Petrobras retoma, com US$ 1 bi, obra de fábrica de fertilizantes em MS
Com obras paralisadas desde 2015, a UFN-III chegou a ser alvo de um acordo de venda para uma empresa russa, em 2022, mas a operação foi abortada pela guerra com a Ucrânia. Foto Ministério do Planejamento/Divulgação
Projeto estava paralisado desde 2015, em meio à crise do segundo mandato de Dilma; a UFN-III faz parte da estratégia da companhia de voltar ao mercado de fertilizantes, retomada em 2023.
A Petrobras anunciou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, um projeto que estava paralisado desde 2015. O investimento estimado para a conclusão da unidade é de cerca de US$ 1 bilhão (por volta de R$ 5 bilhões, ao câmbio desta segunda-feira, 13), com previsão de início das operações em 2029.
A UFN-III faz parte da estratégia da companhia de voltar ao mercado de fertilizantes, retomada em 2023, com o objetivo de ampliar o uso do gás natural e reduzir a dependência brasileira de importações no setor.
A decisão foi aprovada pelo conselho de administração e integra o Plano de Negócios 2026-2030 da companhia. Segundo a estatal, a reavaliação do projeto confirmou a sua viabilidade econômica, com Valor Presente Líquido (VPL) positivo em todos os cenários analisados.
A Petrobras informou ainda que já concluiu as etapas internas de aprovação e deve avançar agora para a fase final de contratação, com expectativa de retomada das obras ainda no primeiro semestre de 2026.
A Unidade começou a ser construída em 2011, quando a estatal tinha política expansionista. Com a crise econômica e política no segundo mandato de Dilma Rousseff, a obra foi interrompida em 2015, quando estava 80% pronta.
Com as obras paradas, a unidade entrou na lista de desinvestimentos da Petrobras. Uma tentativa de venda foi frustrada em 2019.
Solução russa
Em 4 de fevereiro de 2022, foi anunciada a venda para a empresa russa Acron. A assinatura do contrato dependia só do aval da área de governança da petrolífera, mas a guerra na Ucrânia, iniciada 20 dias depois, com a invasão do país pela Rússia, abortou a operação.
À época, o governo de Mato Grosso do Sul informou que a Petrobras havia gastado mais de R$ 3 bilhões para construir a fábrica. Parte desse dinheiro se perdeu com a deterioração dos equipamentos ao longo dos anos, desde a suspensão da obra.
Qual é a capacidade prevista?
Conforme o planejado, quando concluída, a unidade terá capacidade para produzir cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia. A produção será direcionada principalmente para Estados do Centro-Oeste e do Sudeste, regiões de forte demanda do agronegócio.
A companhia destaca que o projeto utiliza tecnologias de alta eficiência e está localizado próximo a grandes centros consumidores, o que deve aumentar a competitividade logística e a confiabilidade do abastecimento nacional de fertilizantes (Estadão, 14/4/26)

