13/04/2026

Plano Safra ainda tem 62% de crédito rural equalizado para agro empresarial

Plano Safra ainda tem 62% de crédito rural equalizado para agro empresarial

 

Ainda estão disponíveis aproximadamente R$ 70 bilhões em linhas de crédito com taxas de juros subvencionadas pelo governo — Foto: Getty Images

 

Em nove meses de safra 2025/26, o governo desembolsou apenas R$ 43,4 bilhões.

 

Plano Safra 2025/26 ainda dispõe de aproximadamente R$ 70 bilhões em linhas de crédito equalizadas — ou seja, com taxas de juros subvencionadas pelo governo — disponíveis para contratação por médios e grandes produtores rurais, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (10/4) pela pasta.

 

Em nove meses de safra 2025/26 — julho de 2025 a março de 2026 —, o governo desembolsou apenas R$ 43,4 bilhões em crédito rural equalizado, 38% do total de R$ 113,4 bilhões programado para toda a temporada.

 

O dado vem em linha com o total desembolsado em nove meses de Plano Safra 2025/26 para a agricultura empresarial, que ficou 13% abaixo do contabilizado no mesmo período da safra 2024/25, quando se consideram somente as linhas oficiais de crédito, sem as Cédulas de Produto Rural (CPR), refletindo o atual quadro de restrição de crédito e a cautela de produtores em contrair mais dívidas a taxas de juros elevadas.

 

Apesar de ser o financiamento "mais barato" e contar com a subvenção direta da União, o montante está empoçado nas instituições financeiras, cada vez mais avessas ao risco da inadimplência. Essa é a avaliação de Rogério Boueri, consultor da Sapeba Agroambiental e ex-secretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais do Ministério da Fazenda.

 

"Na minha visão, as instituições financeiras estão apertando as avaliações de crédito em virtude do alto nível de inadimplência e de recuperações judiciais no setor. Isso está dificultando as concessões", disse. "Pode ser que as instituições prefiram enfrentar os problemas que poderão ter com o Banco Central do que perder recursos por inadimplência", completou.

 

Bancos e cooperativas de crédito que não aplicam totalmente os recursos, oriundos das exigibilidades, precisam pagar um custo financeiro ao fim da temporada e podem enfrentar sanções administrativas pelo descumprimento. Há, no entanto, a avaliação de que o Banco Central pode ser mais flexível para não aumentar a crise no ambiente financeiro rural.

 

Do crédito de custeio equalizado para médios e grandes produtores, foram concedidos até março R$ 24,7 bilhões, de um total de R$ 63 bilhões programados, restando portanto um saldo equivalente a 61% do total.

 

No caso de linhas de investimento com recursos equalizáveis para a agricultura empresarial, o governo concedeu R$ 18,4 bilhões de um total de R$ 49,5 bilhões programados para a temporada. Há disponível, portanto, 63% do total.

 

Quanto aos recursos equalizáveis para comercialização, foram concedidos R$ 307 milhões de R$ 845 milhões programados, restando ainda um saldo de 64%, conforme o boletim divulgado pelo Ministério da Agricultura.

 

Considerando os desembolsos de linhas oficiais mais o crédito concedido via CPRs para a agricultura empresarial, o montante no acumulado da safra somou R$ 386,9 bilhões, 5% acima do contabilizado um ano atrás. Já o total contratado no período (incluindo recursos ainda não liberados) soma R$ 404 bilhões, incremento anual de 10%, conforme o boletim divulgado pelo Ministério da Agricultura (Globo Rural, 10/4/26)

 



Desembolso de crédito para agricultura empresarial caiu 13% no acumulado de 2025/26

Considerando os desembolsos por linhas oficiais, sem incluir CPRs, verifica-se queda dos valores em todas as regiões do país — Foto Secom-MT  Divulgação

 

O número de contratos também recuou nos nove meses da safra atual.

 

O desembolso de crédito rural por linhas oficiais do Plano Safra da agricultura empresarial caiu 13% nos nove meses da temporada 2025/26 — de julho do ano passado a março deste ano — em relação ao mesmo período do ciclo anterior. O total liberado até março somou R$ 203,8 bilhões. Um ano antes, havia chegado a R$ 235,1 bilhões. Os dados são do Boletim do Crédito Rural elaborado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, com base em dados do Banco Central.

 

O número de contratos também recuou nos nove meses da safra atual (-26%), para 283.043. Já a concessão de empréstimos com a emissão de Cédulas de Produto Rural (CPR) cresceu 38% no mesmo intervalo, para R$ 183,1 bilhões. Somadas as concessões via CPR e linhas tradicionais, o desembolso total chegou a quase R$ 387 bilhões, alta de 5% em comparação ao contabilizado no intervalo correspondente de 2024/25.

 

Considerando os desembolsos por linhas oficiais, sem incluir CPRs, verifica-se queda dos valores em todas as regiões do país e, de forma mais acentuada, no Nordeste, onde o total diminuiu 30%, e Norte, onde caiu 20%.

 

Dos desembolsos totais de linhas oficiais, R$ 114,3 bilhões foram para custeio, queda de 15% na comparação anual. Quando se soma o custeio oficial ao crédito de CPRs para custeio, o total chega a R$ 297,4 bilhões, incremento anual de 11%, segundo o ministério.

 

Para investimentos, o Ministério da Agricultura contabilizou R$ 37,6 bilhões em desembolsos, recuo de 30%; comercialização, R$ 25,5 bilhões (-16%) e para industrialização, R$ 26,4 bilhões, incremento de 64%.

 

Os dados compilados pelo Ministério também mostram uma queda das contratações e desembolsos de quase todas as linhas de investimento, com exceção da Prodecoop, que cresceu 20%. Os recursos contratados pelo Moderfrota, principal linha de financiamento de máquinas agrícolas, foram 47% inferiores ao apurado nos nove meses de 2024/25. Também houve queda expressiva nos volumes do Proirriga, de 46% na mesma base de comparação.

 

A queda nos investimentos, segundo a pasta, mostra a “cautela do setor com as taxas de juros atuais, dentro de uma perspectiva de queda da Selic em cerca de 2 pontos percentuais no fim de 2026”.

 

A queda no número de contratos não se restringiu às operações de crédito rural oficial. Houve redução inclusive nos de CPRs, de 16%, para 125.310 contratos (Globo Rural, 10/4/26)