10/06/2026

Pedaladas de novo: O preço do L no seu bolso – Por Paula Sousa

Pedaladas de novo: O preço do L no seu bolso – Por Paula Sousa

Dizem que errar é humano, mas insistir no erro com o dinheiro dos outros é especialidade de quem comanda Brasília hoje. Se você pegar o roteiro político e econômico do Brasil atual, vai perceber que a história não está apenas se repetindo; ela está sendo refilmada com um orçamento muito mais caro e efeitos visuais bem piores. Há uma tentativa desesperada de vender um país de fantasia nas telas de TV e nas manchetes de jornais, mas o brasileiro médio que vai ao supermercado e tenta fechar as contas no fim do mês já percebeu que o filme da realidade é de puro terror.

 

O teatro das pesquisas e a fábrica de ilusões

 

Existe um abismo intransponível entre o Brasil das redações de jornais e o Brasil real. Para quem assiste ao noticiário tradicional, o cenário político parece consolidado: a oposição estaria derretendo e a candidatura de Flávio Bolsonaro seria como uma represa rachando, prestes a romper a qualquer segundo. Colunistas badalados da imprensa, como Lauro Jardim n’O Globo, passam os dias profetizando o fim iminente da direita, enquanto analistas como Thomas Traumann decretam que o candidato não conseguiria sequer chegar ao fim da Copa do Mundo mantendo o fôlego político.

 

O grande problema para os engenheiros dessa narrativa é que o povo desenvolveu anticorpos contra o alarmismo midiático. Toda semana surge um novo escândalo fabricado para tentar destruir a viabilidade da oposição: ora são histórias sobre joias, ora acusações requentadas exploradas pelo The Intercept, ou até picuinhas burocráticas que, na prática, não mudam um único centavo no preço do arroz.

 

A grande imprensa tenta criar um clima de "já ganhou" para a esquerda, usando a mesma estratégia do pleito de 2022. Naquela época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sufocou o tempo de TV de Jair Bolsonaro no segundo turno, e institutos tradicionais como Datafolha e Ipec juravam de pés juntos que a esquerda venceria com 10 a 14 pontos de vantagem. No final, a diferença sumiu na margem de erro real e a eleição foi decidida por apenas 1%.

 

Hoje, o desespero do consórcio de comunicação é ver que o mesmo truque flopou. O portal G1 correu para destacar que o Ministro Kassio Nunes Marques suspendeu uma pesquisa tendenciosa que usava áudios fora de contexto do caso Vorcaro para forçar uma queda artificial nos números de Flávio Bolsonaro. Logo em seguida, a Revista Oeste jogou água no chopp da esquerda ao revelar que a própria delação de Vorcaro (no caso Dark Horse) descartou qualquer irregularidade.

 

O castelo de cartas desmoronou. Os institutos que antes inflavam os números governistas agora precisam admitir a realidade: a pesquisa da GERP, divulgada pela Exame e repercutida pelo Conexão Política, apontou que no segundo turno Flávio Bolsonaro aparece na frente de Lula, abrindo uma vantagem de 48% contra 45%.

 

A tal "represa" que a mídia torce para ver desabar continua de pé, firme e acumulando água.

 

A resiliência que a elite não consegue explicar

 

O maior erro da esquerda e dos setores da elite financeira — a turma da Faria Lima e da "isentosfera" que resolveu apoiar o atual governo sob a desculpa esfarrapada de "salvar as instituições" — foi achar que o bolsonarismo era um fenômeno artificial de cima para baixo, como é o PT e como era o velho PSDB. Eles acreditaram piamente que, ao afastar o principal líder da máquina pública ou ao carimbá-lo com inelegibilidade criativa, a base de apoio sumiria por encanto.

 

Quebraram a cara. Pela primeira vez na história recente do País, o movimento político é de baixo para cima. É orgânico e teimoso. O plano de isolar a oposição e prender Jair Bolsonaro naufragou porque o eleitorado compreendeu o jogo de rejeições. Há um pragmatismo claro nas ruas. Nem mesmo as pressões externas ou o suposto impacto do novo tarifaço de Donald Trump (que nem sequer foi imposto) conseguem abalar essa estrutura.

 

Afinal, o cenário internacional desenha um xeque-mate óbvio para o bolso do brasileiro: os Estados Unidos tendem a adiar ou aliviar taxas se o País escolher uma liderança aberta ao livre mercado, enquanto a atual gestão foca em viajar o mundo — como as agendas de Lula na França para reuniões do G7 — tentando colher uma influência diplomática que não se reverte em melhorias práticas para os exportadores nacionais.

 

O reprise das pedaladas: O bolso do cidadão não esquece

 

Mas se as narrativas falham e a oposição continua crescendo, qual é a cartada final de quem está no poder? A resposta é velha, carimbada e perigosa: abrir os cofres públicos e gastar como se não houvesse amanhã. Uma contundente matéria do Estadão escancarou a verdade incômoda: Lula está quebrando o Brasil para tentar se reeleger, utilizando truques contábeis idênticos às malfadadas pedaladas fiscais que derrubaram Dilma Rousseff em 2014.

 

Para tentar levantar uma popularidade que insiste em cair, o governo federal patrocina uma enxurrada de bondades eleitorais. Um relatório minucioso do economista Marcos Mendes, emitido pela XP Investimentos, levantou o que ninguém tinha paciência de somar: apenas neste ano, foram acionadas 33 medidas diferentes que somam a incrível marca de 215 bilhões de reais em aumento de despesas ou redução de receitas. Para se ter uma ideia do absurdo, esse estouro é muito maior do que a polêmica PEC da Gastança aprovada na transição de governo.

 

O modus operandi atual é puro malabarismo fiscal para sustentar uma ficção chamada Novo Arcabouço Fiscal. O governo se recusa a cortar privilégios e gastar menos do que arrecada, então recorre a três truques clássicos:

 

  • Créditos Extraordinários: Gastos tratorados por fora das metas oficiais sob qualquer pretexto de emergência.

 

  • Uso de Fundos Públicos Esquecidos: Limpa-se o fundo do tacho de dinheiro esquecido por correntistas (como os recursos do Fundo Garantidor de Operações) para turbinar programas como o "Desenrola".

 

  • Linhas de Crédito Subsidiadas: Recursos maquiados através de bancos públicos que não arranham o indicador de despesa primária, mas explodem a dívida pública geral e enriquecem os banqueiros de sempre.

 

O problema de brincar com as leis da economia é que a realidade não aceita desaforo. Você pode inventar a regra contábil que quiser, mas gasto desenfreado gera inflação. E para conter a inflação gerada pela irresponsabilidade do próprio governo, o Banco Central é obrigado a manter os juros estratosféricos, dificultando até a venda de títulos do Tesouro Direto.

 

E quem paga o pato? O trabalhador. Dados publicados pelo jornalista Claudio Dantas revelam que, segundo o PoderData, 63% da população já avalia que os programas assistenciais de Lula ajudam "pouco" ou "nada" a reduzir as dívidas das famílias. O eleitorado que esperava um milagre econômico recebeu frustração burocrática.

 

Para piorar, uma reportagem da revista Veja trouxe o tiro de misericórdia eleitoral: a comida está cada vez mais cara. O preço dos alimentos básicos subiu quase 4% em poucos meses nas grandes metrópoles — o dobro da inflação geral do período. O populismo econômico virou um bumerangue que bateu direto na testa da base mais pobre do país, que gasta o almoço para pagar o preço do desastre fiscal.

 

O voto que vai decidir os próximos 20 anos

 

A mentalidade que rege Brasília hoje é aquela velha máxima do político egoísta: "Quebro o banco, mas elejo o meu sucessor". O governante que fica apenas alguns anos no poder tem todo o incentivo do mundo para torrar os recursos do futuro, colher os aplausos imediatos e deixar a conta bilionária para quem vier depois. É uma lógica perversa que faz o Brasil flertar novamente com o caos econômico e a hiperinflação que os economistas liberais, seguindo a lógica clássica de Ludwig von Mises, sempre avisaram ser o resultado inevitável do controle estatal e do sufocamento do livre mercado.

 

A eleição que se aproxima não é apenas mais uma disputa paroquial entre partidos políticos; é uma escolha civilizatória sobre qual modelo de país nós queremos para as próximas décadas.

 

De um lado, temos o projeto da gastança, dos truques contábeis, do assistencialismo que frustra e da inflação que engole o salário no caixa do supermercado. Um modelo que rejeita a realidade fiscal e prefere a maquiagem dos números.

 

Do outro, temos a oportunidade de retomar o caminho da responsabilidade, das reformas e da liberdade para quem trabalha e produz.

A pesquisa da GERP, que também apontou que 52% dos brasileiros desaprovam a atual gestão, mostra que o eleitor já entendeu que fazer o sinal de "L" custou caro demais para o bolso. O próximo passo é transformar a indignação silenciosa que se vê nas prateleiras dos supermercados em um basta definitivo nas urnas.

 

O Brasil tem pressa para voltar a crescer de verdade, e a força política de Flávio Bolsonaro surge como a única liderança capaz de sepultar essa farra fiscal e colocar o país nos trilhos da prosperidade de novo. O povo já entendeu, é Flávio Bolsonaro e ponto final (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 10/6/2026)