29/03/2026

Quando a política perde a memória – Por Rodrigo Simões

Quando a política perde a memória – Por Rodrigo Simões

A política brasileira segue revelando, semana após semana, episódios que testam a paciência do cidadão e colocam à prova valores fundamentais como coerência, gratidão e responsabilidade pública.

Entre discursos, atitudes e fatos concretos, o que se vê é um cenário onde, muitas vezes, a memória é curta — mas a percepção do eleitor está cada vez mais aguçada.

Nesta semana, a coluna Realidade Sem Filtro traz reflexões que vão da decepção política à valorização de bons exemplos, passando por temas que evidenciam as contradições do Brasil atual.

 

Gratidão não pode ser opcional

 

A passagem do deputado federal Ricardo Salles por Ribeirão Preto, em evento de lançamento de pré-candidaturas do Novo — incluindo a sua ao Senado — trouxe à tona um tema essencial na vida pública: gratidão.

Eleito com forte apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, Salles, no entanto, não fez qualquer menção ao nome de Bolsonaro, nem no evento, nem fora dele.

Na política, o silêncio também comunica. E, nesse caso, comunica desconforto, distanciamento e, para muitos eleitores, uma clara falta de reconhecimento.

Gratidão não é favor — é caráter. E o eleitor percebe.

 

A verdade vem à tona

 

O laudo do Instituto Médico Legal trouxe novos elementos ao caso envolvendo a influenciadora Cíntia Chagas.

Segundo o documento, não houve qualquer comprovação de agressão, contrariando a narrativa inicialmente apresentada.

A Justiça começa a colocar cada fato em seu devido lugar. E, mais uma vez, fica o alerta: acusações públicas exigem responsabilidade.

Tentar destruir reputações sem provas é grave. E a verdade, ainda que demore, sempre aparece.

 

A realidade bate à porta

 

Pesquisa recente do PoderData aponta que a desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 61% — o maior índice em dois anos.

O dado reflete um sentimento crescente na população: frustração.

Um governo que prometeu muito, mas que, na prática, entrega pouco. Um discurso cada vez mais distante da realidade e uma condução marcada por vaidade e desconexão com as demandas reais do país.

O brasileiro está atento — e começa a reagir.

 

Quando a tradição é ignorada

 

A mais recente polêmica envolvendo a Nike e a nova camisa da Seleção Brasileira de Futebol escancarou um problema recorrente: a tentativa de reinventar o que já é consagrado.

A proposta, associada à designer Rachel Denti, trouxe o termo “Brasa” — que simplesmente não dialoga com a identidade histórica da seleção.

O resultado? Rejeição.

A camisa da Seleção não é apenas um produto. É símbolo nacional. E tradição não se substitui por modismo.

 

Exemplo que vem do interior

 

Em meio a tantos ruídos, há também bons exemplos que merecem destaque.

Na última semana, estive em São José dos Campos para a inauguração de uma unidade do Cozinhalimento, com a presença do vice-governador Felício Ramuth.

Felício demonstrou, mais uma vez, sua liderança, proximidade com as pessoas e respeito pelo trabalho social.

Atendeu a todos, ouviu, conversou e mostrou, na prática, o que é fazer política com presença.

 

Um case que precisa ser replicado

 

O Fundo Social de São José dos Campos é um verdadeiro exemplo de gestão eficiente e humanizada.

Do recebimento das doações à entrega final para a população, tudo funciona com organização, dedicação e respeito.

Ali, o ser humano é tratado com dignidade. Um modelo que deveria ser referência para municípios de todo o Brasil.

 

O Brasil das contradições

 

Enquanto escândalos como o do Banco Master envolvem diferentes esferas de poder, a sensação de impunidade cresce.

E, ao mesmo tempo, vemos casos em que cidadãos comuns enfrentam punições severas.

O contraste é evidente — e desconfortável.

O Brasil precisa urgentemente reencontrar o equilíbrio entre Justiça, responsabilidade e igualdade.

 

Conclusão

 

Entre decepções políticas e bons exemplos de gestão, o país segue mostrando suas contradições.

Mas uma coisa é certa: o eleitor está mais atento, mais crítico e menos tolerante com incoerências.

E, no fim das contas, a política sempre cobra — seja pela omissão, seja pela falta de caráter ou pela ausência de resultados.

 

(Rodrigo Simões, Jornalista • Administrador de Empresas, Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP, 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017), Ex-Presidente da FUNTEC, Colunista – Brasil Agro, Apresentador do Podcast Clube do Povo; 30/3/26)