13/03/2026

O crepúsculo analógico: A hemorragia de Lula – Por Paula Sousa

O crepúsculo analógico: A hemorragia de Lula – Por Paula Sousa

Foto Reprodução Blog Gazeta do Povo

 

A recente entrevista de Paulo de Tarso da Cunha Santos, marqueteiro histórico do PT, à BBC News Brasil, é o atestado de óbito de uma estratégia que sobrevive de mofo e ressentimento. Enquanto o Palácio do Planalto insiste em fórmulas de comunicação que remetem ao século passado, a realidade das ruas e a fluidez do mundo digital impõem uma sentença implacável: o lulismo tornou-se um dialeto morto.

 

A estética do mofo vs. A ruptura digital

 

A política, em sua essência, é a disputa por qual "utopia" o povo deseja habitar. Como bem definiu Paulo de Tarso, "o Flávio [Bolsonaro] sintetiza o futuro". Essa afirmação, vinda de quem criou o "Lula Lá", não é uma concessão generosa, mas o reconhecimento de que o atual presidente está encurralado por sua própria obsolescência. Lula é um líder analógico em uma era de redes neurais. Ele opera na lógica da transmissão unidirecional — o palanque, o rádio, a televisão controlada —, enquanto a informação hoje é descentralizada, distribuída e indomável.

 

O contraste é visual e sensorial. O PT ainda tenta vender o Brasil através de uma "prestação de contas" enfadonha, um relatório de obras que, para o cidadão que luta contra a inflação na gôndola do supermercado, soa como ficção. Lula fala para um país que não existe mais, um Brasil que ainda se encantava com jingles gospel e promessas de "picanha" que nunca chegaram ao prato. Flávio Bolsonaro, por outro lado, representa a estética da ruptura. Ele não precisa de 10 minutos de horário eleitoral; ele habita o corte, o algoritmo, a comunicação direta que ignora os filtros da mídia tradicional.

 

O legado de Goebbels e a fábrica de narrativas

 

É impossível analisar o marketing da esquerda sem notar a herança sombria de Joseph Goebbels. A máxima de que "uma mentira contada mil vezes torna-se verdade" foi elevada ao status de política de Estado pelo atual governo. A esquerda brasileira especializou-se na fabricação de fake news sofisticadas e rotulagens agressivas. É a tentativa desesperada de empurrar goela abaixo do povo que qualquer um à direita de Stalin é "fascista, racista ou machista".

 

Esses estigmas, contudo, estão perdendo o verniz. O eleitor moderno, munido de informação em tempo real, já percebeu o truque. Casos fabricados e narrativas distorcidas — como a insistência em vincular a direita a escândalos inexistentes ou a manipulação de falas durante a pandemia — tornaram-se ruído branco. O povo está vacinado contra o terrorismo psicológico da esquerda. A "engenharia de vínculos" que tenta colar crimes em Flávio Bolsonaro sem provas físicas é o último suspiro de um sistema que não tem projeto, apenas alvos.

 

O teto minguante e a solidão do rei

 

A matemática é o carrasco de Lula. Em 2002, ele surfava em 61% de aprovação no segundo turno; hoje, as pesquisas da Quaest citadas pela BBC mostram um teto que mal encosta nos 42%. O que Paulo de Tarso chama de "vontade de seguir o caminho" está desaparecendo. O "povo está cansado da demora que a democracia liberal propõe", diz o marqueteiro. Traduzindo do jargão técnico: o povo cansou de pagar impostos para sustentar uma máquina que entrega ideologia no lugar de segurança e prosperidade.

 

Lula tornou-se um rei nu, isolado em sua torre de marfim, cercado por uma "orquestra desafinada". Sua incapacidade de formar sucessores é patológica. Ele fritou Haddad, escanteou Alckmin e transformou o PT em um culto à personalidade de um homem só. Ao contrário do fenômeno bolsonarista, que provou ser solo fértil para novas lideranças como Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Michele Bolsonaro, Mario Frias, Lucas Bove e tantos outros, o lulismo é um deserto onde nada cresce à sombra do líder. Flávio Bolsonaro emerge não apenas como herdeiro, mas como a evolução natural de um movimento que aprendeu a falar a língua do Brasil produtivo.

 

A Sapucaí e o desespero da exposição

 

O uso obsceno da Marquês de Sapucaí como palanque eleitoral antecipado, com o desfile da Acadêmico de Niterói, é o ápice do desespero. Quando um governo precisa "comprar" enredo de escola de samba para tentar humanizar um líder desgastado, é sinal de que a conexão real com a alma do povo foi rompida. A tentativa de transformar o Carnaval em um comício a céu aberto é uma manobra que beira o ridículo e, pode ser a "isca" para uma saída estratégica: a inelegibilidade proposital.

 

Sentindo o cheiro da derrota nas urnas para Flávio Bolsonaro — o que seria uma humilhação histórica —, Lula parece flertar com o martírio judicial. Tornar-se inelegível por abuso de poder econômico ou político no Carnaval seria a "saída honrosa" para evitar o painel da apuração que confirmaria sua obsolescência. É mais fácil posar de perseguido pelo "sistema" do que admitir que o Brasil de 2026 rejeita o modelo assistencialista de dependência estatal.

 

A informação descentralizada: O fim do monopólio

 

Lula é, em muitos aspectos, um analfabeto digital. Ele não compreende que o controle da narrativa não pertence mais aos grandes conglomerados de mídia que tentam, a todo custo, sustentar sua imagem. O cidadão comum hoje é um produtor de conteúdo. A inflação que o governo tenta esconder nas propagandas bonitas é denunciada no vídeo do trabalhador no supermercado. A insegurança que os ministros negam é transmitida ao vivo por câmeras de segurança em redes sociais.

 

A estratégia lulista de "luta de classes" — o eterno "nós contra eles" — esbarrou na dignidade do brasileiro que quer empreender, que quer menos Estado e mais liberdade. O discurso do "confronto" envelheceu mal. O brasileiro médio não quer um vingador no poder; quer um gestor que entenda que o mundo mudou. Flávio Bolsonaro, com sua postura parlamentar articulada e domínio das ferramentas de comunicação moderna, ocupa exatamente o espaço que Lula deixou vago ao se fechar no rancor de quem acha que o país lhe deve algo.

 

O veredicto das urnas e o fim da era

 

Paulo de Tarso foi profético ao dizer: "Não adianta fazer campanha com prestação de contas do que foi feito, é preciso olhar para o futuro". O problema é que o PT não tem futuro para oferecer. O partido tornou-se uma estrutura de manutenção de privilégios, movida a boletos atrasados e promessas de "colheita" que nunca chega. A única coisa que o governo Lula entrega com pontualidade são novos impostos e taxas de importação que sufocam os mais pobres.

 

O cenário para 2026 é de uma clareza solar. De um lado, o crepúsculo de uma era analógica, marcada pela corrupção estrutural, pelo marketing de Goebbels e pelo distanciamento da realidade. Do outro, a ascensão de uma nova direita que, personificada em Flávio Bolsonaro, entende que a política do século XXI se faz com transparência, agilidade digital e respeito ao Brasil que trabalha.

 

O encanto quebrou. O marketing do passado, por mais caro e profissional que seja, não consegue estancar a hemorragia de um governo que perdeu o pulso do tempo. Lula pode ter o apoio dos tribunais, da mídia militante e das escolas de samba, mas Flávio Bolsonaro tem algo que o dinheiro não compra e o marketing não fabrica: a sintonia com a realidade digital de um povo que, finalmente, aprendeu a ler as entrelinhas da propaganda.

 

O rei está nu, e o futuro não perdoa quem insiste em caminhar de costas. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 13/3/2026)