O tesouraço de meu amigo Flávio – Por Paula Sousa
Ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) -Foto: Divulgação / PSL
E convenhamos, "Meu amigo Flávio" está mais do que certo em dar um basta na "agenda inconsequente de aumento descontrolado de gastos públicos" que, segundo ele, marcou 17 dos últimos 23 anos sob o comando do Partido dos Trabalhadores. Afinal, quem precisa de eficiência quando se pode ter um Estado gigantesco, inflado por privilégios e ineficiências, que, "não apenas não resolve problema nenhum, como atrapalha as soluções do mercado, as soluções dos indivíduos"? É quase poético ver o PT insistir na mesma fórmula fracassada, como se a realidade econômica fosse apenas um detalhe inconveniente.
A herança amarga e os recordes distorcidos
Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, com seu "Posto Ipiranga" Paulo Guedes, entregava um Brasil com superávit e recordes históricos de lucros nas estatais – mesmo atravessando uma pandemia mundial, quebrando todas as "certezas" dos arautos do apocalipse econômico –, a narrativa petista se apega à falácia de que o "governo anterior destruiu o Brasil".
A verdade é que a gestão Bolsonaro-Guedes, para a surpresa de muitos críticos (e para o alívio de quem entende de economia), "realmente cortou gastos", implementou "mecanismos de controle", fez "leilões de concessões, privatizações, reformas estruturantes", como o Marco do Saneamento, que destravou bilhões em investimentos privados. Isso sem falar na redução de impostos como IPI e combustíveis. Um verdadeiro milagre, se pensarmos no histórico brasileiro.
Entretanto, a fé inabalável do PT no 'Estado provedor' ignora que um governo inchado é, por natureza, o maior entrave ao desenvolvimento brasileiro. Eles preferem "ampliar a carga tributária, transferindo a quem paga imposto a conta desse descontrole". E o resultado? Uma das taxas de juros mais altas do mundo, cujo custo para a União ultrapassou a cifra de 1 trilhão neste exercício, como bem destacado.
É o custo da irresponsabilidade fiscal travestida de "justiça social", uma quimera que, na prática, apenas concentra renda e empobrece a população. O artigo de Flávio é cirúrgico ao afirmar que "é matematicamente impossível" um governo, por meio de impostos, distribuir renda. Imposto, meus caros, "é uma concentração de renda tão absurda" que até o mais humilde cidadão, ao comprar uma pinga, contribui para essa máquina estatal de ineficiência e corrupção.
A motosserra hermana e o tesouraço tupiniquim
Nesse cenário, a proposta de Flávio ganha contornos de urgência e, ouso dizer, de um pragmatismo genial. O "tesouraço" é uma versão tropical da "motosserra" que Javier Milei empunha com coragem na Argentina. Enquanto nossos vizinhos, sob a batuta de Milei, enfrentam a dolorosa — porém inevitável — ressaca de décadas de peronismo, eles já começaram a colher os primeiros frutos de uma economia que volta a respirar sem.
Lá, os hermanos entenderam a duras penas que não existe anestesia para uma cirurgia de emergência; entenderam que a liberdade tem um custo e que a conta da gastança sempre chega. A pergunta que fica no ar, pairando como uma nuvem carregada sobre o Planalto, é: o brasileiro médio terá a mesma maturidade? Terá a fibra para entender que a reconstrução do país exige suor e cortes profundos, e não truques de mágica? Afinal, prometer "cervejinha e picanha" para ludibriar a massa é a tarefa mais fácil (e canalha) de um político; difícil é encarar a verdade amarga de que o banquete populista acabou e a cozinha está em ruínas.
"O Brasil continua a se apresentar como país de um futuro que nunca chega", lamenta Flávio, para logo em seguida apontar a solução: um time econômico "altamente técnico, com autonomia plena", aliado a uma base política "disposta ao diálogo". E aqui entra o tempero final: o engajamento da sociedade civil. Afinal, "o Brasil de 2027 só será melhor com reequilíbrio das contas públicas, combate à corrupção, resgate de um ambiente saudável para captação de investimentos, segurança jurídica e redução da carga tributária."
Os “três mosqueteiros da economia” (vazados)
E para colocar esse "tesouraço" em prática, o Metrópoles, através da coluna de Igor Gadelha, já vazou os possíveis nomes que poderiam liderar o Ministério da Fazenda em um eventual governo Flávio em 2027. E que nomes! Roberto Campos Neto, o mago do Banco Central, que entregou um trabalho exemplar e agora é alvo da lama petista por problemas que surgiram bem depois de sua gestão, é o favorito. Mansueto Almeida, o ex-secretário do Tesouro do governo Temer, um craque em gestão. E, como terceira opção, Gustavo Montezano, ex-BNDES de Bolsonaro. Três pesos-pesados, três "Postos Ipiranga" em potencial, que prometem manter a linha liberal e técnica.
O fim das trevas?
Em suma, o cenário é claro: "o Brasil terá que escolher entre dois caminhos, o da prosperidade ou das trevas". O caminho das trevas, sabemos, é o da "continuação desse gasto absurdo do Lula com mais corrupção, com mais coisas absurdas". Já o da prosperidade é o do "tesouraço" de Flávio, da motosserra de Milei, da autonomia de Paulo Guedes e da sanidade econômica que Bolsonaro tentou implantar.
Resta saber se o eleitorado, cansado das promessas vazias e dos escândalos que corroem a nação, estará pronto para abraçar a lâmina afiada da liberdade econômica. Se Flávio Bolsonaro conseguir manter a linha de seu pai, com um time técnico e a coragem de cortar na carne do Estado, talvez, quem sabe, o Brasil finalmente deixe de ser o país do futuro que nunca chega e se torne, de fato, o país do presente próspero. Um brinde ao "tesouraço"! (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 9/2/2026)

