14/07/2026

O tomate subiu 82% e você sofrendo pela seleção? – Por Paula Sousa

O tomate subiu 82% e você sofrendo pela seleção? – Por Paula Sousa

Como é que o brasileiro sobrevive em 2026? Essa é a pergunta de um milhão de dólares — ou melhor, de dois trilhões de reais, que foi o valor astronômico que o governo arrecadou só no primeiro semestre deste ano. Enquanto a maioria da população chora e se descabela porque o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo, o verdadeiro buraco sem fundo da nossa economia passa despercebido.

 

Em 2022, uma parcela do país achou que seria uma excelente ideia colocar um sujeito condenado em três instâncias por corrupção, analfabeto funciona, inapto e inepto na presidência. Pois bem: a conta chegou, e ela não veio escrita na propaganda oficial. Ela veio disfarçada na feira do seu bairro.

 

Vamos aos fatos e aos números, porque dados reais não têm ideologia política.

 

O bolso arrebentado: O preço real da urna

 

Fechamos o primeiro semestre de 2026 com uma inflação acumulada de 3,36%, segundo dados divulgados pelo jornalista Leandro Vieceli na Folha de S.Paulo. É a maior alta para o período desde 2022. O grupo de alimentação e bebidas disparou 4,56%. Mas nada supera o verdadeiro símbolo da nossa ruína atual: o tomate subiu impressionantes 82,41%.

 

Você pode até não comer combustível, mas o óleo diesel que abastece o caminhão que transporta a comida até a sua mesa subiu quase 16% nos primeiros seis meses do ano. A gasolina subiu quase 7%.

 

Como ensinou o economista Milton Friedman, os preços não sobem sozinhos por geração espontânea. Quando o governo gasta muito mais do que arrecada, a inflação é o imposto invisível que pune os mais pobres.

 

A desculpa oficial da gestão petista é a guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro, que desregulou o petróleo mundo afora. Sim, o conflito existe. Mas a guerra é a desculpa, não a causa. A causa real é um modelo econômico frágil e dependente, que deixa o Brasil de joelhos diante de qualquer espirro lá fora e joga o prejuízo direto no carrinho do supermercado.

 

A picanha de vento e o "prato feito" de R$ 32

 

Lembra da promessa de campanha de que o povo ia voltar a comer picanha? Pois a "revolta do carrinho de supermercado" tomou as redes sociais com milhares de brasileiros indignados.

 

Uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Faculdade do Comércio de São Paulo (FCSP), divulgada pela CNN, revelou que até o tradicional “prato feito” (PF) disparou 7% apenas nos primeiros seis meses de 2026, atingindo a média de R$ 31,90. O almoço do trabalhador virou artigo de luxo.

 

E a picanha?

 

  • Em 2021, o quilo da picanha Friboi custava R$ 39,00 e a Maturata custava R$ 49,00.

 

  • Em julho de 2026, a Friboi bateu R$ 69,00 (alta de 77%) e a Maturata alcançou R$ 89,00 (alta de 81%).

 

O seu salário por acaso dobrou de 2021 para cá? Obviamente não. Até a carne moída sumiu do prato de quem trabalha. Enquanto isso, o comércio agoniza. Na Feira Permanente do P Sul, no Distrito Federal, o movimento despencou completamente em relação aos anos anteriores. O "efeito PT" esvaziou os boxes dos trabalhadores.

 

Para piorar, a mordida do Estado é implacável. Em uma compra simples de R$ 277,00 no supermercado, impressionantes R$ 105,49 são apenas impostos (somando o tributo federal e o estadual). Você trabalha quase metade do tempo apenas para sustentar a máquina pública que te empobrece.

 

O apagão no bolso: A luz vai dobrar a inflação

 

Se você acha que não dá para piorar, prepare-se para o reajuste da conta de luz. De acordo com previsões do setor elétrico divulgadas pelo Jornal da Band, as tarifas de energia devem subir entre 5,5% e 8% em 2026.

 

Isso representa praticamente o dobro da inflação média prevista para o país (3,91%). Essa escalada absurda ocorre porque os reservatórios das hidrelétricas estão baixos e o governo precisa acionar usinas termelétricas — uma energia muito mais cara e poluente movida a gás. No final das contas, esse custo é embutido na padaria, no açougue e na indústria, empurrando o preço de tudo para a estratosfera.

 

O truque das estatísticas: Como o IBGE esconde o desastre

 

Como o governo tenta se sustentar diante desse cenário caótico? Controlando a narrativa e maquiando a realidade.

 

A gestão do economista Márcio Pochmann (um conhecido militante petista) à frente do IBGE tem sido alvo de denúncias graves de manipulação de dados, o que gerou até um pedido de afastamento do cargo protocolado no Tribunal de Contas da União pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL). Sob a nova plataforma "IBGE+", o instituto passou a maquiar os índices para blindar o governo:

 

  • No desemprego: O cálculo foi alterado para simplesmente ignorar e excluir da equação cerca de 40 milhões de beneficiários do Bolsa Família que não procuram emprego ativo, reduzindo o índice de desemprego de forma artificial.

 

  • No PIB: Gastos bilionários com assistencialismo estatal são contabilizados falsamente como "geração de riqueza". É o equivalente a você gastar R$ 10 mil no cartão de crédito e anotar na sua planilha mensal que a sua renda aumentou em R$ 10 mil.

 

  • Na inflação e a reduflação: O IBGE ignora deliberadamente a reduflação (shrinkflation). A indústria, espremida pelos custos altos e pela carga tributária, diminui o tamanho das embalagens para não repassar o preço de forma óbvia.

 

Vemos o macarrão cair de 500g para 400g, a esponja de aço (Bombril) murchar de 60g para 45g, e os pacotes de biscoito perderem quase um terço das unidades. O consumidor paga exatamente o mesmo valor por muito menos produto. Como o IBGE de Pochmann calcula a inflação pela unidade e não pelo peso real, os números oficiais parecem controlados, mas a inflação real que corrói o seu bolso é infinitamente maior.

 

O ciclo vicioso da dependência

 

Para sustentar o exército de dependentes do Bolsa Família e garantir votos, o governo aumenta impostos sobre a produção. Esses impostos encarecem o custo das empresas, que diminuem os produtos ou aumentam os preços. O dinheiro do benefício passa a comprar cada vez menos, empobrecendo ainda mais quem depende dele e forçando mais pessoas a entrarem no programa social. É um ciclo vicioso projetado para criar dependência, não produtividade.

 

O governo atual não governa pelo bem comum; governa para vencer a próxima eleição de outubro e garantir a própria sobrevivência no poder. O marketing deles é eficiente e apela para a emoção, enquanto a oposição patina na comunicação. Até decisões externas do presidente Donald Trump viram escudo político para justificar o nosso fracasso interno.

 

O filósofo Voltaire dizia que não podemos culpar as pessoas por serem ignorantes quando o próprio sistema as torna ignorantes. Mas há um limite. Quando os dados estão expostos, quando os preços estão nas gôndolas e o tomate sobe 82%, insistir no erro deixa de ser ignorância e passa a ser cumplicidade.

 

Se o cenário atual ainda parece confortável para você, não se preocupe: o fundo do poço é bem mais embaixo. Olhe para a Venezuela, olhe para Cuba. A conta do estrago de 2022 já está na mesa do seu almoço. Resta saber se você terá condições de pagá-la até outubro.

 

A única saída real para esse hospício econômico é resgatar o modelo que de fato funcionou. É por isso que Flávio Bolsonaro desponta como a única alternativa para dar continuidade à política econômica de Jair Bolsonaro e da brilhante equipe de Paulo Guedes. Essa foi a gestão que provou na prática que menos é mais: cortou inúmeros impostos e reduziu a carga tributária, fazendo com que o governo arrecadasse muito mais ao deixar o mercado respirar.

 

Foi essa mesma equipe que elevou o benefício social de R$ 190 para R$ 600, entregando obras prontas, cortando gastos do governo, tudo isso com responsabilidade, garantindo dignidade sem destruir o poder de compra de quem trabalha. E o mais Importante, sem corrupção.

 

Naquela época, o brasileiro tinha dinheiro no bolso; hoje, não consegue comprar um pão com café sem chorar na boca do caixa. Agora, falando muito sério: você vai mesmo repetir o erro catastrófico de 2022 ou vai finalmente colocar a mão na consciência e confiar nos seus próprios olhos? Milhões de brasileiros já acordaram para o desastre. E você, vai continuar dormindo enquanto eles levam até o seu prato? (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 14/7/2026)