09/03/2026

PT x Bolsonaro, parte 3 – Editorial Folha de S.Paulo

PT x Bolsonaro, parte 3 – Editorial Folha de S.Paulo

Fotos Reprodução Blog O Globo

 

  • Datafolha mostra Flávio em empate com Lula num 2º turno, o que repetiria polarização das últimas eleições
  • Com Orçamento em frangalhos e escândalos, disputa se prenuncia dura para o petista, que tem filho na condição de investigado em potencial

 

Quando a pretensão presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi anunciada por seu pai, em dezembro do ano passado, havia bons motivos para desconfiar da seriedade da empreitada.

 

Previa-se que Flávio herdaria a elevada taxa de rejeição do eleitorado a Jair Bolsonaro (PL), àquela altura já preso e condenado por tentativa de golpe de Estado. O próprio senador afirmou de início que poderia não levar a candidatura até o fim —e haveria um "preço" para isso.

 

O que parecia não mais que uma manobra para garantir a fidelidade ao sobrenome por parte dos demais postulantes à direita, entretanto, vai se impondo como realidade política pela força das intenções de voto.

 

Em pesquisa Datafolha realizada neste início de março, Flávio tem cerca de um terço das preferências do eleitorado no primeiro turno; no segundo, consegue um empate técnico com o incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 43% a 46%, respectivamente.

 

Com a ressalva de que ainda há muito a acontecer até a abertura das urnas, os números de hoje apontam para mais uma disputa presidencial polarizada entre um petista e um Bolsonaro —a terceira consecutiva desde 2018, quando Jair derrotou o hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

 

Cogitado como uma terceira via, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), não alcança mais de 7% das intenções no primeiro turno. Outros nomes, como os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), marcam ainda menos.

 

Já o governador de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), preferido das forças do centro à direita, deixou claro que não se animará a concorrer contra o candidato escolhido por Jair Bolsonaro, seu padrinho político.

 

Pelo cálculo político mais convencional, Tarcísio, menos rejeitado, seria um adversário mais difícil que Flávio para Lula. O que se prenuncia, no entanto, é uma contenda dura para o petista.

 

Mesmo com a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5.000 mensais, sua principal bandeira eleitoral até aqui, a avaliação de Lula não mostra melhora. Consideram seu governo ruim ou péssimo 40% dos brasileiros aptos a votar, ante 37% em dezembro, enquanto os que o acham bom ou ótimo se mantêm em 32%.

 

A economia, sufocada por juros nas alturas, não promete maiores surpresas positivas até o pleito, e as contas orçamentárias em frangalhos não permitem novos aumentos de gasto público sem severas consequências.

 

Os escândalos no campo político são sempre perigosos para o ocupante do Palácio do Planalto —e Lula tem um filho na condição de investigado em potencial. Enquanto isso, o bolsonarismo celebra as suspeitas que se acumulam no caso Banco Master contra seu maior algoz, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) (Folha, 9/3/26)