citavam diretamente o ministro Alexandre de Moraes e sugeriam uma suposta interlocução próxima e pedidos de intervenção.
A imagem de ministros rindo abertamente em meio a denúncias graves foi interpretada por críticos, internautas e opositores como uma demonstração de deboche, invulnerabilidade e desconexão com a gravidade dos fatos e com a opinião pública.
A atual crise enfrentada pelo STF em 2026 é classificada por juristas, ministros e analistas políticos como uma das mais graves e inéditas de sua história, mas defini-la categoricamente como "a maior de todas" depende da perspectiva histórica. O tribunal já passou por momentos de ruptura extrema no passado, como o fechamento da Corte e a cassação de ministros pela ditadura militar (AI-5 em 1969), episódios que representaram ameaças existenciais diretas à instituição.
No entanto, a turbulência atual — impulsionada pelo Caso Banco Master, que expôs mensagens da Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — difere radicalmente dos conflitos anteriores por um motivo central: ela nasce e se alimenta de dentro da própria Corte.
A gravidade do cenário atual se sustenta em três pilares principais:
- Racha interno inédito: A crise gerou um embate direto e público entre os ministros André Mendonça (que retirou o sigilo do relatório da PF e defendeu o envio do caso ao plenário) e Alexandre de Moraes, quebrando o tradicional alinhamento e o espírito corporativo do tribunal.
- Questionamento da imparcialidade: Ao contrário de crises como o Mensalão, a Lava Jato ou os embates com o governo Bolsonaro — em que o STF era atacado externamente por suas decisões políticas —, o foco agora recai sobre as condutas pessoais, a ética e a suspeição dos próprios magistrados no exercício de suas funções.
- Fusão com o cenário eleitoral: O "terremoto institucional" ocorre em meio à campanha das Eleições Gerais de 2026, sendo amplamente utilizado como combustível político por candidatos de diferentes lados e intensificando a pressão popular por pedidos de impeachment de ministros.
Enquanto os episódios do período da ditadura militar foram agressões externas à sobrevivência física e jurídica do tribunal, o momento atual é visto como a mais profunda crise de legitimidade interna e de confiança pública que o STF já enfrentou desde a redemocratização.
Alcolumbre engaveta pedidos de impeachment de ministros do STF
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, criticou a quantidade expressiva de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e evitou dar seguimento às denúncias por considerá-las fora da normalidade institucional.
Motivos da Decisão de Alcolumbre
- Excesso de pedidos: Alcolumbre apontou que ultrapassar uma centena de solicitações (mais de 100 pedidos acumulados) contra magistrados da Suprema Corte "não é normal", indicando uma banalização do instrumento institucional de afastamento.
- Prerrogativa do cargo: Como presidente do Senado, ele detém a competência exclusiva de avaliar e pautar ou não esse tipo de representação, optando por não abrir processos que possam desestabilizar os Poderes.
- Foco em outras prioridades: O senador tem direcionado a atenção da mesa diretora para pautas econômicas e administrativas e votações de interesse do governo, como medidas provisórias em vigor, em vez de crises com o Judiciário.
- Posicionamento político: Alcolumbre tem argumentado publicamente que as apurações não apresentam fundamentos legais sólidos que justifiquem a abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.
Comemorações do 7 de Setembro podem impulsionar crise

A crise institucional pode ser impulsionada pelas manifestações nesta próxima 2ª feira com as comemorações públicas do 7 de setembro. Uma mega manifestação na Av. Paulista em São Paulo a partir das 15h e também em outras cidades brasileiras pode alimentar a insatisfação popular contra os abusos cometidos pelo ativismo judicial e as sucessivas revelações intermitentes de corrupção ligadas ao desgoverno de Lula.
Em Ribeirão Preto o movimento promete reunir milhares de pessoas com concentração em frente à Recra na Av.9 de Julho.
Há de se levar em conta que as frequentes notícias de grandes operações investigativas dos órgãos competentes (Polícia Federal e Ministério Público) gera impactos profundos na sociedade, na economia e na política. O envolvimento de altas autoridades do entorno do Palácio do Planalto e mesmo do presidente (Vide as denúncias em apuração pela Polícia Federal envolvendo Lulinha filho do chefe do desgoverno) mantém o ambiente político em constante tensão.
A repetição espaçada de escândalos gera uma "anestesia social". O cidadão passa a ver a corrupção como algo sistêmico e inevitável, o que alimenta o desânimo e a desconfiança nas instituições democráticas. Empresas e órgãos governamentais envolvidos enfrentam dificuldades contínuas para reestruturar dívidas, fechar acordos de leniência ou atrair investimentos, pois o mercado teme o surgimento de "novas bombas" a qualquer momento.
(Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do Brasilagro; 4/9/26)

