20/03/2026

Óleo de soja ganha espaço, e Brasil produz 12,4 milhões de toneladas

Óleo de soja ganha espaço, e Brasil produz 12,4 milhões de toneladas

Consumidora pega garrafa de óleo de soja de prateleira - Getty Images via BBC News Brasil

 

  • Além do consumo alimentar, produto tem demanda em programa de energia renovável
  • Produção mundial soma 71 milhões de toneladas, com liderança de China, EUA e Brasil

 

O óleo de soja entrou na lista dos produtos procurados nesse período de conflitos geopolíticos. O Brasil deverá produzir 12,4 milhões de toneladas neste ano, devido à maior oferta de soja e ao consequente aumento do processamento, segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

 

Dados revisados pela associação nesta quinta-feira (19) indicam uma produção de soja de 178 milhões de toneladas e um processamento recorde de 61,5 milhões da oleaginosa. O óleo de soja já vinha com aumento de procura, devido a implementações de programas de biodiesel misturado ao diesel em vários países. Além disso, a utilização de outros derivados vegetais em combustível renovável, como o óleo de palma, eleva a disputa no mercado pelos demais óleos.

 

A produção brasileira de óleo de soja é praticamente destinada ao consumo interno, que é de 11 milhões de toneladas. Existe demanda externa para o produto brasileiro, principalmente por parte da Índia, a maior importadora de óleo vegetal no mundo, mas a irregularidade das compras indianas não dá garantia de mercado ao produto brasileiro.

 

A Índia importa 16,5 milhões de toneladas de óleo vegetal por ano, mas sempre está em busca do produto mais barato, que pode ser o óleo de palma, de colza, de girassol etc. Além dos indianos, que compram 4,25 milhões de toneladas de óleo de soja, os canadenses se tornaram importantes participantes desse mercado.

 

Com um programa de redução de gases de efeito estufa, o país passou a comprar mais óleo de soja, principalmente da Argentina, e já é o segundo maior importador mundial. Bangladesh e União Europeia complementam a lista dos principais importadores.

 

O Brasil, que teve um aumento da demanda com o reajuste da mistura de biodiesel ao diesel, tem expectativas de uma elevação maior no consumo do óleo de soja na próxima alteração do percentual da mistura. Associações ligadas ao agronegócio pedem um aumento dessa mistura para 17%.

 

Os Estados Unidos desenvolvem um programa robusto de utilização de óleo na mistura com combustível fóssil. Ainda em discussão, se efetivado o plano vai elevar em muito o processamento de soja e a produção de óleo no país.

 

A Indonésia tem mistura de biodiesel de óleo de palma de 40% ao diesel. Esse patamar reduz a oferta mundial desse óleo no mercado mundial, dando espaço a outros.

 

A procura por óleo de soja é importante em um período de safras recordes. A produção mundial de 2025/26 deverá atingir 427 milhões de toneladas, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Deste volume, 42% sairão do Brasil.

 

As exportações brasileiras do complexo soja (grãos, farelo e óleo) devem somar US$ 58,2 bilhões neste ano, acima do valor de 2025, mas inferior ao de 2023, quando o setor arrecadou US$ 67,3 bilhões. As exportações com grãos devem render US$ 49,1 bilhões; as com farelo, US$ 7,5 bilhões, e as com óleo, US$ 1,6 bilhão.

 

Cuidado com... 

 

Investigação dos Estados Unidos com base na Section 301 pode ampliar o exame minucioso sobre cadeias produtivas brasileiras com maior exposição de setores como os de carne bovina, café, cacau e açaí. O foco recai sobre trabalho infantil, condições análogas à escravidão e falhas de rastreabilidade. O principal impacto deve ser o aumento das exigências de compliance e possível reorganização das cadeias globais, afirma Carol Monteiro, especialista em comércio internacional do escritório Monteiro & Weiss Trade.

...a investigação 301
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investigação soa o alerta para exportadores brasileiros de commodities. A medida mira falhas no combate ao trabalho forçado e pode gerar impactos indiretos nas cadeias globais, e empresas internacionais tendem a endurecer exigências de rastreabilidade e compliance. Na prática, há risco de substituição de fornecedores brasileiros por alternativas consideradas mais seguras, afirma a especialista (Folha, 20/3/26)