24/06/2026

O desprezo de Lula pelo Brasil e o próximo teste global – Por Paula Sousa

O desprezo de Lula pelo Brasil e o próximo teste global – Por Paula Sousa

O tabuleiro geopolítico de 2026 resolveu operar sem anestesia. Se a política externa do atual governo federal fosse resumida em uma imagem, seria a de um palanque vazio em Washington. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu o prazo para que o Brasil contestasse o relatório preliminar da Seção 301 — uma ferramenta da legislação comercial norte-americana que recomenda uma paulada de 25% de tarifa sobre os produtos brasileiros.

 

Adivinha quem se inscreveu para defender os produtores, os empregos e os exportadores nacionais na audiência pública do dia 6 de julho? O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. E quem sumiu? O governo Lula inteiro.

 

O Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores, sob as ordens de Lula da Silva, simplesmente ignoraram a convocação oficial. Cruzaram os braços e ficaram assistindo de camarote.

 

Enquanto a gigantesca máquina pública brasileira finge que nada está acontecendo, o esvaziamento diplomático do país em Washington escancara uma hipocrisia de proporções continentais. Em pleno ano eleitoral, a omissão governamental beira o cálculo político rasteiro: nos bastidores, a militância torce pelo "tarifaço" norte-americano para poder usar o desastre financeiro como munição de campanha e culpar a oposição. O truque, no entanto, azedou.

 

O desprezo de Trump e o diagnóstico do USTR

 

A verdade nua e crua é que os Estados Unidos não estão aplicando sanções contra o Brasil por causa de fatores econômicos isolados. O relatório preliminar da Seção 301 é um raio-x do colapso institucional brasileiro. Conforme antecipado pelo jornalista Paulo Figueiredo, os principais pilares da investigação americana apontam diretamente para a insegurança jurídica gerada pela chamada "banda podre" do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

O documento americano cita nominalmente a escalada de ordens judiciais de censura e o sufocamento de plataformas digitais estrangeiras liderados pelo ministro Alexandre de Moraes. Vai além: aponta a destruição dos mecanismos de controle da corrupção, exemplificada pelas decisões de Dias Toffoli que enterraram as provas, multas e sentenças da Operação Lava Jato, renegociando acordos de leniência no sigilo.

 

Coloque nessa conta macabra o desmatamento fora de controle na Amazônia, o escândalo humilhante de Lula usar o peso do Estado para blindar os bilionários amigos da JBS e os interesses da BYD contra denúncias internacionais de trabalho escravo, a conivência escancarada com o avanço de facções criminosas que hoje mandam e desmandam no território nacional, e a tentativa desesperada de estrangular gigantes americanas de cartões de crédito ao erguer barreiras comerciais artificiais contra o próprio Pix.

 

A resposta da Casa Branca e do presidente Donald Trump ao atual mandatário brasileiro flutua entre a irritação e o completo desdém. Em entrevista exclusiva ao portal Axios, Trump foi letal ao ser questionado se era fã do petista:

 

" Não é sobre ser fã, eu não penso nele para ser honesto com você. Eu realmente não penso nele. Eu não poderia me importar menos. Mas ele é um tipo diferente de pessoa agora. Muito volátil."

 

No jargão diplomático, "volátil" significa alguém de duas caras, cuja palavra vale menos que um bilhete de loteria antigo. Para piorar, Trump relembrou os episódios de perseguição estatal e o cerco jurídico promovido contra adversários políticos no território brasileiro. O republicano citou as manobras absurdas de indiciamento e condenação a opositores — confundindo-se ligeiramente nos nomes ao citar um "Bolsonaro Jr.", mas acertando cirurgicamente no alvo: a caçada judicial contra o deputado Eduardo Bolsonaro, que liderava as pesquisas para o Senado por São Paulo.

 

O tabuleiro invertido: A "interferência" revisitada

 

A reação da imprensa alinhada e dos portais de esquerda (como Brasil 247, Fórum e DCM) diante do avanço americano foi um espetáculo de histeria coletiva. Bastou Trump compartilhar em sua rede social, a Truth Social, um artigo do jornalista John Guizzy, publicado no canal Newsmax, para que o pânico se instalasse na capital federal. O texto endossado por Trump afirma com todas as letras que o Brasil virou oficialmente o "próximo grande teste de fogo" na arena internacional e que a eleição de outubro de 2026 será a disputa de maior impacto geopolítico em todo o hemisfério ocidental.

 

O artigo levanta dúvidas legítimas sobre a integridade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro, jogando holofotes sobre se o pleito conduzido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será livre, justo e auditável por todos os lados. Imediatamente, o batalhão de comentaristas da GloboNews entrou em estúdio com voz trêmula e tom de "alerta máximo de segurança nacional", gritando contra a suposta "interferência internacional de Trump nas eleições soberanas".

 

É aí que a lei da gravidade da hipocrisia esquerdista cobra a conta. Eles acusam a oposição de articular com o exterior exatamente porque ajustar a máquina pública e puxar o tapete das regras do jogo é a especialidade histórica da esquerda. Para refrescar as memórias convenientemente curtas da grande mídia, basta lembrar do ministro Luís Roberto Barroso discursando em Nova York, no evento da Lide. O próprio Barroso confessou, de boca cheia e sem nenhum constrangimento, que quando presidia o TSE agiu ativamente para trazer o governo norte-americano para dentro do processo brasileiro:

 

" Eu mesmo, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, estive com o encarregado de negócios americanos. Tive muitas vezes, mas em três vezes, eu pedi declarações dos Estados Unidos de apoio à democracia brasileira, uma delas do próprio Departamento de Estado. E acho que isso teve algum papel, porque os militares brasileiros não gostam de se indispor com os Estados Unidos."

 

Ou seja: quando a esquerda pede ao Departamento de Estado de Joe Biden para pressionar as Forças Armadas brasileiras e chancelar o processo de 2022, chama-se "salvar a democracia". Quando a oposição viaja a Washington para expor relatórios técnicos e quando Donald Trump exige transparência e um pleito justo e equilibrado para 2026, vira "atentado à soberania nacional". É uma piada que já vem pronta.

 

O isolamento e o xeque-mate de Flávio Bolsonaro

 

Para entender a profundidade do buraco econômico e político onde o governo federal se enfiou por pura arrogância ideológica, basta abrir o mapa da América do Sul. O presidente brasileiro conseguiu a proeza de ficar completamente isolado. A região foi varrida por uma imensa onda conservadora de ponta a ponta:

 

Javier Milei na Argentina, Santiago Peña no Paraguai, José Antonio Kast no Chile, avanço de Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colombia.

 

Com a queda e prisão de Nicolás Maduro, a Venezuela virou alvo de monitoramento cirúrgico dos EUA. No continente sul-americano, o atual mandatário brasileiro restou isolado ao lado do refugo autoritário do Foro de São Paulo: a falida Cuba e a opressora Nicarágua — classificados pelo relatório americano como os últimos dinossauros ideológicos e os desafios finais para o ressurgimento conservador na região.

 

Enquanto a diplomacia oficial brasileira se recusa a pisar em Washington para defender os exportadores nacionais do tarifaço, o governo demonstra uma energia invejável para outras agendas. Para tentar salvar os acordos bilionários dos irmãos Batista da J&F (controladores da JBS) ou blindar empreiteiras amigas, a máquina se move na velocidade da luz. Mas para o trabalhador comum? Silêncio total.

 

O movimento de Flávio Bolsonaro ao protocolar sua petição de comparecimento presencial para prestar testemunho oral na Seção 301 — usando o tempo padrão de 5 minutos como senador da República e oponente parlamentar — foi um xeque-mate político impecável. Ele apresentará um relatório técnico minucioso provando que o Pix beneficia investidores e fundos americanos e que o "tarifaço" pune injustamente o produtor brasileiro e o consumidor norte-americano por erros cometidos exclusivamente pelo atual governo e pelo STF.

 

Se as tarifas de 25% forem implementadas, o País inteiro saberá que a culpa foi da inércia deliberada e da lambança institucional do governo federal. Se as tarifas forem revertidas ou suavizadas após a audiência, Flávio e Eduardo Bolsonaro — que têm costurado as alianças internacionais diretamente com Trump, JD Vance e o secretário Marco Rubio — voltarão dos Estados Unidos com o bônus político de terem sido os únicos fiadores e defensores reais do Brasil.

 

O governo atual, isolado e assistindo a tudo pela televisão sem entender uma palavra de inglês, restará apenas recolher os cacos de sua própria incompetência. O vento da história mudou de direção, e a velha imprensa já começou a tremer (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 24/6/2026)