20/02/2026

O samba do adeus: Por que Lula virou um ex-presidente em atividade

O samba do adeus: Por que Lula virou um ex-presidente em atividade

Presidente Lula da Silva. Foto Reuters

 

Por Paula Sousa

 

A conta chegou, e ela não veio no cartão corporativo. O clima em Brasília não é de festa, é de ressaca — daquelas que nem o melhor marqueteiro consegue curar com promessa de picanha. A verdade nua e crua, que os corredores do poder tentam sussurrar, é que o modelo de "Lula Eterno" pifou. Não é apenas uma má fase; é o fim de um ciclo que durou quase duas décadas e esbarrou na barreira mais alta de todas: a realidade do brasileiro que acorda cedo.

 

O mercado deu o veredito: 38% e caindo

 

Esqueça o otimismo forçado das coletivas de imprensa. No mundo onde o dinheiro se movimenta de verdade, o veredito é de UTI. Segundo a ARX Investimentos, a probabilidade de reeleição de Lula hoje é de pífios 38%. Para quem entende de matemática eleitoral, isso é o equivalente a tentar ganhar uma corrida de Fórmula 1 com um pneu furado.

 

Como explicou Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX, no Valor Econômico:

“Quando a avaliação ‘ótimo/bom’ supera a ‘ruim/péssimo’ em cerca de 8 pontos, o modelo sugere que a probabilidade de reeleição é ligeiramente superior a 50%”.

 

O problema? Lula precisaria de um milagre de 10 pontos percentuais de melhora até outubro para chegar ao "talvez". E, convenhamos, com a inflação de alimentos batendo na porta, o milagre está mais para pesadelo.

 

O IBGE diz "saz", o Supermercado diz "guerra"

 

Lula adora se gabar de números. O PIB subiu, o desemprego caiu... diz o papel. Mas o brasileiro não come planilha. A ARX notou uma "desconexão" bizarra: a economia oficial parece linda no gráfico do IBGE (ou no "mapa de cabeça para baixo" do governo), mas o eleitor mediano não sente isso. A inflação real, aquela que arranca o couro no caixa do supermercado, continua acima da meta.

 

O povo cansou do teatro. O Boletim Focus, que ouve quem realmente gere o dinheiro no País, já previu o óbvio: o vento mudou de direção. O desemprego real e o custo de vida estão moendo a popularidade de "Painho". A informação hoje é descentralizada; não adianta mais pautar o Jornal Nacional se a tia do “Zap” mostra a nota fiscal do mercado, provando que o dinheiro sumiu.

 

O “projaquistão” contra o Brasil real

 

O episódio da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí foi o maior "tiro no pé" da história recente do marketing petista. Até a mídia internacional repercutiu o “Rebaixamento de Lula”. Gastaram cerca de R$ 10 milhões — com patrocínios generosos e dinheiro da Embratur — para transformar Lula em um "trunfo sublime" do Carnaval. O resultado? A escola foi rebaixada em último lugar.

 

A militância esquerdista vive numa bolha chamada de "projaquistão": um mundo paralelo onde todos amam o marxismo e acham lindo atacar conservadores, evangélicos e o agronegócio em rede nacional.

Atacam os valores ocidentais, sambando na cara do povo em rede nacional não é só lacração, é muita burrice e desconexão com a realidade.

 

Lula tentou ridicularizar a família tradicional e o agro, o motor do país, mas esqueceu que 86% do Brasil é cristão. O "rebaixamento apoteótico", como descreveu Rodolfo Borges n'O Antagonista, foi a metáfora perfeita: o PT tentou comprar a aclamação popular e recebeu a nota zero do público e dos jurados.

 

Rejeição: O teto de vidro de Lula

 

A grande narrativa da esquerda é que "não existe alternativa". Mentira. Os dados mostram que a rejeição de Lula hoje é um teto de concreto. A vantagem de Flávio é clara: ele tem para onde crescer, enquanto Lula já saturou o País após 18 anos de onipresença.

 

E para quem ainda aposta na "terceira via" salvadora, a realidade é mais simples: nomes como Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr. ainda aparecem insistentemente nas pesquisas. Tarcísio já deixou claro que irá apoiar Flávio Bolsonaro. O cenário para a oposição está pavimentado, enquanto o PT se afoga em um mar de processos por propaganda antecipada e uso indevido de dinheiro público na Sapucaí.

 

O Centrão já está de malas prontas

 

Se você quer descobrir quem realmente vai ganhar uma eleição, esqueça as pesquisas e observe para onde Gilberto Kassab e Ciro Nogueira estão apontando. O Centrão é o termômetro definitivo da sobrevivência política, e o que essa turma viu no Carnaval foi o sinal verde para o desembarque imediato.

 

Enquanto Lula pregava para convertidos no Nordeste, o 'Quarteto Fantástico' do Centrão — composto por Temer, Kassab, Ciro e Marcos Pereira — operava em modo de gestão de risco. Eles perceberam que a rejeição de Lula hoje não é apenas a maior da história, mas também irrecuperável. O movimento das peças já começou: Kassab sinaliza apoio a Flávio Bolsonaro; Marcos Pereira, Universal, não vê espaço para marchar ao lado de quem ataca os valores cristãos; e Zema já se colou ao PL. No fim das contas, Lula ficou sozinho à mesa, segurando uma conta que ninguém mais está disposto a dividir.

 

A estratégia do ‘tapetão’: Perdedores ou perseguidos?

 

Diante da derrota iminente, o PT recorre ao seu manual clássico de ditadores de estimação — de Lenin a Maduro. Como não conseguem vencer no voto e na simpatia, partem para a perseguição, o cancelamento e o "tapetão" jurídico.

 

Existe uma teoria forte nos bastidores: Lula sabe que está politicamente morto. Por isso, força crimes eleitorais escancarados (como o desfile de Niterói) para tentar cavar uma inelegibilidade por "perseguição". Eles preferem a narrativa de "vítimas do sistema" a serem humilhados nas urnas como perdedores irrelevantes. É a tática de quem só chega ao poder através da violência retórica e da censura, já que a “democracia relativa”, aquela do pão e do circo, eles já perderam no primeiro ato.

 

Conclusão: O despertar do eleitor

 

O brasileiro está exausto. São 18 anos de "Lula lá", escândalos de corrupção, impostos abusivos e ataques diretos à fé e à família. A arrogância do PT em achar que poderia moldar a opinião pública através de escolas de samba e números maquiados do governo subestimou a inteligência do povo.

 

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói não foi um mero acidente, mas um aviso — embora, convenhamos, o fracasso já fosse esperado e os milhões em dinheiro público liberados por esse 'zumbi político' devem ter servido de consolo para os envolvidos.

O Brasil real, aquele que reza, planta e paga boletos, já deu sua nota final e ela não foi de dez. Lula pode até insistir em participar da eleição, mas entrará na disputa como aquele convidado inconveniente que ninguém mais quer na festa, mas que se recusa a ir embora. O problema é que, desta vez, o Centrão já apagou as luzes e o eleitor já trancou a porta por dentro.

 

A pergunta agora não é se Lula vai perder, mas quem terá a honra de varrer os restos do petismo do Palácio do Planalto em 2026 (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 20/2/2026)