23/04/2026

Por desespero eleitoral, Lula ataca Trump

Por desespero eleitoral, Lula ataca Trump

Estratégia só dará certo se Trump reagir. Foto: Ricardo Stuckert /Ricardo Stuckert / PR

 

Por Fabiano Lana

 

Os dois presidentes se deram muito bem e possuem até um encontro presencial planejado nos Estados Unidos. Mas a necessidade de vencer as eleições falou mais alto. Que tal tentar novamente?

 

Do ponto de vista do ganho de popularidade, o maior gol do time do presidente Lula do terceiro mandato foi contra, marcado pelo adversário. Ao impor tarifas comerciais contra o Brasil, em tese estimulado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o presidente Donald Trump ofereceu de presente ao petista um discurso de vítima do imperialismo global. As falas em prol da soberania, em comparação com o entreguismo dos adversários, em tese, proporcionaram alguns pontos percentuais na aprovação de Lula.

 

Mas o efeito foi limitado. Passados alguns meses, Lula volta a ter dificuldade nas pesquisas. E, pior, pode perder para o filho vocalmente mais amorfo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Que tal buscar retomar aquela briga com Trump?”, alguém propôs, ou mesmo o próprio Lula, intuitivamente. Deixar de lado a aproximação entre os presidentes ocorrida em setembro do ano passado, na sede das Nações Unidas, e buscar novamente a beligerância verbal.

 

A circunstância para o plano foi a expulsão de um delegado da Polícia Federal brasileira dos Estados Unidos, acusado de tentar manipular a polícia anti-imigração de Trump por motivos políticos. Lula, sempre rápido politicamente, aproveitou a deixa. “Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas querem ter com relação ao Brasil”, disse o atual titular do Palácio do Planalto, entre outras declarações alfinetando o chefe da Casa Branca.

 

É aquela história de tentar repetir a história. Mas agora como farsa, já que Lula e Trump se deram muito bem, obrigado, e possuem até mesmo um encontro presencial planejado nos Estados Unidos. Porém, a necessidade de vencer as eleições falou mais alto. Que tal tentar novamente?

 

A questão é que, para um governo que se considera – como todas as gestões petistas – o melhor de todos os tempos, a estratégia parece ser algo desesperada. E, mais importante, precisa ser combinada com os americanos. O presidente Donald Trump precisaria reagir com a truculência habitual de maneira que o caso possa incendiar a opinião pública brasileira.

 

É impossível prever os passos do americano em qualquer assunto. Mas, aparentemente, Trump tem muito mais assuntos para se preocupar, como a guerra no Irã, o petróleo da Venezuela, os gastos armamentistas na Europa, as questões internas. Mas vai que ele morde a isca e ajuda o petista (Estadão, 23/4/26)