Master, sonegação e disputa em SP: o pano de fundo da falência da Refit
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Por Victor Irajá
Em maio de 2026, durante encontro na Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu pessoalmente a Donald Trump a extradição de Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit. Ilustração gerada por IA
Investigações contra instituição de Daniel Vorcaro, ligações dos dois casos e disputa entre grupos opostos políticos viraram pano de fundo para aterrar possível “Operação Salva-Refit”.
O escândalo do Banco Master e a exposição pública da classe política, aliados à pressão vinda do Palácio do Planalto, do Ministério da Fazenda e do governo de São Paulo viraram aspectos centrais na consolidação da falência do grupo Refit, de Ricardo Magro, dono da refinaria de Manguinhos.
Segundo apuração do CNN Money, as investigações contra a instituição de Daniel Vorcaro, as ligações dos dois casos e a disputa entre grupos opostos políticos viraram pano de fundo para aterrar uma possível “Operação Salva-Refit”.
Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encaminhados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado apontaram que empresas do Grupo Refit movimentaram R$ 1,4 bilhão rumo ao Banco Master entre final de 2024 e 2025.
Em maio de 2026, durante encontro na Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu pessoalmente a Donald Trump a extradição de Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit. Lula entregou o endereço do empresário em Miami para que ele fosse devolvido ao Brasil.
Dias depois, a Polícia Federal incluiria o nome de Magro na Difusão Vermelha da Interpol.
Meses antes, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, usava a Refit como vitrine para defender no Congresso a aprovação da Lei do Devedor Contumaz. Haddad argumentava que a sonegação estruturada destruía a concorrência.
Apontado por órgãos de fiscalização como o maior devedor contumaz do país, o grupo empresarial de Ricardo Magro acumula débitos federais e estaduais que superam R$ 26 bilhões, com investigações apontando fraudes de até R$ 52 bilhões.
No mesmo movimento, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputava a paternidade da pauta, projetando a ofensiva paulista contra o grupo como modelo nacional de combate à sonegação.
A Câmara aprovaria o projeto do Devedor Contumaz em dezembro de 2025, e a sanção presidencial ocorreu em 8 de janeiro de 2026.
Em março, Haddad deixou o ministério para disputar o governo de São Paulo contra Tarcísio.
Os dois articuladores da tese viraram adversários nas urnas pelo Palácio dos Bandeirantes — enquanto a Refit continuou no alvo.
Nesta segunda-feira (31), a 5ª Vara Empresarial do TJ-RJ decretou a falência das empresas do Grupo Refit — atingindo, ainda, a Refinaria de Manguinhos, entre outras empresas ligadas ao grupo.
Segundo o relatório do Ministério Público do Rio acolhido pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, as operações Cadeia de Carbono e Carbono Oculto, da Receita Federal; a Operação Sem Refino, da Polícia Federal; e a Operação Poço de Lobato, do Ministério Público de São Paulo em parceria com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, além da interdição da empresa pela ANP foram fundamentais para embasar a insolvência do grupo.
Os números da PGE-RJ (Procuradoria-Geral do Estado do Rio) citados no processo ilustram a paralisia: em abril de 2025, a refinaria faturava R$ 1,3 bilhão bruto. Em outubro, despencou para R$ 100 milhões. No primeiro trimestre de 2026, a receita zerou.
"O verdadeiro modelo de negócio empreendido pela Refit e suas empresas coligadas é baseado, intrinsecamente, em atos reiterados de sonegação fiscal e fraude fiscal estruturada", escreveu o magistrado na sentença.
Investigações da PF apontavam que a gestão de Cláudio Castro (PL) teria concedido tratamento favorecido à refinaria — acusações que foram negadas, à época, pela defesa do ex-governador. Com a entrada de Ricardo Couto no governo fluminense, 31 servidores da Fazenda foram exonerados, o registro estadual foi cassado e a PGE havia pedido a falência do grupo em agosto (CNN, 31/8/26)

