10/02/2026

Política de Trump derruba dólar e reduz preço dos alimentos

Política de Trump derruba dólar e reduz preço dos alimentos

 

·        Para FAO, carnes, lácteos e açúcar são os que mais caem; cereais e óleos sobem

·        Clima melhor e produção recorde de vários produtos garantem oferta confortável

Os alimentos começaram o ano em queda no mercado internacional, e o Brasil coopera para essa redução externa. Segundo a FAO (Organização da Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), janeiro foi um período de quedas para carnes, lácteos e açúcar, produtos que compensaram as altas de cereais e óleos vegetais. O índice médio dos preços apurados pela FAO teve redução de 0,32% em relação a dezembro e de 0,64% em 12 meses. É a quinta queda seguida.

Essa retração externa dos preços reflete uma produção maior na agropecuária mundial, uma oferta mais confortável, estoques melhores e uma ajuda do dólar, que, devido à política do governo Donald Trump, está em queda. O mercado nacional influencia os rumos do externo. Dos 10 principais produtos acompanhados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), 8 tiveram queda de preços no campo em janeiro.

A retração dos preços pagos ao produtor se reflete também no bolso do consumidor. No mês passado, a inflação dos alimentos ficou em 0,11% em São Paulo, acumulando apenas 1,72% em 12 meses, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Pelos dados da FAO, o preço dos cereais ficou praticamente estável em relação a dezembro, mas caíram 4,4% em comparação aos de janeiro do ano passado.

Exportações da Austrália e do Canadá derrubaram os preços do trigo, mas há uma preocupação com eventuais problemas climáticos nos Estados Unidos e na Rússia. As perspectivas de safra de 28 milhões de toneladas na Argentina e estoques mundiais elevados inibem correção de preços do cereal. No Brasil, a tonelada de trigo caiu 17% em 12 meses.

O milho está com queda média de 0,2% no mercado internacional, conforme os dados da FAO divulgados na sexta-feira (6). Embora os preços estejam em queda, devido às perspectivas de boa safra mundial, há indefinições ainda com o clima nas lavouras do Brasil e da Argentina. O cereal iniciou 2026 com redução de 10% em relação aos preços de janeiro no mercado brasileiro, segundo o Cepea.

O arroz, com demanda mais forte, teve uma recuperação de preços de 1,8% em janeiro em relação a dezembro. Índia e Bangladesh devem pôr mais cereal no mercado, mas Vietnã e Filipinas passam por instabilidade climática em algumas regiões. No Brasil, os preços atuais são 45% inferiores aos de há um ano no campo, segundo o Cepea, e o consumidor paga 26% a menos pelo cereal no mesmo período, conforme a Fipe.

A soja, com produção mundial recorde de 430 milhões de toneladas, na avaliação do Amis (Sistema de Informação de Mercado Agrícola), tem preços estáveis. O aumento recorde de produção no Brasil impede novas altas, mas ainda há incertezas com a produção argentina, devido ao clima.

Os lácteos têm uma das principais quedas no mercado externo. Os preços praticados atualmente são 15% inferiores aos de há um ano e têm a sétima redução mensal consecutiva. No Brasil, a situação não é diferente. O preço do leite cai há oito meses seguidos, acumulando retração de 21,2% de janeiro a novembro de 2025.

As carnes ainda têm queda no mercado externo, devido ao enfraquecimento dos preços da suína, o que compensou o aumento da bovina e de frango. No Brasil, as de frango e suína, com melhor oferta, caíram de preço, mas a bovina, devido à demanda externa, voltou a subir, segundo o Cepea. Mesma tendência foi registrado no varejo, segundo a Fipe (Folha, 10/2/26)