Qualidade do café no Brasil preocupa e faz preço subir 4% em Nova York
Atraso na colheita brasileira de café prejudica o ritmo dos embarques — Foto: Gustavo Facanalli/Embrapa
Ritmo lento das exportações e ainda terremoto na Colômbia também motivaram alta do grão no cenário externo.
Os preços do café arábica consolidaram sua tendência no mercado internacional diante de preocupações com a qualidade do grão colhido no Brasil, maior produtor e exportador mundial de arábica. Os contratos com entrega para dezembro subiram 4,58% nesta terça-feira (18/8), para US$ 3,3245 a libra-peso.
Segundo Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria, pela análise dos gráficos, a tendência ainda é de valorização para os contratos futuros do grão.
“O mercado deve seguir muito volátil, pois ainda há muita preocupação com a qualidade do café no Brasil. Com a colheita próxima do fim, há poucas pessoas falando de volume de safra, que será maior este ano, já que o foco é sobre a qualidade dos grãos colhidos”, disse.
Ainda de acordo com Bonfá, o forte terremoto que atingiu a Colômbia também afetou áreas de café, e gera receio sobre a produção e distribuição no país, que é o segundo maior produtor de arábica do mundo.
Por fim, o especialista também lembra que o atraso na colheita brasileira prejudica o ritmo dos embarques, reduzindo a oferta ao mercado, e ainda reforçando o quadro de aperto nos estoques.
“O USDA [Departamento de Agricultura dos Estados Unidos] projeta exportações de 49 milhões de sacas para o Brasil em 2026/27. No entanto, em julho, no primeiro mês do ano cafeeiro, o volume de exportações foi muito baixo, e o que temos programado para agosto também é irrisório para alcançar esse dado que o USDA projetou”, ressaltou Bonfá.
Dados mais recentes do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o país embarcou 3 milhões de sacas de 60 kg em julho. Para agosto, a entidade prevê o envio de 1,30 milhão de sacas até o momento.
O açúcar se valorizou mais uma vez na bolsa de Nova York, enquanto persistem as preocupações do clima para a produção. Os lotes do demerara para outubro avançaram 3,56%, a 17,47 centavos de dólar a libra-peso.
A tendência de alta é sustentada por uma nova postura dos fundos especulativos. Em duas semanas, eles realizaram compras líquidas de 145 mil contratos futuros, o maior valor de compra líquida em um intervalo de duas semanas nos últimos 20 anos, de acordo com levantamento da consultoria FG/A.
Para Willian Hernandes, sócio da consultoria FG/A, os fundos “parecem estar com receio de um El Niño muito forte”. Nos últimos dias, várias consultorias passaram a revisar suas projeções para o balanço entre oferta e demanda de açúcar no mundo, com a expectativa de que o fenômeno afete a produção da Índia e da Tailândia, além da Europa.
O El Niño pode afetar a oferta até do Centro-Sul se antecipar mais chuvas neste inverno e causar mais interrupções na colheita e redução da qualidade da cana-de-açúcar.
Completam os fatores de alta para o açúcar a notícia divulgada hoje pela Reuters, de que a Índia estuda a possibilidade de permitir importações do produto. Segundo a agência, diante de estoques baixos no país, estão na pauta do governo propostas como uma cota de importação para o açúcar bem como a redução das tarifas para a sua aquisição.
Um movimento de realização de lucros pautou a queda nos preços do cacau. Os contratos para dezembro fecharam em baixa de 2,47%, cotados a US$ 5.917 a tonelada.
O preço do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) registrou a terceira alta consecutiva. Os contratos para setembro avançaram 0,07%, a US$ 1,4690 a libra-peso.
Nos negócios do algodão, por sua vez, os lotes para dezembro fecharam em queda de 0,08%, a 85,41 centavos de dólar a libra-peso (Globo Rural, 18/8/26)

