O abismo do diesel – Por Paula Sousa

Foto Reprodução Instgram
Enquanto o mundo gira sob a lógica implacável dos mercados, o governo Lula III parece estar preso em um túnel do tempo ideológico, tentando aplicar receitas mofadas de 1867 em uma economia que não perdoa o amadorismo. O cenário atual é alarmante: a importação de diesel no país despencou 60% nos primeiros 17 dias de março. O que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) classifica como "situação de excepcional risco" nada mais é do que o resultado prático do analfabetismo econômico que tomou conta do Palácio do Planalto.
O fantasma de Marx e o preço da ilusão
É fascinante — e trágico — observar como o governo Lula insiste em ignorar as lições básicas de economia. Vivemos em uma era de tecnologia de ponta, mas a mentalidade que governa o setor de combustíveis ainda é a de Karl Marx. A crença de que o Estado pode, no "gogó" ou na canetada, ditar o valor das coisas é uma falácia derrubada há séculos por mentes brilhantes como Ludwig von Mises e Frédéric Bastiat.
Mises já alertava: onde o governo interfere nos preços, o resultado inevitável é a escassez. Se a Petrobras é forçada a segurar o preço "na unha" para manter uma narrativa política, o fornecedor externo simplesmente desvia seus navios. Ninguém vende para quem paga menos que o mercado global. O resultado? O diesel não chega, os estoques secam e o risco de desabastecimento se torna uma realidade palpável para o caminhoneiro e para o cidadão comum.
Mentiras, desculpas e os "Fiscais do Sarney"
Para justificar o fracasso, o governo ressuscita táticas da década de 80. Conforme noticiado pela Folha de S. Paulo e pelo Metrópoles, o Planalto agora orienta seus aliados a adotarem um discurso unificado: a culpa é dos postos, das distribuidoras e da "má-fé" empresarial. É a volta triunfal dos "fiscais do Sarney". Em vez de olhar para a própria incompetência e para a sanha arrecadatória, o governo aponta o dedo para quem está na ponta final, tentando gerir o caos de oferta e demanda.
O atual ministro da Fazenda, Durigan — que substituiu o igualmente inoperante Haddad —, reclama da "falta de compromisso" dos Estados em não baixar o ICMS. Ora, a diferença fundamental é a capacidade de articulação. Enquanto o governo atual chora nos microfones, o governo anterior, de Jair Bolsonaro, agiu com pragmatismo: articulou com o Congresso Nacional, estabeleceu um teto de 18% para o ICMS e cortou impostos federais de forma incisiva. Isso é política econômica real; o que vemos hoje é apenas teatro para militante.
O fim do "diesel barato" e a geopolítica do erro
A situação piorou drasticamente com as recentes mudanças geopolíticas. Segundo a CNN, os Estados Unidos retiraram sanções sobre o combustível russo. O Brasil, que vinha se aproveitando de um diesel "sujo de sangue" comprado com desconto da Rússia, agora se vê desnorteado. Com a Rússia liberada para vender para outros mercados, o desconto acabou. O preço brasileiro agora se alinha ao mercado mundial, que está em alta devido aos conflitos no Irã.
O governo Lula apostou na sorte e perdeu. A tentativa de tabelar preços via Petrobras criou um cenário onde a estatal precisa recorrer a leilões e restringir pedidos de distribuidoras porque, simplesmente, não há produto para todos. É a "mão invisível" de Adam Smith dando um tapa na cara de quem achou que poderia ignorá-la.
"A economia se equilibra sozinha através da oferta e demanda. Tentar intervir é como tentar revogar a lei da gravidade: você pode até pular, mas o chão te espera logo abaixo."
A matemática não mente: O etanol e o consumidor
Até o aumento no preço do etanol é usado como munição de desinformação. O governo finge não entender que, se a gasolina sobe (ou ameaça subir), a demanda pelo etanol flex explode. Mais gente comprando a mesma quantidade de etanol resulta em preços mais altos. É física econômica básica. Mas para o Planalto, é melhor fingir que a "sociedade não percebe que a economia está boa", como afirmou Lula ao Poder360, baseando-se em números criativos do IBGE.
O preço da ideologia
O Brasil não tem um problema de produção de petróleo, mas sim de capacidade de refino e, acima de tudo, de gestão. A dependência de 30% do diesel importado exige um governo que entenda de mercado, e não um que trate o setor produtivo como inimigo.
A receita do sucesso já foi testada: menos imposto, mais liberdade e respeito às leis da economia. O caminho oposto, que estamos trilhando agora, leva diretamente ao desabastecimento e à inflação. O povo brasileiro não é "otário", como o governo parece acreditar; a conta chega na bomba de combustível, e o eleitor sabe exatamente de quem é a autoria do boleto. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 23/3/2026)

